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Cultura e Política Entrevista: Dudú do Acordeon – Por Paulo Nailson

"Cantar pra mim é a melhor forma de expressar tudo aquilo que eu acredito"!

Paulo Nailson-Cabeçário-Jornal-de-Caruaru

Neste ano, 2019, são 90 anos do nascimento de Luíz Jacinto, o nosso humorista maior, Coroné Ludugero. E hoje, vamos conhecer um pouco mais do seu sobrinho, Eduardo Henrique de Araújo Silva (Dudu do Acordeon). Sua música atravessou fronteiras internacionais levando a nossa cultura para a Europa, participando de festivais de música na França e até na África. É recifense e começou lidar com a música desde criança, através do teclado, seu primeiro instrumento. Dudú, é compositor premiado, tem diversos CDs e DVs gravados e tem em média 80 shows por ano.

Dudú do Acordeon
Eduardo Henrique de Araújo Silva (Dudú do Acordeon).

Um jovem talentoso, bem relacionado com mundo artístico, de boa índole, ainda é, uma das grandes revelações da música popular nordestina. Vamos à entrevista:

Paulo Nailson – Você toca Acordeon, mas seu encanto inicial foi com teclado, como isso começou?

Dudu do Acordeon – Aos 8 anos de idade eu estava em Caruaru e vi minha prima tocando teclado. Entre uma canção e outra que ela tocava eu ficava “catucando” as teclas. Meu pai viu meu interesse pela música e comprou um teclado para mim. Comecei a tocar teclado, me apaixonei pela música popular nordestina e aos 16 anos fui para a cidade Aliança e vi meu tio Inácio tocando sanfona, me encantei pelo instrumento e decidi aprendê-lo.

PN – Quem mais lhe influenciou na sua formação artística?

DA – A cultura nordestina é apaixonante, rica e inspiradora. Esta paixão e inspiração somada ao incentivo e apoio da minha família são essenciais para a minha formação artística. A genética também ajudou bastante, pois cresci ouvindo as histórias e canções do meu tio Luiz Jacinto, o “Coroné Ludugero”.

PN – Além de compor, você canta. O que significa cantar para você?

DA – Eu acredito muito no poder da arte. Cantar pra mim é a melhor forma de expressar tudo aquilo que eu acredito. Posso chegar a qualquer lugar do mundo, a qualquer pessoa e mostrar minha verdade, minha cultura, minhas raízes, meu cotidiano, minha história, não só cantando, mas também compondo e tocando a sanfona, instrumento que escolhi para compartilhar todos estes momentos.

PN – No seu segmento artístico, relate as maiores dificuldades que enfrenta. E o que tem feito para buscar superá-las.

DA – A maior dificuldade de qualquer artista que faz um trabalho cultural é conseguir ser valorizado, não só financeiramente, mas também estruturalmente, moralmente, socialmente e comercialmente. A grande maioria das festividades tem como base o contexto cultural, pois o nosso calendário de eventos está fundamentado e baseado na cultura, porém ela não tem espaço, ou, quando tem, se torna apenas um detalhe quase sempre imperceptível. Tento mostrar em meu trabalho a nossa cultura com uma linguagem que o grande público entenda, de forma moderna, jovem, atual, simples e sem perder a essência.

Uma outra dificuldade é conseguir uma visibilidade ampla do trabalho, e é neste caso que ressalto a grande importância das redes sociais e plataformas digitais, e procuro utilizar estas ferramentas da melhor forma para levar a minha música ao máximo de pessoas.

PN – Qual sua opinião sobre o momento atual que o país vive?

DA – Politicamente é lamentável! Este extremismo, esta polaridade entranhada no povo brasileiro só piora ainda mais a situação. Acho importante e necessário haver opiniões diferentes, porém tem que existir o respeito com quem não tem a mesma opinião que a sua. Este respeito é raro. Hoje em dia existem muito mais torcedores partidários do que eleitores. Pensando desta forma TODOS se prejudicam.

Culturalmente acho que poderia haver uma maior valorização dos artistas e grupos culturais.

PN – Para concluir, deixe uma mensagem para os leitores da coluna.

DA – Quero agradecer a Paulo Nailson pelo espaço, agradecer a todos os leitores da coluna pela atenção e pedir para que eles não deixem nunca de valorizar a nossa cultura, nossas tradições, raízes, essência, história! Gostaria de pedir para que conheçam não só o meu trabalho, mas também de todos os que fazem parte da nova geração da música popular nordestina. A cultura depende da política e vice-versa, elas podem e devem falar a mesma língua e precisam ser encaradas com seriedade e respeito.

VAMOS REFLETIR COM A MÚSICA DE DUDÚ

Dudú do Acordeon2
Dudú do Acordeon

Uma de suas composições, “Deus é Brasileiro”, nos leva a refletir e agir, a partir de nosso exemplo, para possibilitar uma relação mais saudável uns com os outros. Confira:

Todo mundo diz que Deus brasileiro

Então vamos! meu povo plantar paz no mundo inteiro

Tirar do coração o mal, a raiva, a angústia e a dor

Vamos plantar bondade, pra depois colher o amor

Eu faço a minha parte, cantando o meu forró

Um xotezinho do bem, não tem coisa melhor

Então venha comigo abra o coração

Chame seu amigo, e cante esta canção

Valorize a vida, tenha esperança

Saiba perdoar, esquecer a vingança

Faça com que o sonho, torne-se real

Concretize o mito da paz mundial.

Paulo Nailson -Banner Rodapé da Coluna

1 comentário
  1. Severino Diz

    Muito bom, precisamos de mais pessoas valorizando e divulgando a nossa Cultura!!! Parabéns!!!

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