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Coluna Cultura e Política – Movimento pela Ética na Política – Por Paulo Nailson

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O Presidente Fernando Collor de Mello foi o primeiro civil eleito diretamente pelo voto popular, depois do golpe militar de 1964. Também foi o primeiro a ser julgado e condenado por Crime de Responsabilidade, sendo portanto o primeiro Presidente da República a sofrer o processo de impeachment. Por isso, sofreu pena de suspensão de direitos políticos por 8 anos, tornando-se inelegível para qualquer função pública durante esse período.

O país mergulhava numa crise de recessão e alta inflação um pouco mais depois dele tomar posse, em 1990. O plano implantado por ele fracassou. O governo repleto de denúncias de corrupção envolvendo ministros e funcionários de alto escalão da República. Até sua esposa foi envolvida em acusações de malversação de dinheiro público e de favorecimento ilícito de parentes. Na sequência veio Pedro de Mello em entrevista à revista Veja, denunciando um esquema de corrupção liderado pelo tesoureiro da campanha de Collor. Na sequencia o Congresso instalou uma Comissão Parlamentar de Inquérito que terminaria por recomendar o impeachment de Collor.

Neste cenário surgiu o Movimento pela Ética na Política, que nasceu de um pequeno grupo de pessoas. Segundo Betinho, “a princípio, ninguém acreditava em nossas chances de sucesso: nem o mundo político nem a mídia. Collor havia sido eleito por 35 milhões de votos. Nós nos contentamos em afirmar que a corrupção era inadmissível”.

Herbert de Souza, o Betinho
Herbert de Souza, o Betinho

Juntos, sindicalistas, universitários, militantes de partidos, pessoal das ONGs. A iniciativa partiu de uma proposta do deputado federal José Carlos Sabóia, do PSB do Maranhão, numa das reuniões mensais promovidas por uma ONG (INESC) com parlamentares progressistas. O deputado queixou-se do isolamento dos parlamentares democráticos no Congresso e sugeriu que o INESC convidasse a OAB, a CNBB, o IBASE e algumas personalidades políticas para discutirem a questão.

Era 9 de maio de 1992, veio a se realizar depois uma “Vigília pela Ética na Política”, que de fato aconteceu no auditório Petrônio Portella no Senado Federal, reunindo 183 entidades, 70 parlamentares e mais de 1.000 pessoas. No evento, foi lida uma Declaração ao Povo. E no dia 13 de julho do mesmo ano era lançado o documento “Ética na Política”.

O Movimento pela Ética na Política cresceu, chegando a reunir aproximadamente 900 entidades em coalizão. O resto todos já sabem. Com a abertura do processo de impeachment Collor renunciou, teve seus direitos políticos cassados e hoje novamente eleito pelo povo está de mandato de senador até 2023.

Já passaram-se quase 30 anos… Fatos como esse nos deixaram muitas lições, entre elas a de que apesar dos avanços e retrocessos históricos, a ética na política é o caminho e condição da democratização em qualquer lugar do mundo.

A POLÍTICA E OS EXTREMOS

O jornalista Cláudio Bojunga torna público em seu livro JK – A POLÍTICA COMO A ARTE DE CONCILIAR algumas confissões do ex-presidente JK. Ele cita Carlos Lacerda, grande opositor e conhecido como “DEMOLIDOR de presidentes”. Ao contrário de Lacerda, temos os “conciliadores”, aqueles que entendem a política como a arte de negociar.

Juscelino representava a essência do “político mineiro”, habilidoso, CONCILIADOR, articulador capaz de aparar arestas e conviver com adversários que via como potenciais aliados.

No cenário de guerra político-parlamentar, sem armas porém igualmente violenta, JK colocaria em prática sua concepção da política como a arte de transformar adversários de hoje em aliados de amanhã. Construindo pontes de entendimento com correntes udenistas, para ter sucesso na aprovação de seus projetos no Congresso. Ao mesmo tempo em que isolava politicamente os ruidosos parlamentares oposicionistas.

Pouco depois do golpe de 64, a chamada “Frente Ampla” foi lançada oficialmente por um manifesto, divulgado em 27 de outubro de l966, assinado por João Goulart, o Jango, Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda, sendo esses três últimos as principais lideranças dos maiores partidos anteriores a 1964: o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), o Partido Social Democrata (PSD) e a União Democrática Nacional (UDN). Os partidos comunistas (PCB e PCdoB) haviam sido postos na ilegalidade desde 1947.

A “Frente” lança um manifesto que proclamava: “Se para a recomendação e adoção de tais diretrizes o simples amor ao Brasil é capaz de inspirar este entendimento entre adversários, de prodígios bem maiores será capaz o povo mobilizado e organizado, uma vez recuperada a esperança que perdeu. … Pela união popular para libertar, democratizar e desenvolver o Brasil”. Ainda que por um breve tempo, JK e Lacerda estiveram juntos nesta Frente Ampla. Depois veio o AI-5 revertendo isso tudo.

Anos depois o CONCILIADOR e o DEMOLIDOR morrem ambos de forma suspeita. Tão perto da chamada abertura política, que poderia ainda brindar o país com a convivência de ambos, deixando o exemplo de ser possível haver convergência em meio a divergências.

O passado histórico nos possibilita isso: evitar cometer os mesmos erros no presente. A arte da negociação é um processo longo, exige calma e autocontrole. Ouve-se mais e fala-se menos, com objetivo de entender e não para rebater. O respeito predomina e sempre que possível busca-se conselhos antes de tomar a decisão.

FELIZ DE QUEM LUTA PELO BEM COMUM

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos.” Mateus 5:6

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