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Coluna Ponto a Ponto: E O FOGO SE FEZ PRESIDENTE E HABITOU ENTRE NÓS – Por Prof. Carlos Silva

Professor Carlos Silva
Professor Carlos Silva

O PASSADO NO PRESENTE…

O Presidente Jair Bolsonaro, em suas diversas colocações, diga-se de passagem, sem nenhum fundamento científico, tudo na base do achismo, sempre colocou a questão ambiental como obstáculo ao desenvolvimento econômico. Em um dos seus momentos de queimada cognitiva, durante a campanha ele disse que iria extinguir o “Ministério do Meio Ambiente e integrá-lo ao Ministério da Agricultura. Acabar com o “ativismo ambiental xiita” no País. Acabar com a “indústria de demarcação de terras indígenas”. Explorar economicamente a Amazônia. Tirar o Brasil do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas”. Depois desse incentivo não é atoa que A Polícia Federal, apura a atuação de cinco fazendeiros na contribuição do início das queimadas que em 2020, já consumiram no Pantanal mais de 2,3 milhões de hectares, sendo 1,2 milhão em Mato Grosso e mais de 1 milhão em Mato Grosso do Sul. Dados do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos incêndios florestais do IBAMA. “Um dos suspeitos foi preso em flagrante, em casa, por posse irregular de arma de fogo e munição. Intitulada de Operação Matáá, a ação, que na língua guató significa fogo, teve início na última segunda-feira (14/09) com a finalidade de cumprir 10 mandados de busca e apreensão e apurar quem contribuiu para início do incêndio”.

ENCHENDO O SACO…

Segundo o Presidente, então candidato na época, comentou que “Não podemos continuar admitindo uma fiscalização xiita por parte do ICMBio e do Ibama, prejudicando quem quer produzir”, afirmou na ocasião, “Ibama enche o saco”, aí foi a deixa para que o pavio do crime ambiental fosse acesso. Desde meados dos anos 2000, há dezenas de pesquisas acadêmicas mostrando a relação entre preço do boi e da soja e devastação na Amazônia. Entre 2010 e 2012, mesmo com esses produtos em alta, o desmate diminuiu depois que o governo da época começou a barrar o crédito rural a criminosos ambientais”, afirmação feita pelo engenheiro florestal Paulo Barreto, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que estuda a relação de commodities e desmatamento há cerca de 20 anos.

PARAÍSO QUASE PERDIDO…

Para se ter uma ideia a região em risco tem mais de 30 mil espécies vegetais, 100 mil de animais e 20 milhões de pessoas. Além da riqueza da diversidade biológica e cultural de biodiversidade, ela tem o poder de influenciar o clima, com efeitos não somente locais, mas também sobre a América Latina e todo planeta. Por isso, conservar a Amazônia pode ser compromisso até de quem mora bem longe dela. As áreas florestais melhor conservadas são habitadas por comunidades indígenas e locais. Esses grupos protegem 80% da biodiversidade do mundo.

O QUINTO ELEMENTO…

Nos locais onde vivem, estão 70% dos produtos que poderiam garantir a segurança alimentar da população mundial e 33% das florestas do planeta. Os dados são da Coalizão Guardiões da Floresta. É necessário fazer eco da voz dessas comunidades e mostrar que é preciso fazer o mundo reconhecer a luta desses indivíduos e agradecer o papel que elas exercem na conservação das florestas. “Não é porque a Amazônia está longe de algumas regiões do país que não faz parte da nossa vida. As florestas, em geral, absorvem por ano cerca de 2 bilhões de toneladas de gás carbônico. Um dos efeitos do desmatamento é o aumento da presença de gases do efeito estufa (GEE) na atmosfera. “Isso pode implicar em cidades mais quentes, prejudicar a produção agrícola ou mesmo produzir cortinas de fumaça em várias cidades como vimos em Roraima, São Paulo e Bogotá recentemente, como um dos efeitos das queimadas”. O presidente Jair Bolsonaro tem minimizado as queimadas, como fez com a pandemia da Covid-19 que nos tirou mais de 135 Mil pessoas. Ou o Brasil toma uma atitude constitucional séria contra esse genocídio ambiental, ou a boiada Passará, senão, “passarás, passarás, mas algum há de ficar, se não for o da frente tem que ser o lá de trás”.

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Referências: http://www.ihu.unisinos.br – Correio Braziliense

Sobre o autor:

Carlos Silva é Professor, Palestrante, cientista social, com graduação em Sociologia-UFPE, com especialização em Matriz agroecológica e Biossegurança, casado, residente em Caruaru-PE, autor de o livro O Despertar de Pangeia e comentarista social, como colaborador da Rádio Cultura do Nordeste no Programa Cultura Informa.

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