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Coluna do Dia – A arte enquanto recurso de autotransformação e catarse emocional – Por Soraya Rodrigues de Aragão

Nos tratamentos psiquiátricos, a arte é uma ferramenta fundamental, pois os

Portadores de distúrbios mentais podem, através da produção artística, trabalhar os processos de cura.

Soraya Rodrigues de Aragão
Soraya Rodrigues de Aragão

A arte transmuta sentimentos e emoções, materializa medos, receios, fantasias, indo de encontro a nossa própria essência, ao nosso eu, às nossas raízes genealógicas, históricas, sendo um importante recurso de autotransformação, pois como foi dito anteriormente, conteúdos que não eram da ordem da consciência passam a emergir de modo que possam proceder uma desconstrução e ressignificação de elementos que, embora não estavam à luz da consciência, não eram menos vivos e atuantes, muito pelo contrário.

Estes conteúdos que não estavam clarificados, trabalham de forma mais viva e forte, exatamente por não estar no âmbito da consciência e consequentemente dificultando o controle e elaboração deles. A partir da elucidação e conscientização destes, se pode trabalhar elementos da história de vida do paciente, tais como dificuldades relacionais, interpessoais, intrapessoais e familiares, bem como a ansiedade e o estresse do dia-a-dia, resgatando através da arte o potencial criativo e ressignificando vivências do paciente.

A arte como oportunidade do desenvolvimento da sensibilidade e da capacidade intuitiva

Psiconeurologicamente, através da produção artística, é dada ao paciente a oportunidade do desenvolvimento da sensibilidade e da capacidade intuitiva, visto que o exercício do hemisfério direito, a parte do cérebro responsável pela criatividade e intuição pode ser treinada e desenvolvida através de competências que, historicamente foram relegadas a escanteio pela cultura da racionalidade, do pragmatismo, da intelectualidade e do raciocínio lógico como preponderantes em uma sociedade ocidental capitalista, que visa a produtividade e o lucro.

Nos tratamentos psiquiátricos, a arte é uma ferramenta fundamental, pois os portadores de distúrbios mentais, taxados pela sociedade como incapacitados e improdutivos, e por consequência marginalizados, podem, através da produção artística trabalhar os processos de cura, atribuindo sentido e significado à sua existência, por sentirem-se úteis e produtores, ao mesmo tempo em que desenvolve uma atividade psicolúdica na manifestação íntegra de seu ser e no resgate da sua criança interior.

O resultado deste processo não só proporciona o alivio de sintomas, mas o trabalho ativo de conteúdos psíquicos subjacentes represados, encontrando oportunidade de ressignificação através de novas (re)leituras da realidade e da mudança de perspectiva neste tipo de abordagem psicoterapêutica.

A arte como catarse emocional

Vale a pena salientar que a arte como ferramenta aplicada a clínica, é um processo atentamente guiado, onde a tríadeterapeuta, paciente e arte estão intrinsecamente vinculados em um contexto com um fim específico de catarse, expressão do sofrimento e elaboração de sentimentos, na desconstrução de padrões de pensamentos e comportamentos que porventura contribuíram ao paciente o estado de adoecimento. Existe quebra de paradigmas de suas vivências de modo a construir novos padrões mais saudáveis, criando novas perspectivas e construindo uma nova realidade que possa proporcionar o encontro do eu do paciente enquanto essência e desta forma, buscando a harmonia e a saúde.

Importante ressaltar que a arte na clínica nunca deve ser considerada um passatempo ou simples relaxamento, pois como foi exposto acima ela remete a fins terapêuticos e resultados. específicos.

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