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Longa pernambucano ‘Piedade’ tem pré-estreia gratuita no Dia do Cinema Brasileiro

CENA DE 'PIEDADE', DE CLÁUDIO ASSIS - FOTO: DIVULGAÇÃO
CENA DE ‘PIEDADE’, DE CLÁUDIO ASSIS – FOTO: DIVULGAÇÃO

Dizem os relatos que em 19 de junho de 1898, Afonso Segreto chegava ao Brasil depois de uma temporada na França, portando uma câmera usando-a para “tomar uma vista” da Baía de Guanabara. A filmagem passou anos sendo considerada a primeira do cinema nacional, mas há controvérsias na história. Afonso era o irmão mais novo de Paschoal Segretto, um dos empresários pioneiros no ramo do cinema no país, que por sua vez teve uma sociedade com José da Cunha Sales. Este último havia filmado uma cena litorânea no Rio de Janeiro um anos antes. A questão levou a um imbróglio de patentes e de discussão historiográfica sobre a origem do cinema brasileiro.

O perfil de malfeitor de Cunha Sales, dono de uma lista de contravenções penais, acabou por não beneficiar sua imagem e a data da filmagem de Segretto acabou sendo considerada o Dia do Cinema Brasileiro que, apesar das disputas com outras datas, é considerada a oficial pela Agência Nacional do Cinema (Ancine). Infelizmente, a celebração deste ano não poderá acontecer pelas salas de cinema do país, mas iniciativas virtuais não deixam o dia passar batido.

O Espaço Itaú de Cinemas, com salas fechadas em seis capitais, vai trazer relevantes pré-estreias para o projeto Espaço Itaú Play (http://www.itaucinemas.com.br/espacoitauplay/), com obras de peso que ganhariam os cinemas este ano, em um mundo sem coronavírus. Coube a Pernambuco dar o pontapé inicial nessa maratona com o aguardado Piedade, de Claudio Assis, diretor de obras como Amarelo Manga e Febre do Rato. O longa será o único a ficar por três dias na plataforma e também contará com exibição gratuita durante toda a sexta. Nos dias restantes, ele poderá ser assistido por R$ 10, com 20% do valor sendo destinado à Associação Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais (APRO). O valor é o mesmo para os filmes seguintes, que ficarão disponíveis por 48h.

Piedade estreou no Festival de Brasília do ano passado e foi bem recebido. Seu elenco conta com nomes como Fernanda Montenegro, Matheus Nachtergaele, Cauã Reymond e Irandhir Santos. Suas filmagens foram realizadas no Porto de Suape e na Praia do Paiva, no Litoral Sul do Estado, como também no Recife. Ambientado em uma cidade fictícia que dá nome ao filme, a obra é considerada uma das mais pessoais de um cinema que já vem sendo muito pessoal há anos, como é o de Assis. A trama concilia contornos afetivos e ecológicos, com a chegada de uma empresa petrolífera que abala a vida de famílias da região.

Outras obras nacionais de grande destaque na última temporada de festivais também ganham suas pré-estreias no serviço. É o caso de A Febre, de Maya Da-Rin, vencedora do último Festival de Brasília, assim como do Janela Internacional de Cinema do Recife. Pacarrete, vencedor do último Festival de Gramado, também dará as caras, trazendo a igualmente premiada Marcélia Cartaxo como protagonista. Outro aguardado é Três Verões, de Sandra Kogut, com Regina Casé no elenco e destaque em festivais como Toronto e Havana.

Completam a programação Mangueira em 2 Tempos (Ana Maria Magalhães), Dora e Gabriel (Ugo Giorgetti), Boni Bonita (Daniel Barosa), Música para Morrer de Amor (Rafael Gomes), Aos Olhos de Ernesto (Ana Luiza Azevedo) e Guerra de Algodão (Marília Hugues e Claudio Marques). Já entre os filmes vindos de fora, a seleção passa por países como Afeganistão, Turquia, Áustria, China, Estados Unidos, França e Alemanha. São títulos como Alice Guy-Blanché: A História Não Contada da Primeira Cineasta do Mundo, sobre a diretora pioneira do início do século passado e Liberté, de Albert Serra, drama histórico premiada em Cannes.

DEBATE

'PIEDADE', DE CLÁUDIO ASSIS, TEM PRÉ-ESTREIA NESTA SEXTA-FEIRA - FOTO:DIVULGAÇÃO
‘PIEDADE’, DE CLÁUDIO ASSIS, TEM PRÉ-ESTREIA NESTA SEXTA-FEIRA – FOTO:DIVULGAÇÃO

Já o futuro próximo do cinema brasileiro é tema do debate promovido pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), trazendo o cineasta Camilo Cavalcante e o pesquisador André Dib, com mediação da jornalista Débora Nascimento. A situação do audiovisual pós-pandemia, além de seu momento atual, recheado de incertezas que vêm desde um período de turbulências no seio da Ancine até a paralisação do setor com a chegada do coronavírus. A conversa está marcada para às 17h30, no canal da Cepe.

André e Camilo tiveram trabalhos publicados recentemente pela Editora. O pesquisador lançou a coletânea Antologia da Crítica Pernambucana: Discursos sobre cinema na imprensa, organizado ao lado de Gabi Saegesse. O livro traz publicações de jornais que vão de 1924 até 1948, que carregam observações de jornalistas locais sobre o fazer cinema em dimensões regionais, nacionais e globais. Já Camilo publicou o roteiro de A História da Eternidade, seu poético e belíssimo filme lançado em 2014, uma das principais produções recentes da safra pernambucana.

 

Por: Rostand Tiago
Fonte: jc.ne10.uol

 

 

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