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Coluna Cultura e Política – Gullar, Parabéns Poeta! – Por Paulo Nailson

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José Ribamar Ferreira, Ferreira Gullar, é atualmente considerado pela crítica um dos poetas mais expressivos da Literatura Brasileira. Nasceu em 10 de setembro, em São Luiz do Maranhão, em 1930, publicou seu primeiro livro, “Um Pouco Acima do Chão”, em 1949.

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Com o golpe militar, em 1964, foi preso e exilado — passou por Moscou, Santiago, Lima e Buenos Aires, só retornando ao Brasil em 1977. Durante o exílio na Argentina, escreveu sua magnum opus, o “Poema Sujo”, um longo poema, com quase 100 páginas, que foi traduzido em 25 países. “Sentia-me dentro de um cerco que se fechava. Decidi, então, escrever um poema que fosse o meu testemunho final, antes que me calassem para sempre”, escreveu o poeta.

“Concebido como um ‘testemunho final’ por um autor que temia de uma hora para outra sumir, como tantas pessoas estavam sumindo na América Latina, o Poema sujo detonou um movimento pelo retorno de Gullar ao Brasil. A comoção criada pelo livro o estimularia a voltar ao país, em circunstâncias arriscadas, dando fim a um périplo de seis anos no exílio.”

Em 1980, publicou “Na Vertigem do Dia” e “Toda Poesia”, que reunia toda sua produção poética até então. Em 1985, pela tradução da peça “Cyrano de Bergerac”, ganhou o prêmio Molière, o mais importante do teatro nacional.

Indicado ao Nobel de Literatura em 2002, o escritor acumulou uma série de prêmios literários durante a sua trajetória, com desataque para os Prêmios Jabuti de Ficção e Poesia, e o Prêmio Camões. Em 2014, Gullar foi eleito para a cadeira nº 37 da Academia Brasileira de Letras. Ferreira Gullar morreu em 4 de dezembro de 2016, aos 86 anos.

Hoje e sempre, vale lembrar de sua obra e novamente se inspirar em seus poemas. Um deles, “Traduzir-se”, está expresso a preocupação de Gullar em mostrar a própria existência, o ponto e o contraponto, as dicotomias do ser, uma forma de entender e se entender. De aprender a conviver em equilíbrio com isso tudo.

Traduzir-se

Uma parte de mim

é todo mundo:

outra parte é ninguém:

fundo sem fundo.

Uma parte de mim

é multidão:

outra parte estranheza

e solidão.

Uma parte de mim

pesa, pondera:

outra parte

delira.

Uma parte de mim

almoça e janta:

outra parte

se espanta.

Uma parte de mim

é permanente:

outra parte

se sabe de repente.

Uma parte de mim

é só vertigem:

outra parte,

linguagem.

Traduzir uma parte

na outra parte

— que é uma questão

de vida ou morte —

será arte?

Paulo Nailson -Banner Rodapé da Coluna

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