Notícias de Caruaru e Região

Coluna Ponto a Ponto: DEPENDÊNCIA DO BRASIL – Por Prof. Carlos Silva

Professor Carlos Silva
Professor Carlos Silva

BANDEIRA PERDIDA

Temos observado que em todos os atos pró Presidente Jair Bolsonaro, a presença das bandeiras dos Estados Unidos e de Israel são uma constante. Desde o início de nossa república, e nos 30 anos de democracia nunca vimos nos governos brasileiros a presença das bandeiras desses países, de forma tão visualmente agressivas. Durante as eleições presidenciais um dos chavões dos eleitores do atual presidente, era que “nossa bandeira nunca será vermelha”, no entanto nossa bandeira tem perdido seu protagonismo presencial, fragilizando a nossa soberania simbólica representativa.

O Brasil como membro fundador das Nações Unidas, historicamente tem se comprometido com a solução pacífica de controvérsias, participando de operações de manutenção de paz. Conforme o artigo 4º da Constituição Federal, dentre os princípios que regem as relações internacionais do Brasil estão à defesa da paz, a solução pacífica de conflitos e a cooperação entre os povos para o progresso da humanidade. O Brasil já participou de mais de 50 operações de paz e missões similares, tendo contribuído com mais de 50 mil militares, policiais e civis. O país tem priorizado a participação em operações em países com os quais mantemos laços históricos e culturais mais próximos, como nas missões realizadas em Angola, Moçambique e Timor-Leste, e, mais recentemente, no Haiti e no Líbano. Atualmente, o Brasil participa com cerca de 275 efetivos em oito operações de paz das Nações Unidas (dados de fevereiro de 2019). Fonte: Ministério das Relações Exteriores.

UMA RELAÇÃO PERIGOSA

Esse estreitamento excessivo e quase submisso do atual governo para com os Estados Unidos e Israel contraria todo o histórico do Brasil nas relações internacionais, que sempre priorizou um discurso de parceria comercial, todavia de independência e soberania, caminhando sempre com um discurso de paz e conciliatório no momento de conflitos internacionais. No entanto, temos agora um estreitamento anticonstitucional com esses dois países que sempre mantiveram uma cultura de guerra. Em 1869 o grande romancista francês Gustave Flaubert escreveu a mais célebre definição das bandeiras: “Estão tão manchadas de barro e sangue que deveriam desaparecer de vez”. A performance internacional dos Estados Unidos e Israel tem se apresentado com uma cultura de guerra. Formalmente, os Estados Unidos não declaram guerra contra outro país desde 1941, quando o Congresso americano aprovou uma ofensiva contra o Japão durante a Segunda Guerra Mundial. todavia, forças americanas atuaram em dezenas de conflitos mundo afora e hoje estão envolvidas em pelo menos sete, nos quais muitas vezes se valem de veículos aéreos não tripulados (drones) para atacar seus alvos, causando muitas vezes morte de civis.

No caso de Israel, as guerras árabe-israelenses travam os conflitos entre Israel e as nações árabes ao longo do século XX. Esses conflitos iniciaram-se a partir da criação do Estado de Israel em 1948 e foram motivados pelo controle da Palestina. Ao todo, foram disputados quatro conflitos entre israelenses e as nações árabes e até hoje continua numa atitude de guerra. Esse estreitamento entre Brasil X Israel, com base também em princípios religiosos contraria os princípios da nossa cultual de paz, ficou evidente quando o presidente eleito, Jair Bolsonaro resolveu transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, representando uma guinada na política externa brasileira e colocando o Brasil ao lado de somente outros dois países – Estados Unidos e Guatemala – que adotaram medida semelhante.

UMA REFORMA CRIMINOSA

Pouco a pouco nossa bandeira começa a perder mais do que sua tonalidade, ou seja, o verde perde um pouco de sua esperança, o amarelo um pouco da sua atenção, azul perde um pouco da sua ternura e o branco fragiliza nossa paz. Basta ver o prejuízo social que a nação e o governo brasileiro terá sob a égide do Jair Bolsonaro ao apresentar uma Reforma Administrativa cujo objetivo maior é descontruir o estado de direito e jogar na sarjeta do capitalismo os trabalhadores(as) brasileiros. Pouco a pouco a nação se isola do progresso regredindo para a década de 30 numa demonstração clara, de subserviência americana tornando-se um mero figurante internacional.

Referências: .FGV – Wikipédia

Sobre o autor:

Carlos Silva é Professor, Palestrante, cientista social, com graduação em Sociologia-UFPE, com especialização em Matriz agroecológica e Biossegurança, casado, residente em Caruaru-PE, autor de o livro O Despertar de Pangeia e comentarista social, como colaborador da Rádio Cultura do Nordeste no Programa Cultura Informa.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.