Notícias de Caruaru e Região

Crônica do Dia – FUGIDINHA SALUTAR – Por Malude Maciel

Malude Maciel
Malude Maciel

Fugir ou não fugir, eis a questão. Sim; precisava sair, com vírus ou sem vírus, mas com a horrível máscara, era preciso fugir desse cárcere privado. Pois é, ninguém agüenta.

Fui ao centro, encontrei por acaso Yramaia Costa, uma amiga e Lioness, ali na linha férrea, no local do Giradouro Major Clementino, pertinho da Rua da Matriz. Foi um prazer, apesar de não podermos abraçar-nos, mas batemos um papinho legal.

Lamentamos a falta de reuniões e choramos a perda de três companheiras nesse semestre, às quais prestamos uma simples homenagem nesse momento: Maria de Lourdes Andrade Troeira, Maria de Lourdes Barros e Arlene Vieira. Não foi covid19 a causa, mas saudade não tem motivo, só é a falta.

É possível que outros tenham se adaptado à situação de isolamento social porque há o conformismo e obediência sem questionamento, talvez, mas, é aí que a ansiedade faz suas vítimas. O medo é capaz de paralisar até o raciocínio aparecendo sono e fraqueza e o organismo só pede cama, como se fosse um esconderijo. É cruel. Vi gente chorando apenas pelo nervosismo. Não é fácil para ninguém.

Entretanto não há comparação entre alguém, isolado na sua torre encantada onde nada falta em termos materiais e até espirituais e emocionais; enquanto outrem na sarjeta e na agonia, sem perspectiva, no desespero total. Ter dinheiro é importante essas horas. Os abonados sempre têm privilégios, não se engane. Apesar de que o vírus veio acabando com essas distinções, de alguma forma. Tanto ricos como pobres ainda estão sujeitos a contágios e até mortes, mas a gente sabe que a assistência médica é diferente, os tratamentos são urgentes e eficazes; as diferenças existem, sim.

Enquanto uma maioria ficou sem emprego, valendo-se de auxílios-emergenciais há quem simplesmente tirou “férias forçadas”, digamos assim.

Na última semana vimos bares cheios de clientes, sem proteção, vivendo a vida que pode está por um fio. Esses lugares sem necessidade preponderantes poderiam permanecer fechados por ordem superior. Há sempre uma incoerência nessas decisões governamentais, há algo nas entrelinhas.

O certo é que tem havido sofrimentos por uma doença desconhecida, um inimigo invisível e todo cuidado é pouco. Só a Providência Divina poderá nos livrar desse perigo. Tomara que Ela nos direcione nas próximas eleições pra elegermos gente do bem, altruísta e séria; que não nos iluda nem seja corrupta e cumpra seu dever.

Logo, logo chegam as famigeradas propagandas eleitorais que além de serem chatas são mentirosas e pagas com os recursos dos nossos impostos. Não têm nem o cuidado de dividir com justiça, o tempo do “Horário Eleitoral” igualmente pra cada candidato.

Será que mesmo encurralados por toda essa periculosidade, não deu prá reflexões e tomadas de posição em favor do bem estar do ser humano em geral? Acredito que cada pessoa teve seu tempo de meditar, pensar na vida, no seu papel no mundo.

Dizem que nada voltará a ser como antes da pandemia, mas tudo poderá ser melhor como nunca foi. Saúde para todos nós!

 

Sobre a autora:

Maria de Lourdes Sousa Maciel se tornou “Malude” porque seus irmãos não sabiam dizer seu nome completo, como sua mãe insistia. Se tornou poetisa, escritora (Reminiscências de Malude em Prosa e Versos foi seu segundo livro publicado. O primeiro livro publicado intitula-se : No Meu Caminho.) é membro da Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras – ACACCIL. Ocupa a Cadeira 15, que tem como patrono a Profa. Sinhazinha.

 

 

2 Comentários
  1. Zélia Monte Diz

    Boa crônica, Maluco!

  2. Victor Diz

    Excelente…creio que a mais aplaudida por mim, até então. Objetiva, crítica, reflexiva, emotiva e provocadora. Taí o que eu uma cronista e acadêmica precisa ter. Parabéns e fica minha agulhada para que novas pérolas como essa surjam.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.