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Exposição do ‘japonês da Federal’ irrita delegados da PF

Alheio à folia momesca, me valho do noticiário de alguns jornais e da internet para concluir que o Japonês da Federal não fez muito sucesso na folia de rua. Pelo menos no Rio de Janeiro. Por aqui, máscaras reproduzindo seu rosto parecem não ter agradado. Poucas foram vistas. Menos mal.

Polícia FederalO japonês da federal, na verdade, só ganhou notoriedade por conta de o Departamento de Polícia Federal (DPF), através da Superintendência Regional do Paraná (SR/DPF/PR) ou da própria direção geral em Brasília, ter permitido sua excessiva aparição nas operações da Lava Jato. Foi uma estratégia – e aí vem a dúvida de qual o objetivo – ou um simples e repetido erro?

O fato de um agente condenado por corrupção, cuja expulsão do DPF foi revertida por uma questão técnica e não pela prova de sua inocência, tornar-se o rosto dos federais nas operações gerou desconforto interno entre seus colegas.

De tanto aparecer nas fotos das 22 fases da Operação Lava Jato escoltando presos, Newton Hidenori Ishii, 60 anos, virou o retrato do Departamento de Polícia Federal (DPF) na Operação Lava Jato para a população. Mais curioso ainda é a propaganda que aparece no Facebook relacionando o Ministério Público Federal e o juiz Sérgio Moro (acima) com a campanha do abaixo-assinado para propor ao Congresso um projeto de iniciativa popular com mudanças nas leis de combate à corrupção. Ali, junto ao juiz Moro e ao procurador Deltan Dallagnol – apontados como os dois principais paladinos da moralidade e honestidade no país – quem aparece ao lado não é nenhum delegado da Força Tarefa, mas o agente Ishii, que apenas escolta presos. Pior ainda, um condenado por corrupção. Ao que parece, falta coerência.

Essa excessiva exposição vem irritando seus colegas do DPF, inclusive e notoriamente, delegados. Entre estes, os que participam diretamente da Força Tarefa (FT) no Paraná. Uma delas*, no Facebook, comentou sobre o fato de serem representados por alguém que não compõe a FT:

“Por isso eu desisto…. Chega de virar noite (…) Ao menos se fosse um dos colegas que trabalham de fato”.

As críticas nas páginas dos delegados nas redes sociais, repetiram-se em diversos momentos. Eles consideram não ser o agente a pessoa adequada para representá-los junto à população. Criticaram, de forma um tanto quanto preconceituosa, até o fato dele provavelmente não ser articulado como deveria: “talvez não formule um frase com correção, é surreal” (sic). Acham que faltou à instituição escalar alguém gabaritado para representá-la:

“A ausência de um rosto nosso (seja qual razão for), fez a imprensa dar à PF o rosto de um “escoltador”. É patético…”,

resumiu um delegado do norte do país, um dos mais indignados com a situação e que mais comentários postou. Outro colega seu, lotado em Brasília, foi mais direto ao relembrar o passado do Ishii que Luis Fernando Veríssimo, em artigo irônico, intitulou de “Japonês Bonzinho”;

“Na verdade, o agente deveria era ter ido pra rua (…) Ter como rosto da PF alguém que foi demitido por praticar crime é uma tragédia”.

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