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Crônica do Dia – Minha cidade – Por Whisner Fraga.

Tempo é escolha, Seu Divino. Tarde!

Whisner Fraga
Whisner Fraga

O menino já faz ponto no calçadão da avenida quinze.

“Vai graxa aí, moço?”

Vai.

Eu me acomodo, alinho o chapéu, fisgo o cigarro e dano a encarar uns mosquitos que comemoram um lixo inesperado.

Qualquer coisa sépia bagunça o céu.

Dona Terezinha desce perseguindo sombras:

Oi, fio, tarde!

Tarde, Dona Terezinha.

O menino empunha um pano que faz papel de flanela. Segura as pontas, uma em cada mão e estica o trapo até onde pode.

Unta minhas botas e espera.

O menino não conversa, mas boceja e maldiz o paradeiro.

O menino batuca o pano e extrai um samba para o único cliente que ainda se importa com sapatos lustrosos.

É o Adoniran?

É.

É triste.

É.

Seu Divino atravessa a rua apressado:

Eita, e eu sem tempo de lustrar os meus.

Tempo é escolha, Seu Divino. Tarde!

Tarde.

Vai com Deus.

Comentários sobre o livro “Os Touros de Basã”, de Marco Aurélio de Souza

Whisner Fraga comenta o livro “Os touros de Basã” e lê um trecho de um conto da obra.

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