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Coluna Cultura e Política – Pode alguma coisa boa vir de Nazaré? – Por Paulo Nailson

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Nazaré era uma pequena aldeia. Há arqueólogos que afirmam que ela tinha não mais de 150 habitantes. Jesus viveu sua infância e juventude com seus pais lá. Registra-se no livro de João, cap. 1:36, Natanael fica sabendo que Felipe e outros haviam encontrado o Messias e pergunta com certa decepção: “Pode alguma coisa boa vir de Nazaré?”

Em Lucas cap. 4:16-30 registra-se Jesus sofrendo rejeição e sendo expulso (de sua própria terra).

Esse mesmo Jesus que encontra a Palestina transformada em colônia e dominada pelos Romanos, que tirava do povo seus bens econômicos, através de impostos, um meio de exploração. Naquela época a exploração ocorria nos impostos, que literalmente esmagavam o povo.

Pintura de Rembrandt - Jesus expulsa os vendilhões do Templo.
Pintura de Rembrandt: Jesus expulsa os vendilhões do Templo.

O filho de um carpinteiro do interior, e que também exercia esta profissão. Uma atividade muito explorada e desprestigiada na época. O Latifúndio predominava, pois a propriedade da terra na palestina, Judéia, Samaria, Galiléia, estava concentrada nas mãos de pouca gente, sendo a terra a riqueza principal, e a atitude de Cristo em relação à riqueza (não dinheiro e sim concentração) é critica. Ele vê que a propriedade da terra está muito concentrada e propõe a partilha (narra isso em muitas parábolas). Aqueles que se dizem seus seguidores (discípulos) têm de partilhar os bens, têm de entrar numa economia de dividir, não de acumular.

Os sistemas de impostos eram dois: O romano (Debário, Produção e Circulação) e o religioso (Judaico: Dracma, Primícias e Dízimo).

Não havia dicotomia entre religião e política. A Igreja judaica era a sede do poder político, e o sumo sacerdote, o governante da nação. Então qualquer comportamento irreligioso era subversivo. Quando Cristo, por exemplo, cura num sá­bado e não observa as tradições, ele não estaria ten­do um comportamento antipolítico?

Vemos o quanto ele rompia com a ordem social porque para fazer política bastava praticar religião de uma outra maneira. Isso era política de oposição. Um aspecto interessante era o cultural, onde destacavam-se o Legalismo e o Messianismo.

E os partidos políticos?

Existiam três partidos políticos principais: Saduceus, a classe rica, o alto clero, os proprietários de terra (anciãos) totalmente pró-roma; Fariseus: classe média ascendente (os fariseus e os escribas controlavam a interpretação da Bíblia. Como saber é poder, eles estavam subindo na sociedade e adquirindo bas­tante postos no Sinédrio, dentro do governo Judeu). Eram os intelectuais do templo, advogados, copistas e teólogos. Fazia uma resistência pacifi­ca; Zelotas: rompe com os romanos e adota a prática da guerrilha, violência ar­mada; Outros paridos menores como os essênios, heroditas etc, e ainda o “povilhéu”, um povo sem organizações populares de base e que estava mais sob a dominação dos saduceus e dos fariseus.

E Jesus, pertencia a um desses partidos?

Não. Não tinha programa político definido, como o tinham os Zelotes, os Saduceus e os Fariseus. Ele também não fundou uma corrente política que visasse diretamente o poder.

Sua base social eram os oprimidos e marginalizados daquela sociedade. Tem postura critica frente aos poderosos. Combatia os Escribas, Fariseus, os Sumo Sacerdotes e os Saduceus, bota pra correr os vendilhões do Templo, e declara o fim do Templo (sistema da época). Amaldiçoa a figueira, símbolo do sistema Judaico. Vindo após isso a ser levado ao tribunal, e condenado a morte na cruz.

Cristo foi um revolucionário profético. Ele veio implantar seu reino (valores e princípios de vida) e quem n’Ele crer e o segue além de vida eterna (aponta para o futuro) ganha uma nova cosmovisão de mundo. Em consequência, desenvolve relação familiar com Ele, amando-o e adorando-o em ações práticas enquanto no mundo.

A busca por uma sociedade mais justa começa com esta visão cristã que ao contrário do que muita gente pensa não aliena, antes nos torna mais conscientes e responsáveis no cuidado do planeta e nas relações com o próximo. Em vez do confronto e do ódio apostamos na confissão dos erros e na prática do perdão e no amor que se manifesta em ações na vida do outro.

Busco continuadamente entender e conhecer esse homem-Deus. Exemplo e inspiração de vida para mim, como para muitos. E o faço pensando como entendê-lo no contexto sócio-político de sua época, suas ações e reações, e seu comportamento dentro da sociedade de seu tempo. A Salvação (acontecida no passado) me alcança por sua Graça no presente e enquanto o futuro não chega (eternidade com Ele) me leva a agir no aqui e agora e não no além. Enquanto aqui estou, com todas as limitações e inquietações que por vezes me visitam.

Como Ele se sentiria vivendo nesse contexto que estamos hoje no Brasil? Como Ele reagiria diante dos que estão no poder? Como seria seu olhar sobre os que em seu nome lideram seu povo? Por onde estaria andando e que lugares visitaria com mais frequência? Como se daria sua conduta diante de injustiçados, pobres, minorias, escravizados, presidiários, doentes, discriminados, desempregados, desamparados, … Como?

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1 comentário
  1. Cortez Diz

    Que reflexão esse texto me trouxe , obrigado meu amigo.

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