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Crônica do Dia – Pelúcia – Por Whisner Fraga

Whisner Fraga
Whisner Fraga

a menina boceja um derradeiro esforço.

pede para levar a gata.

pede para que a acompanhem.

um fantasma treme na cortina do quarto.

as sombras arranham a janela com um timbre de ventos.

a menina pastoreia essa agitação.

pede para que alguém lhe ensine o sono.

o sono, menina, é um abismo eclodindo.

um eco de folhas perambula pela casa.

nunca mais faz frio nessa noite enferma.

mil toneladas de medo rasgam as fissuras da noite e escapam até as mãos de fantasmas itinerantes, que denunciam a morte.

a menina não acusa ninguém,

ela apenas repete que culpa eu tenho?, que culpa eu tenho?,

a menina embala a gata no colo e já a liberta,

e diz posso levar o cachorro então?,

e o cachorro é apenas pelúcia,

apenas pelúcia.

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