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Coluna Ponto a Ponto: COLABORA-DOR – Por Prof. Carlos Silva

Professor Carlos Silva
Professor Carlos Silva

O PRINCÍPIO DO FIM

A nossa relação com o trabalho começa desde cedo. Uma das primeiras perguntas que nos fazem quando somos crianças é “o que você quer ser quando crescer?”. A visão romantizada do que é o trabalho nos leva a responder aquilo que se sonha: astronauta, bailarina, bombeiro, médico. Na vida adulta, os caminhos que tomamos nem sempre são os que respondemos na nossa infância. No Brasil, o 1º de Maio foi declarado feriado em 1925, considerado um dia de luta, protestos e crítica social. Entretanto, o governo Vargas transformou o dia do trabalhador em dia do trabalho, esvaziando o seu conteúdo contestatório e o transformando em uma data de desfiles, celebrações e enaltecimento das políticas governamentais.

O Mercado Privado resolveu substituir a Palavra Trabalhador por Colaborador, tentando consolidar um adjetivo cuja intenção é descarar de vez a relação legal entre trabalhador e patrão, e isso tendo como pano de fundo um governo que foi “bancado” por esse mercado, diga-se de passagem um governo que tenta furar a fila da democracia e estabelecer uma espécie de monocracia. A perda do vínculo empregatício, a informalidade, a precarização e a uberização do trabalho têm ganhado cada vez mais espaço e agravando as relações de trabalho.

FAZENDO ESCOLA

Se o Governo Federal não copiar/colar o governo Lula, e de acordo com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre), a taxa de desemprego do Brasil poderá saltar de 11,6% para 16,1% nos próximos meses. Isso significa que 5 milhões de pessoas podem entrar na fila do desemprego em poucos meses, elevando de 12,3 milhões para 17 milhões o número de pessoas sem trabalho no país. “O IBGE coloca que 23% da população brasileira ocupada é trabalhador por conta própria, o que significa: VIRE-SE. Para o economista André Cunha, é preciso rediscutir a jornada de trabalho e a criação de renda universal, algo que está na agenda dos pesquisadores e do Banco Mundial. “Os empresários ‘ligados’ no futuro precisam pensar para além da produção, porque é preciso ter consumidores”.

CUIDADO COM A PORRADA

Com a situação de mercado comprometida devido à pandemia, em especial em países como o Brasil, o aumento da desigualdade e da pobreza é inevitável. Por outro lado, a pandemia pode servir como um grande laboratório para se testar novas relações de trabalho, novas tecnologias, sistemas mais eficientes e uma nova organização dos negócios. Em meio a tudo isso ainda tem questões de gênero e raça a ser discutida no Brasil.

A renda média mensal do brasileiro branco, seja ele trabalhador formal ou informal, é muito superior à do trabalhador negro. As mulheres negras, por sua vez, como resultado de uma dupla discriminação (de gênero e raça), apresentam uma situação de sistemática desvantagem em todos os principais indicadores sociais e de mercado de trabalho. A taxa de desemprego de mulheres e negros é sistematicamente superior à de homens e brancos e a taxa de desemprego das mulheres negras é quase o dobro da dos homens brancos.

No entanto, para o professor da Escola de Administração (EA) Cláudio Pinho Mazzilli, doutor em Science de Gestion e pesquisador sobre a qualidade de vida e sofrimento e prazer no trabalho, é necessário se manter animado, ter fé, coragem, força e ir à luta. “Neste momento todos estamos na mesma situação e o vírus nos coloca numa situação de luta pela vida”. Reflita sobre as suas escolhas, não importa se é pobre ou rico, se está em um país desenvolvido ou não, e dentro dessa escolha estará o seu critério ao votar, escolher seus representantes, a má escolha refletirá nas politicas públicas e nas prioridades a serem usadas por esses representantes, por que senão você estará arriscando levar uma porrada na cara, se fizer uma pergunta que não esteja dentro da agenda do presidente.

Referências: .FGV – Wikipédia

 

Sobre o autor:

Carlos Silva é Professor, Palestrante, cientista social, com graduação em Sociologia-UFPE, com especialização em Matriz agroecológica e Biossegurança, casado, residente em Caruaru-PE, autor de o livro O Despertar de Pangeia e comentarista social, como colaborador da Rádio Cultura do Nordeste no Programa Cultura Informa.

 

 

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