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Coluna Ponto a Ponto: GENOCÍDIO CULTURAL – Por Prof. Carlos Silva.

Professor Carlos Silva
Professor Carlos Silva

PERDIDOS NA FLORESTA

A preservação ambiental nunca foi uma posição defendida pelo atual governo federal, parece que para o presidente Jair Bolsonaro, o meio ambiente é apenas um espaço físico, um pedaço de terra que deve ser explorado comercialmente, desconhecendo totalmente a importância do meio ambiente na existência da vida no universo. Seguindo a mesma linha de posicionamento, o Vice- vice-presidente Hamilton Mourão defendeu que os povos indígenas do Brasil tenham direito a explorar as riquezas naturais das próprias terras, como a extração de metais e minerais preciosos, e usá-las para a agricultura e a pecuária, disse ainda que indígenas “vivem em terras ricas como mendigos”. Esse eco inconsequente reproduzindo apenas uma minoria de indígenas, demonstra total desconhecimento da forma de viver e produzir dos povos indígenas. Sobre essa ótica, a realidade é que o governo Bolsonaro, através do ministério do meio ambiente, vem tentando desconstruir popularmente a compreensão de que os povos indígenas querem viver preservando seus hábitos culturais e vivendo de acordo com sua forma de se relacionar com o seu meio ambiente.

Para se ter uma ideia o desmatamento na Amazônia cresceu 34,5% no acumulado de agosto de 2019 e julho de 2020 na comparação com o mesmo intervalo no biênio 2018/2019. Demonstrado pelo sistema Deter, que faz um levantamento de alertas de evidências de alteração da cobertura florestal na Amazônia, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Esse desmatamento na Amazônia em junho, equivale a 100 mil campos de futebol, ou seja, a nossa floresta perdeu 762,3 km² no mês, aumento de 60% sobre igual período de 2018.

BATENDO CABEÇA

Há nesse governo uma total desarmonia funcional entre os ministérios e as decisões do governo federal, isso ficou bem claro na posição do Ministério da Saúde e o Presidente da República com relação a Pandemia da Covid-19, e agora isso ficou claro entre as decisões do ministro do meio ambiente e o vice-presidente Hamilton Mourão, quando o Ministério do Meio Ambiente recuou da tentativa de alterar a meta de reduzir em 90% o desmatamento e os incêndios ilegais em todo o País, previsto no Plano Plurianual (PPA) do governo até 2023. O recuo foi informado pelo Ministério da Economia na noite desta terça-feira, Observe que, foi o Ministério da Economia que informou, mantendo assim a meta de reduzir em 90% as ações ilegais em todos os biomas. Nota-se aí uma torre de babel federal, ou uma tentativa de passar a boiada.

ANTES QUE SEJA TARDE

Na realidade os povos indígenas estão sendo ameaçados e sofrem todas as formas possíveis de violência e desrespeito a seus direitos fundamentais. São diretamente atingidos pelos incêndios florestais na Amazônia e ainda enfrentam grupos de garimpeiros e grileiros que declararam que vão “caçá-los”. Tudo isso, para poderem prosseguir com o desmatamento e posse ilegal de seus territórios. Ainda bem que uma parcela consciente da sociedade brasileira e internacional, estão unidas em defesa dos direitos dos povos indígenas e dos seus diversos projetos, que ajudam a garantir seus direitos, terras, modos de vida e tradições. São projetos que impactam positivamente milhares de pessoas. É com o apoio dessa parcela da sociedade que estão conseguindo impedir a violação inconstitucional dos direitos dos povos indígenas. Já basta a atitude inconsequente do governo federal que ajudou a desaparecer precocemente, 100 mil sorrisos, pela Pandemia da Covid-19, causada pelo Novocoronavírus.

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Referências: BrasildeFato – Estadão – Folha Uol.

 

Sobre o autor:

Carlos Silva é Professor, Palestrante, cientista social, com graduação em Sociologia-UFPE, com especialização em Matriz agroecológica e Biossegurança, casado, residente em Caruaru-PE, autor de o livro O Despertar de Pangeia e comentarista social, como colaborador da Rádio Cultura do Nordeste no Programa Cultura Informa.

 

 

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