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Crônica do Dia – O menino que ri

O menino tem mil amigos e nenhum se importa e ele se cala.

Whisner Fraga
Whisner Fraga

A menina ri ao descobrir que ele é volúvel.

A volubilidade imprevista do tempo.

O que a menina quer? Nada que já não seja dela. E isso dói.

A menina se dedica a formulários , tutoriais e planilhas, mas não sabe o que preencher.

Depois a menina busca a si mesma e descobre que isso é bom.

O menino sabe que viver consigo é esse duelo. E às vezes morre, mas no dia seguinte o despertador lhe mostra que é melhor que se levante.

Vai até a cabeceira e fisga o ansiolítico. O mundo lhe cobra o terno e a pontualidade.

Sem o terno e sem a pontualidade, como haveria de comer?

A menina também é volúvel. Há uma ironia nessa semelhança e ela também ri disso.

A menina tateia evidências e quer o mapa das coisas e se revolta quando o mapa lhe entrega um rumo sem certezas.

A menina prende os cabelos, enlaça os olhos do pai e há ali segurança e brutalidade.

O menino tem mil amigos e nenhum se importa e ele se cala.

O menino se cala porque o silêncio é uma vastidão.

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