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Coluna Cultura e Política: Um homem do povo, que amava as pessoas – Por Paulo Nailson

Paulo Nailson-Cabeçário-Jornal-de-Caruaru

Apolônio de Carvalho é um tipo de homem que sempre lutou por aquilo em que acreditava, numa longa e duradoura militância por transformação social. Ontem, 23 de setembro, nos deixava aos 93 anos, um homem revolucionário que gostava dos outros e da vida.

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Apolônio de Carvalho

A partir da década de 1930, esteve presente nas mais importantes lutas políticas do Brasil e da Europa: serviu no exército brasileiro e depois foi expulso pela ditadura Vargas; ingressou no Partido Comunista Brasileiro; foi voluntário nas Brigadas Internacionais da Guerra Civil Espanhola contra os fascistas; e atuou na resistência francesa, na luta contra o nazismo na Segunda Guerra Mundial. Foi, por assim dizer, um exemplo de militante internacionalista, chamado pelo escritor Jorge Amado de “um herói de três pátrias”.

Quando voltou ao Brasil, em 1946, envolveu-se ativamente na vida política do país. Durante a ditadura militar, participou da resistência e passou a viver na clandestinidade. Em 1964, com divergências com o Comitê Central do Partido Comunista, rompeu com o partido e fundou, em 1969, o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), juntamente com Jacob Gorender e Mário Alves. Em 1970, foi preso e torturado pelo regime militar. Em junho daquele ano, Apolônio e outros 39 presos políticos brasileiros foram banidos para a Argélia, trocados em decorrência do sequestro do embaixador da Alemanha.

Em outubro de 1979, com a promulgação da Lei de Anistia, retornou ao Brasil, e participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), sendo um dos primeiros filiados.

Apesar das limitações da saúde e da idade, Apolônio prossegue um militante que não se furtará jamais aos debates e à manifestação pública de suas posições de socialista convicto. Um socialista que soube combater criticamente as distorções do chamado “socialismo real” mas que, nem por isto (ou por isto mesmo), a queda do muro ou o diversionismo das teorias propagadas pelo capital conseguiram dobrar. Entusiasta do MST, ao qual sempre prestou apoio e junto ao qual esteve sempre presente, enfrentou nos últimos meses de sua vida a derrocada do Partido dos Trabalhadores, frente ao que não abriu mão da crítica ou da esperança. Para ele, um novo mundo (socialista) era sempre possível e poderá estar sempre ao alcance de nossas mãos, desde que estejamos dispostos a nos organizar e a lutar por ele. Mestre da liberdade e da esperança, deixou-nos a primavera. Quem dera entendêssemos a nossa co-responsabilidade de construí-la.

VAMOS REFLETIR COM APOLÔNIO

“Quem passa pela vida e não tem nenhum horizonte definido, nenhum ideal que possa e queira lutar, está sujeito à mediocridade”, disse Apolônio no documentário Vale a pena sonhar, dos diretores Rudi Böhm e Stela Grisotti e inspirado no livro autobiográfico do militante comunista.

“Nunca tive culto à figura do Prestes. Mesmo ao jovem Fidel [Castro] a gente olhava com carinho, com respeito, mas sem culto. Para nós, a Revolução de Cuba era muito interessante, mas dentro de realidades diferentes, de condições internacionais extremamente diversas. A gente já possuía essa visão crítica.”

“Se perdemos hoje, não quer dizer que não podemos vencer amanhã”, no filme Utopia e barbárie.

Paulo Nailson -Banner Rodapé da Coluna

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