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Cultura e Política entrevista: Cantora Riá – por Paulo Nailson

"Cantar é como respirar!"

Paulo Nailson-Cabeçário-Jornal-de-Caruaru

Ela é Cantora, professora de canto e música formada pelo IFPE (Instituto Federal de Pernambuco). Dona de uma voz singular e zelosa com seu repertório, Riá pesquisa e traz no seu canto o maxixe, lundus, samba, cantoria, polca, valsas, choro, bossa contextualizando para nossa cultura regional. Sua personalidade é tão forte quanto sua voz. Vamos conhecer um pouco mais sobre ela.

Paulo Nailson – Quando você descobriu sua vocação para música?

Riá – Desde criança eu já tinha todos os indícios do que seria e o que queria pra minha vida! Mas exatamente aos 18 anos eu segui profissionalmente a carreira de cantora.

PN – Quais influências que você recebeu?

R – As influências vem da boa música que escutava na vitrola do meu pai, eram tardes inteiras escutando os vinis, cantando e me imaginado nos palcos! Clara Nunes, Elis, Tom Jobim, Chico Buarque, Chico Anísio, Baianos e novos Caetanos, chorinho, jazz…

E tantos outros embalavam meus fins de semana e as minhas manhãs antes de ir a escola, o rádio tocando Dolores Duran, Vicente Celestino, Ella Fitzgerald…eu ia flutuando escutando meu o Alkman. Os sonhos se tornaram realidade e hoje eu sou quem Sou “Riá”.

PN – Quem a escuta percebe que há algo mais em você, na sua interpretação, o que significa cantar para você?

R – “Cantar é como respirar!” No momento que estou em total sintonia com o universo, com Deus! A felicidade é completa!

PN – Embora tão jovem, você tem uma carreira profissional já bem consolidada, mas certamente não foi fácil todas as conquistas. Quais as dificuldades enfrentadas?

Riá 2

R – São muitas, hoje vivemos um cenário musical onde a música popular está perdendo seu espaço, pois o papel do poder público que deveria informar levando as escolas, universidades, e também as principais festividades do Município a cultura, a música que fez história e que construiu o país, se converte a mídia ao poder financeiro e embala ladeira a baixo seguimentos musicais que trazem a violência, a desvalorização da mulher, e tantos outros. É muito triste vê as futuras gerações sem saber de onde veio nossa cultura, nossa música popular brasileira, cheia de africanidade, samba no pé, brejeira, sertaneja de raiz e cheia de luta!

Isso tudo que citei dificulta o trabalho de quem pesquisa, estuda, compõe arte! Pois arte foi feita para pensar… E contudo as oportunidades de nossa região são restritas. Minha busca sempre foi os estudos, bons relacionamentos no meio, projetos e ganhar sempre o mundo! Ficar aqui é impossível!

PN – Esse momento em que o Brasil vive também não facilita…

R – O país vive o maior golpe que já foi visto desde a Ditadura Militar.

Tempos sombrios, cheio de ódio, intolerâncias, massacre aos menos favorecidos e uma ascensão do poder à cima da justiça humana e divina! Infelizmente o Brasil decaiu, regrediu quando elegeu um homem de carácter duvidoso, atitudes infelizes e totalmente despreparo para gerir um país. Fascista declarado, a favor da tortura e contra as minorias! Eu sinceramente não deixo de lutar pelo que acredito, mas o Brasil precisa acordar!

Riá 3

PN – Quero lhe agradecer pela generosidade de participar. Além de lhe admirar como artista também a admiro pela pessoa que é. Agora deixe sua dica para quem pretende lidar com a arte da música.

R – Se informar é preciso, chato, cansativo muitas vezes, mas é a partir da leitura, do debate e da informação que crescemos como seres humanos! Parabéns a Paulo Nailson pelo belo trabalho e por fomentar a arte, cultura e as histórias de nós artistas que amamos nossa Caruaru!
Evoé!

NOSSA GENTE, NOSSA ARTE

1º Prêmio Pernalonga de Teatro

Arary Marrocos recebendo prêmio Pernalonga de Teatro, na Cerimônia de Prêmiação em aula magna com Sergio Mamberti. O Feteag recebeu o prêmio como a mais importante Iniciativa Coletiva de Pernambuco. A foto histórica é de Fernando Figueirôa (Secult-PE/Fundarpe).

O ÚLTIMO CAFÉ!

Logo mais, às 19:30, na casa do Cordel, acontece o último Café Cultural no local onde a sede se encontra. Como já foi amplamente divulgado pela imprensa, as “casinhas” serão derrubadas para implementação da Via Parque. Todos os segmentos que estão no local serão de imediato transferidos para o Galpão onde ficarão provisoriamente, mas de forma planejada e bem organizada. A Fundação de Cultura e Turismo está de parabéns por ter dialogado com os “caseiros” e primeiro providenciado o local, antes do desmanche acontecer. A transformação da antiga Estação Ferroviária em um espaço de acolhimento de atividades artísticas e culturais é uma demanda levantada por todos os segmentos na 3ª Conferência de Cultura de Caruaru, ocorrida ainda em agosto de 2013.

NUM DIA COMO HOJE…

Por Arquivo/Museu da Comunicação Hipólito da Costa

Em 27 de agosto de 1961, os ministros militares vetam a posse de Jango na presidência. Leonel Brizola, na época governador do Rio Grande do Sul, afirma que garante a posse “a bala, se for preciso”. O ministro da Guerra manda depô-lo, mas o comando do 3º Exército desobedece. Começa a Campanha da Legalidade, com centro no RS. Brizola mandou publicar uma nota nos jornais sob o título: “Ao Rio Grande e ao Brasil”. O tom do texto já deixa claro: “Cumpre-nos reafirmar nossa inalterável posição ao lado da legalidade constitucional. Não pactuaremos com golpes ou violências contra a ordem constitucional e contra as lideranças públicas”.

Para refletir

“Se não fora o Senhor, se não fora o Senhor, que estivesse ao nosso lado, quando houve luta contra nós, não teríamos resistido. Bendito seja o Senhor que nos livrou da violência de nossos inimigos.” (Salmo 124)

Paulo Nailson -Banner Rodapé da Coluna

1 comentário
  1. Jad Diz

    Parabéns pelo seu trabalho Paulo Nailson

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