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Coluna Cultura e Política Entrevista: Leo Bulhões: “Dei minha palavra e vou cumpri-la.” – Por Paulo Nailson

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Iniciamos hoje aqui na coluna uma série de entrevistas com lideranças políticas da cidade. geralmente no final de cada ano preparamos entrevistas especiais, com personalidades da arte e cultura. Agora, antecedendo ano eleitoral, conversamos com dirigentes de partidos e também parlamentares com mandato.

No domingo 8 de setembro, filiados ao Partido dos Trabalhadores elegeram Leo Bulhões para conduzir o PT no município pelos próximos quatro anos. Ele é assessor do vereador Daniel Finizola (PT), venceu o PED (Processo de Eleições Diretas) com 375 dos 586 votantes. Ex-Secretário de Participação Social na gestão de Queiroz, compõe a coordenação do coletivo PT Militante e uma de suas falas na época da campanha já deixava muito claro sua determinação em encaminhar as ações do partido: “Ou a gente renova o PT ou ele se acaba. Velhos dirigentes com velhas práticas fazendo velha política não cabe mais no PT que eu e muitos que caminham comigo acreditam. É preciso um partido que defenda a classe trabalhadora.”

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Leo Bulhões

Leo tem 43 anos, natural de Recife, “mas escolhi Caruaru para criar meu filho Arthur e fortalecer a minha família com minha esposa Ana Paula”, faz questão de frisar. Cursou Ciências Sociais na UFPE onde fez movimento estudantil, presidiu o DCE UFPE, dirigiu a UNE e enquanto gestor cuidou de planejamentos tanto na prefeitura do Recife como na Secretaria de Cultura do Governo de Pernambuco.

Paulo Nailson – O Partido está caminhando para celebrar em fevereiro do próximo ano 40 anos. Qual (ou quais) a diferença do PT da época de fundação para o PT dos dias atuais?

Léo Bulhões – Todos os partidos com essa idade precisam mudar, porque as pessoas mudaram. Para o PT o desafio é ainda maior porque o mundo do trabalho mudou, o capitalismo se transforma e os modos de exploração do trabalho estão mais sofisticados, o que só aumenta o drama de quem precisa trabalhar. O desafio do PT é não se burocratizar ao se comprometer na construção de gestões, em especial no executivo, e manter a chama e os princípios dos que defendem uma sociedade mais justa social e economicamente. Talvez a maior mudança e desafio é entender que a forma de se comunicar com o povo mudou e não basta mais megafones e carros de som, é preciso melhorar a comunicação e as redes sociais precisam ser melhor exploradas, nisso o PT e sua militância precisa rapidamente entender e se adaptar para não ser um partido que fala uma língua diferente do povo. Um exemplo positivo? Lula usa Twitter, gente! Ele tem entendido que é preciso mudar a forma, os meios.

PN – Cobra-se muito do PT em relação ao período em que esteve no comando do país, principalmente nos últimos anos, responsabilizando-o pelas dificuldades que a nação passa. Mas eu sempre pensei que o PT chegou a presidência e não ao poder, ou seja, de fato, não era fácil implantar um governo democrático-popular naquela conjuntura e alianças. Qual sua opinião sobre isso? Porque o partido não conseguiu fazer as reformas necessárias e avançar mais no que sempre defendeu?

LB – A pergunta praticamente responde tudo. Uma coisa são as ideias que um partido defende, a outra é uma construção política com diversos partidos que se unem para conquistar um objetivo e que ainda terá que administrar vontades e cobranças de um congresso nacional também muito diverso. Nenhum partido conseguirá, no atual modelo político, implementar aquilo que deseja sem alterações ou concessões. Sendo mais claro: ou as pessoas entendem que votar no Lula e votar pra deputado anti-PT, por exemplo, só atrapalha ou vamos continuar tendo enormes dificuldades.

PN – Com todos os revés que tem sofrido, quais os fatores que fazem o PT continuar sendo um grande partido nacionalmente?

LB – O que faz o partido ser essa potência eleitoral é a sua relação com o povo pobre e trabalhador, Paulo. Essa gente reconhece o esforço de quem faz política pelo PT em defender os interesses de quem mais precisa. Petista vai nas comunidades e fala a língua do povo, não é artificial, sindicalista fala pra trabalhador sem forçar e sem inventar. E o povo reconhece que é o PT quem mais fez pelo povo, principalmente no Nordeste que era esquecido, ignorado e que os políticos só lembravam do povo nordestino ou pra fazer piada ou pra buscar votos e se perpetuarem no poder.

PN – No contexto estadual, havia uma polarização na liderança do partido entre dois nomes: João Paulo e Humberto Costa, João agora é PCdoB, há espaços para surgimento de outras lideranças que se destaquem?

LB – Existe uma nova geração de petistas, críticos aos erros cometidos, mas conscientes de que o PT acertou muito mais e fez muito mais pelo povo. Essa geração de João Paulo foi vencedora. Penso que o PT tem novas e excelentes figuras que assumirão em breve esses espaços, entre essas figuras enxergo o nosso competentíssimo vereador Daniel Finizola, os vereadores Gilmar em Petrolina e Bruno Galvão em Belo Jardim e os deputados federais Carlos Veras e Marília Arraes. Não tenho dúvidas que esse time vai dar muitas alegrias ao povo pernambucano e brasileiro. Qualquer um desses nomes tem capacidade de disputar cargos executivos daqui pra frente sem temer ou fazer vergonha a ninguém, muito pelo contrário, sugiro que a sociedade comece a acompanhar de perto essa turma boa que está surgindo.

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PN – Em 2020, além das comemorações dos 40 anos do PT, teremos novos dirigentes da legenda. O de Pernambuco inclusive já foi decidido, falta só o nacional. Qual sua perspectiva em relação a essa nova liderança para esse período tão importante, ao mesmo tempo cheios de desafios para esquerda no país?

LB – O grande desafio é buscar ao máximo unidades em torno de projetos democráticos e populares, colocar o povo no centro da política, é para o povo que os políticos deve governar e não ampliar privilégios para quem já tem tanto e diz que o Estado não é necessário. Ora, se não é porque tantos empresários disputam os governos e se aproveitam tanto de prefeituras, governos estaduais e federal? Penso que os novos dirigentes devem buscar isso, unidade pra vencer as eleições, mas com projetos claro e que garantam a participação e o suporte aos que mais precisam.

PN – Em relação ao PT Caruaru, sua vitória em parte foi uma surpresa, mas por outro lado o resultado foi bastante expressivo e principalmente muito comemorado. Faz tempo que não presenciamos algo semelhante aqui. Como você conseguiu agregar tantas lideranças e militantes (novas e antigas) e mais ainda, como conseguiu atrair os filiados numa fase que o PT estava muito combatido nacionalmente e praticamente desativado no município?

LB – Ouço essa expressão “surpresa” desde que cheguei aqui há 8 anos. Que seria uma surpresa se a Secretaria de Participação funcionasse e o OP desse resultado e fomos nacionalmente premiados mais de uma vez. Que seria surpresa eleger Daniel Finizola vereador e elegemos Daniel em 12º lugar de 23 possíveis na Câmara. Que seria uma surpresa vencer as eleições internas do PT. Ou seja… …quando é que as pessoas vão prestar atenção no que estamos construindo? Sinceramente não considero, e não é arrogância, é consciência e planejamento, quando digo que não é surpresa o resultado daquilo que construímos. A gente agregou porque fizemos um diálogo sincero e na política fazer diálogos e articulações com sinceridade e sem rodeios é algo raro, infelizmente. Claro que muito do que conquistamos se dá por uma chance que esses bravos militantes estão nos dando, acreditando que podemos fazer diferente daquilo que tínhamos, um completo abandono do partido e digo isso com uma profunda tristeza. O esforço é para que a gente construa juntos, os novos e experientes filiados, gente valorosa que não largou o PT mesmo nos momentos mais difíceis e eu respeito demais isso! A minha única promessa enquanto candidato a presidente era e continua sendo fazer com que os filiados e filiadas tenham orgulho do PT nesta cidade. Dei minha palavra e vou cumpri-la.

PN – Quais os principais desafios dessa direção (municipal) daqui para frente?

LB – É garantir a unidade interna, conter projetos individuais e buscar a compreensão de todos e todas de que o PT é um partido muito grande para pensamentos pequenos. Queremos apresentar pra sociedade a oportunidade para que essa gente trabalhadora de Caruaru tenha o PT como opção de projeto pra cidade, sabe? Ter uma Sede, construir lutas em defesa do povo trabalhador, fortalecer a Frente Brasil Popular e a luta das organizações sociais, ampliar a presença do PT na câmara e ajudar na construção de uma sociedade mais justa e tolerante são desafios que teremos que enfrentar todos os dias. Precisamos também ajudar no debate municipal, mostrar que a gestão atual tem sido desastrosa para o povo, fez promessas e enganou milhares de mães que votaram numa candidata que prometeu 8 mil novas vagas de creches, prometeu mudar a feira da sulanca de lugar, prometeu diálogo e inovação. A verdade é que Raquel Lyra ganhou as eleições mas não cumpriu com suas promessas e o povo tá cansado de gente que promete e não cumpre. De político que depois que ganha muda e deixa o povo desesperado. Esse também é um desafio, mostrar ao povo que a prefeitura prefere gastar milhares de reais em propaganda e placas e pouco pra cuidar de ambulantes, Mototaxistas, agentes de saúde, professores e tantas outras categorias que não são bem acolhidas em suas propostas.

Se cada diretor e diretora do PT defender a classe trabalhadora no seu cotidiano, já teremos a melhor direção da história do Partido dos Trabalhadores em Caruaru, acredite! Eu acredito no nosso time! Eu acredito na renovação no PT.

Na próxima semana, o entrevistado é Henrique Oliveira, presidente do PSDB de Caruaru. Até lá, uma boa semana!
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1 comentário
  1. Manoel Tobias Mayrinck Diz

    Excelente entrevista. O companheiro Léo Bulhões demonstra maturidade política, quando assumi o papel do diálogo franco, tanto internamente, como com toda a sociedade caruaruense. O PT que busca renovar-se está no caminho certo. Será interferente na luta por uma Caruaru/PE com desenvolvimento e inclusão de sua gente.

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