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Crônica do Dia – Amanhece debaixo de cinzas – Por Whisner Fraga

Whisner Fraga
Whisner Fraga

A trezentos por hora ninguém prevê o susto.

Os aviões arranham um céu tumultuado de sujeiras.

As cinzas aterrissam na varanda dessa cidade inquieta.

As gatas acossam libélulas.

A menina recua diante dos estrondos dos motores que flutuam na poluição.

O rio também está morto, menina.

Tudo está morto, só falta decretarem.

Não digo nada disso, só penso.

A jabuticabeira ainda é novidade e por isso alguém despejou uma água suja naquela terra humosa.

Como é o nome do cantor que você encontrou num bar? Nick.

Repete a história.

A trezentos por hora ninguém espera imprevistos.

E é por isso que o avião parece afogar na poluição cinza e vermelha e beliscar um prédio desavisado. Um susto.

Há uma chuva de cinzas na varanda.

São vaga-lumes?, a menina quer saber.

Tudo está morto, eu penso.

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