Notícias de Caruaru e Região

Cultura e Política – Hoje o papo é com o poeta Carlinhos Cordel – Por Paulo Nailson

Paulo Nailson-Cabeçário-Jornal-de-Caruaru

Carlinhos Cordel é nome artístico de Carlos Soares da Silva, natural de Cupira-PE, filho de Irineu Soares da Silva e de Josefa Silva de Lima. É casado com a Maria Neide Torres Soares e é pai de Caio Eduardo Torres Soares.

Carlinhos Cordel 1
Carlos Soares da Silva o “Carlinhos do Cordel”

É professor do Estado de Pernambuco, pós-graduado em Letras e leciona as disciplinas de Língua Portuguesa, Literatura e Redação desde 1993.

Carlinhos desde cedo, mostra interesse pela cultura popular por causa de seu avô materno JOSÉ DE LIMA, um tocador de banda de pífano e dançarino de mazurca, e de sua mãe que cantava e compunha as músicas da mazurca junto com suas tias e familiares nas novenas e festas religiosas do município de Cupira no agreste pernambucano.

A partir de 2005, começou a escrever Literatura de Cordel. Seu primeiro folheto foi “O Pernambuquês”. Já publicou mais de 260 folhetos de cordel e várias poesias, publicadas e espalhadas em vários sites da internet como: recantodasletras.com.br entre outros. Em 2010, ganhou o Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel – Edição Patativa do Assaré e, em 2017, ganhou o Prêmio Culturas Populares: Leandro Gomes de Barros, ambos patrocinados pelo Ministério da Cultura.

Em 2018, ganhou o 3.º Prêmio Ariano Suassuna de Cultura Popular e Dramaturgia, patrocinado pelo Governo do Estado de Pernambuco. Atualmente é cordelista membro da ACLC (Academia Caruaruense de Literatura de Cordel), com a cadeira n.º 14: Leandro Gomes de Barros, filiado desde 2011. Também é poeta e, em 2010, teve dois de seus sonetos selecionados e publicados pela Editora Babecco de Olinda-PE no livro: “100 Sonetos Pernambucanos”. Em 2019, teve sete sonetos de sua autoria selecionados e publicados no livro “I Antologia Poética do Recanto das Letras”. Nosso entrevistado nessa semana:

Qual momento de sua vida você descobriu a vocação poética?

Comecei a escrever poemas com 16 anos no Ensino Médio. Fazia poemas com veros livres ou rimados, porém, parei de escrever e, em 2005, encontrei-me com o cordel. Tive que preparar uma aula sobre a Literatura de Cordel e então escrevi meu primeiro cordel: O Pernambuquês. A aula foi um tremendo sucesso, os alunos riram e se divertiram bastante. De lá para cá, são várias poesias e mais de 260 cordéis publicados em sites e em livretos, alguns prêmios ganhos como o último em 2017 Prêmio Cultura Populares Leandro Gomes de Barros patrocinado pelo Ministério da Cultura.

Carlinhos Cordel 2
“O cordel significa para mim um instrumento de desabafo pessoal e de alerta social”

Teve alguém que lhe influenciou?

Não tenho nenhuma influência artística aparente. Comecei a fazer o cordel para dar aulas, como sou professor de Português, fui desafiado a dar aulas diferentes, então resolvi dar aulas em cordel como: “A Nova Ortografia em Cordel”, As Regras de Acentuação”, “A Redação no ENEM”, “As Principais Dúvidas do Português”, “A História da Literatura Brasileira”, todos em cordel para dar aulas no Ensino Médio.

Acho que a minha maior influência artística está no sangue, pois meu avô materno JOSÉ DE LIMA, foi um verdadeiro representante da cultura popular, um tocador de banda de pífano (tocava todos os instrumentos, inclusive o pífano), dançarino de mazurca e chefe de um grupo de bacamarteiros e minha mãe que cantava e compunha as músicas da mazurca junto com minhas tias e familiares nas novenas e festas religiosas do município de Cupira no agreste pernambucano.

O que significa o cordel para você?

O cordel significa para mim um instrumento de desabafo pessoal e de alerta social, com ele, eu posso dar conselhos, posso divertir as pessoas, posso dar aulas, posso fazer rir e até chorar. Acho que as duas estrofes abaixo definem muito bem o que é o cordel para mil:

Cordel é arte do povo

É o saber popular

Conhecimento a jorrar

Noticia o velho e o novo

Com ele, eu me comovo

Posso chorar e até rir

O cordel veio cumprir

A sua nobre missão

Nos trazer informação

Aconselhar, divertir.

O cordel é arte pura

Que a todo mundo enfeitiça

Na nossa mente aterrissa

Com amor e com brandura

É bela literatura

Erudita poesia

Traz encanto, traz magia

Conta uma história legal

Imaginária ou real

Com muita sabedoria.

(Autor: Carlinhos Cordel)

Quais as maiores dificuldades que enfrenta, como cordelista?

As nossas maiores dificuldades são as mesmas encontradas por todos os artistas populares, ou seja, a primeira, e a mais séria, é o preconceito que ainda existe contra as artes populares como um todo, especialmente contra o cordel, depois vem outras como: a falta de espaço nas mídias; a falta de espaço para a divulgação em eventos e nas cidades e principalmente a falta de políticas sérias por parte dos governos municipal, estadual e federal que visem o fortalecimento da Literatura de Cordel.

Para superarmos essas dificuldades, temos que lutar bastante e o principal meio é nos unirmos e mostrarmos o nosso trabalho, seja nas mídias, na internet, nas academias, nas feiras, nos museus, nas festas… enfim, é mostrarmos para todos que as artes populares e a Literatura de Cordel permanecem vivas e são as expressões de pessoas que têm uma cultura maravilha. Pessoas essas que representam todos nós, brasileiros, independentemente de raça, de cor, de religião ou opção sexual.

Qual sua opinião sobre o momento atual que o país vive?

Infelizmente, vivemos um dos piores momentos de nossa história polícia, no qual, a sociedade vive a angústia da insegurança e da insatisfação social, causadas por um desgoverno com um presidente medíocre, um senado e uma câmara dos deputados corruptos, que teimam em destruir os direitos dos trabalhadores e dos artistas populares, ao invés de lutar para que o nosso povo tenha dias melhores com segurança, saúde e educação de qualidade. Esse é o retrato de um país, onde a maioria não sabe escolher seus representantes políticos.

Para concluir, deixe uma mensagem para os leitores da coluna.

Aqui, deixo o meu muito obrigado e o meu abraço ao amigo Paulo Nailson e a todos os leitores, dizendo que: “Todo ser humano é um representante de sua tradição, por isso, Valorize a nossa cultura, pois é com ela que o nosso povo se expressa e mostra suas qualidades: na culinária, nas artes, na dança, na música, no repente e no cordel. ” Viva a cultura nordestina-brasileira!

Paulo Nailson -Banner Rodapé da Coluna

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.