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Matheus Nachtergaele fala sobre ‘Cine Holliúdy’, que estreia nesta terça.

Ator também abordou a carreira e a função libertadora da arte

“No ano passado, eu contabilizei que fiquei 20 noites na minha casa. Ou seja, eu meio que não moro em lugar nenhum. Eu moro nos personagens, e eles viajam”, constata o ator e diretor Matheus Nachtergaele, 51.

Matheus Nachtergaele - Foto: Ramon Vasconcelos/Rede Globo
Matheus Nachtergaele – Foto: Ramon Vasconcelos/Rede Globo

Por RENATO LOMBARDI
Fonte: “O Tempo”

O motivo, ele explica com orgulho, é sua carreira, que já soma 27 anos. São trabalhos no teatro, no cinema e na televisão e que o levam para os mais variados destinos no país – nessa lista está a série “Cine Holliúdy”, que estreia amanhã à noite na Globo. A comédia em dez capítulos, assinada por Marcio Wilson e Claudio Paiva, é baseada no longa-metragem homônimo escrito e dirigido por Halder Gomes.

“Foi delicioso filmar. Se não me engano, foram oito semanas de trabalho, mas eu posso estar enganado, podem ter sido mais. Porque elas (as gravações) foram todas feitas em Areias (interior de São Paulo) entre o fim de 2017 até o Carnaval do ano passado”, comenta o ator, relembrando uma das temporada que passou fora de sua casa “oficial”, no Rio de Janeiro.

Coube a Nachtergaele a tarefa de interpretar Olegário, o prefeito – e vilão hilário – da fictícia cidade cearense Pitombas. O personagem é um típico político populista, daqueles bem escorregadios. E o que o move são os seus interesses particulares. “Além de corrupto, ele é vaidoso, ignorante e pedante”, conta o ator.

Olegário manda e desmanda em Pitombas, mas, dentro de casa, quem dá as ordens é sua mulher, Maria do Socorro (Heloísa Perissé), ou “Currinha”, para o apaixonado prefeito. “Olegário é um homem que dentro de casa fraqueja. Fraqueja principalmente porque ele se sente como um nordestino ignorante – esse tipo de preconceito que as pessoas têm, e ele tem sobre ele mesmo. Ele considera a Currinha superior a ele, porque ela vem de São Paulo. Então, além de gostar dela, ele se sente um pouco inferior a ela, no fundo”, diz.

A televisão. E é Maria do Socorro quem manda o marido arrumar uma televisão para distrair a filha, Marylin (Letícia Colin). Para isso, ele usa verba da prefeitura, mas sua falcatrua com o dinheiro público é descoberta. “É a primeira televisão da cidade, e ele compra pra mulher dele, mas ele acaba sendo descoberto e é obrigado a instalar a televisão na praça. Obviamente ele mente dizendo que comprou para a cidade”, adianta Nachtergaele.

“Eu acho que a comédia, quando é boa, consegue criticar, de um jeito hilário, muitas características humanas que a gente considera como falhas. E esse Olegário é cheio delas”, define o ator. “Tudo é feito com muita graça para que as pessoas realmente se divirtam assistindo à série e esse vilão hilário”, garante.

Marylin (Letícia Colin) e Francis (Edmilson Filho) vão fazer os próprios filmes em Pitombas - Foto: Marcos Rosa/TV Globo
Marylin (Letícia Colin) e Francis (Edmilson Filho) vão fazer os próprios filmes em Pitombas – Foto: Marcos Rosa/TV Globo

Reencontro com o Nordeste brasileiro

“Cine Holliúdy” marca o reencontro de Matheus Nachtergaele com o Nordeste brasileiro – Olegário, seu personagem na série da Globo, é mais um nordestino que ele interpreta em sua carreira. “O Nordeste é uma frequência no meu trabalho.

Eu ando pensando muito sobre isso porque eu sou paulistano, filho de belgas, e de repente o cinema me levou para o Nordeste. A primeira vez que fui para lá foi com ‘Central do Brasil’, com Walter Salles; logo na minha estreia, no ‘O Que É Isso, Companheiro?’, do Bruno Barreto, eu fiz o Jonas, que era um guerrilheiro nordestino. Ou seja, há um chamamento para o Nordeste que eu atendi”, detalha o ator.

Na lista de trabalhos nos quais ele interpretou um personagem nordestino estão as séries e filmes “O Auto da Compadecida”, “O Bem Amado” e “Ó Pai Ó”. “Eu me tornei um ator capaz de representar o brasileiro nordestino. Eu acho que meu tipo físico se prestou a isso, e eu me envolvi com isso. Te digo uma coisa: fiquei muito feliz”, diz.

“Essa minha permanência no cinema e no imaginário do brasileiro como nordestino me tira um pouco, acho que de uma maneira positiva, da minha condição de paulistano, de pequeno burguês”, afirma Nachtergaele, que revela que já pensou em se mudar para o Nordeste: “Mas nunca executei. Talvez porque, como eu viajo demais, morar aqui no Rio de Janeiro seja um pouco mais estratégico. Eu fico mais ou menos no meio do Brasil”. (RL)

“A arte tem uma função libertadora”

Além de “Cine Holliúdy”, Matheus Nachtergaele já está envolvido em outros projetos na televisão. Um deles é a segunda temporada da série de comédia “Filhos da Pátria”, de Bruno Mazzeo, que também traz no elenco os atores Alexandre Nero e Fernanda Torres.

“A gente começa a gravar amanhã, justamente no dia em que Cine Holliúdy’ estreia”, comemora Nachtergaele. A série ainda não tem data de estreia. E tem mais. “Eu topei fazer uma novela, não vou contar ainda o que é. O que me disseram é que a novela é para o ano que vem, mas a gente começa os trabalhos no finalzinho deste ano”, revela.

Além da TV, Nachtergaele tem projetos no cinema. Na lista estão “A Serpente”, filme de Jura Catela baseado na obra de Nelson Rodrigues; “Piedade”, de Cláudio Assis; o “Clube dos Anjos”, de Angelo Defanti, baseado na obra de Luiz Fernando Veríssimo; “Cabras da Peste”, dirigido por Vitor Brant; e “Carro Rei”, dirigido por Renata Pinheiro, que ele acabou de filmar em Caruaru (PE).

No teatro, ele segue com o monólogo “Processo de Conscerto do Desejo”, que reúne poemas da mãe dele, Maria Cecília. Há, também, o espetáculo “Mulher”, que cumpriu temporada no Rio de Janeiro e em São Paulo. Segundo o ator, a ideia é voltar com a peça e viajar pelo país, mas é preciso patrocínio: “Nos tempos de hoje não está fácil”.

“Acho que a classe artística está toda aguardando para entender as novas regras do jogo para trabalhar”, afirma. “Minha função será continuar trabalhando com coisas bonitas, trabalhando muito, acreditando que a arte tem uma função libertadora para além do puro entretenimento”, finaliza. (RL)

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