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Coluna Cultura e Política – RASGA CORAÇÃO – Por Paulo Nailson

Paulo Nailson-Cabeçário-Jornal-de-Caruaru

Nesta quarta, 9, há 40 anos, um espetáculo voltava a ser encenado após sua proibição pela censura em 1974: Rasga Coração, de Oduvaldo Viana Filho.

RASGA CORAÇÃO

Considerada uma das mais belas e fascinantes obras-primas do teatro brasileiro, Rasga Coração é Rasga Coração conta a história de Manguari Pistolão (Marco Ricca), militante anônimo, que depois de quarenta anos de lutas vê o filho Luca (Chay Suede) acusá-lo de conservador. Sem dinheiro para fechar o mês, sofrendo com as dores de uma artrite crônica, e num crescente conflito com Luca, Manguari passa em revista seu passado, e se vê repetindo as mesmas atitudes de seu pai. Intercalando fragmentos de vários momentos da vida de Manguari. Além de espetáculo teatral e obra literária, também virou filme num enredo que atravessa quarenta anos da vida política brasileira.

“Vianninha” teve na década de 70 sua obra além de censurada a encenação e publicação foram proibidas e mesmo assim recebeu primeiro prêmio no concurso do SNT, por unanimidade da banca, sendo liberada pela Censura apenas cinco anos depois.

Teatrólogo brasileiro nascido no Rio de Janeiro, RJ, um dos fundadores do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes – UNE, e do Grupo Opinião. Filho do teatrólogo, radialista e cineasta Oduvaldo Viana, iniciou o curso de arquitetura em São Paulo, SP, mas abandonou os estudos para se dedicar ao teatro e desde então participou dos mais importantes grupos de teatro da época, como o Teatro Paulista do Estudante (1954-1955).

Teve sua estreia no teatro (1955), atuando como ator na peça Rua da Igreja, de Lennox Robinson, e fundou um curso de teatro com Gianfrancesco Guarnieri (1956) e participou do Teatro de Arena (1955-1960). Criou o Seminário de Dramaturgia (1957), com Augusto Boal, e no mesmo ano, escreveu sua primeira peça, Chapetuba Futebol Clube. Voltou em definitivo para o Rio de Janeiro (1960), criou o Centro Popular de Cultura da UNE (1960-1963) e se destacou como um autor de peças de análise da realidade político-social brasileira e de crítica à sociedade de consumo.

Também trabalhou como ator de teatro e cinema e, como autor de televisão, onde fez grande sucesso com a série humorística A grande família, na Rede Globo de Televisão (1973), com Armando Costa. Ganhou o Prêmio Molière (1966) e o prêmio do Serviço Nacional de Teatro (1975). Entre suas peças citam-se Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come (1966), Mão na Luva (1966), Papa Highirte (1968), A longa noite de cristal (1971), Corpo a corpo (1971), Em família (1972), Allegro desbum (1973) e Rasga coração (1974), sua última peça, concluída no leito de morte.

Muitas de suas peças são proibidas pela censura do regime militar (1964) e morreu no Rio de Janeiro em 16 de Julho (1974). Viveu apenas 38 anos, tempo suficiente para ser reconhecido como um dos maiores nomes da história da dramaturgia brasileira, mas não viu encenadas duas de suas principais peças, vetadas pela censura: as postumamente premiadas Papa Highirte (1968), só é montada onze anos depois, e Rasga Coração (1974), imediatamente censurada.

O filme “Rasga Coração” está disponível nas plataformas on demand NOW, Vivo e Oi Play. O longa-metragem dirigido por Jorge Furtado estreou nas salas comerciais brasileiras em dezembro do ano passado.

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