Notícias de Caruaru e Região

Crônica do Dia – BICHO PAPÃO – Por Malude Maciel

Na foto: A escritora Caruaruense Malude Maciel
Malude Maciel

Ai! Que medo sentia quando falavam no “bicho papão”.

Quem é da minha geração sabe disso. Cada um imaginava o que fosse o bicho papão, mas sabia que não era coisa boa. Para as crianças ficarem boazinhas, comerem e atenderem aos apelos dos adultos evocavam essa figura lendária que viria levar os travessos num saco que ele carregava nas costas. Tudo folclórico!

O Folclore brasileiro é rico em personagens fantásticas que até ganharam forma através de escritores como Monteiro Lobato que deu vida à Cuca, o Saci Pererê, D. Benta, etc.

Os africanos trouxeram consigo ampla bagagem do seu folclore que incorporou-se a outras regionalidades nativas, portuguesas e das demais raças que habitam nosso país.

As negras eram quem cuidavam dos filhos da “casa grande”, inclusive os amamentavam com seu próprio leite e assim, criou-se um convívio íntimo onde eram transmitidos diversos hábitos, costumes e maneiras de ser através de canções, histórias e naturalmente o folclore daquele povo. As criadas eram tão carinhosas que os meninos se apegavam e gravavam tudo que lhes contavam. Um exemplo disso é visto na biografia do grande pernambucano, Joaquim Nabuco; a influência afro o fez batalhar pela Abolição.

Diante disso, as nossas mães, na nossa fase infantil, utilizaram as lendas, as músicas os contos e as fantasias do folclore como método educacional. A começar pelas cantigas de ninar que continham nas letras animais como: lobos, gatos, pavão misterioso, etc. Reminiscências do período colonial: Lobisomem, Comadre Florzinha, Mula Sem Cabeça.

Depois, a Pedagogia e a Psicologia foram modificando esse conceito, deixando aos poucos as tendências e orientando para evitar o amedrontamento dos pequenos.

Logicamente recebemos também influências europeias especialmente francesas de onde eram importadas todas as novidades mundiais. Assim, as fábulas de La Fontaine sempre estiveram presentes na contação de histórias, como: O Rato do Campo e o Rato da Cidade, O Lobo e o Cordeiro, A Cigarra e a Formiga, a Raposa e as Uvas, O Leão e o Ratinho e muitas outras que pertencem aos clássicos universais.

Ainda hoje são lembradas musiquinhas como: Boi da Cara Preta, Dorme Neném A Cuca Vem Pegar, Eu Sou O Lobo Mau, Atirei o Pau no Gato, etc.

É bom salientar que atualmente devido ao aumento dos crimes de: pedofilia e estupro, os educadores ensinam às crianças a não falar nem se aproximar de “estranhos” sendo a figura do Lobo Mau utilizada a fim de afastar pessoas malévolas.

A data 22 de agosto foi escolhida para homenagear o Folclore Brasileiro e quase sempre é festejada nas Escolas e nas Instituições, apenas nesse ano atípico não houve muitas comemorações presenciais, todas as manifestações com esse tema foram virtuais.

 

Sobre a autora:

Maria de Lourdes Sousa Maciel se tornou “Malude” porque seus irmãos não sabiam dizer seu nome completo, como sua mãe insistia. Se tornou poetisa, escritora (Reminiscências de Malude em Prosa e Versos foi seu segundo livro publicado. O primeiro livro publicado intitula-se : No Meu Caminho.) é membro da Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras – ACACCIL. Ocupa a Cadeira 15, que tem como patrono a Profa. Sinhazinha.

 

 

3 Comentários
  1. João Vicente Diz

    CaL Malude , parabéns pela excelente crônica , sobretudo nestes tempos de turbulência , onde principalmente , os jovens e crianças, amedrontados , são submetidos (por força da situação )a ficarem em casa , oportunidade para se deleitarem com leituras leves e de conhecimento salutar. Abraços. CL João Vicente .

  2. victor Diz

    Eita, mana, nesse aí houve umas derrapadas literárias. O tema é interessante, então, dá para corrigir a crônica. Hoje, o mestre Lobato é considerado politicamente incorreto e há uma séria campanha para bani-lo do universo da literatura infantil devido às suas várias citações com teores racistas e preconceituosas. Fontaine, assim como Os Irmãos Grinm,fontes da maioria dos clássicos infantis, são também condenáveis, principalmente se as versões originais dos seus contos forem lidas – verdadeiras histórias de terror – inclusive o lobo mau, já naquela época, era o retrato de um estuprador pedófilo, ou seja, não é de agora… Até o “aparente inofensivo” Disney (você não o citou, mas aproveito a oportunidade), leva sua parcela de perturbado e crítico da família tradicional, afinal, quem conheceu a mãe de Donald, de Mickey, de Pateta? O tio Patinhas tem a todos como tal, mas não há mãe, mulher, genitora enfim, enfim. Por fim, as canções de ninar ou de roda, estão para todo sempre banidas em ambientes com pensamento moderno, “atirar pau no gato???” quem já se viu tal maldade? Boi da cara preta, pega essa criança…??? não, os tempos são outros. Mas, se quiser falar sobre o terror das histórias e cantigas infantis, o prato é cheio.

  3. Maria de Lourdes Maciel Diz

    Agradeço CL João Vicente seu valioso comentário.
    Obrigada:
    Malude Maciel

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.