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Coluna Ponto a Ponto: O TEMPO NÃO PÁRA – Por Prof. Carlos Silva

Professor Carlos Silva
Professor Carlos Silva

O ESCRAVISMO

De acordo com a visão capitalista selvagem, os feriados e principalmente os feriados prolongados geram prejuízos. No entanto isso não passa de uma falácia absurda, até porque na realidade não existe feriado total. Em qualquer feriado o país não para, a economia não para, ou seja, o transporte público, o sistema de saúde, a segurança pública, os serviços essenciais nas grandes indústrias não param, assim como o sistema de transporte aéreo também não para. Apenas uma parcela da sociedade é beneficiada pelos feriados.

Até estatísticas são feitas para passar a ilusão de que os feriados prolongados geram prejuízos. Os chutes sobre as perdas vêm de diversos lados e em cima da mesma falácia, um exemplo disso é a maneira como se calcula esse prejuízo, ou seja, pegam o volume estimado de faturamento do comércio e dividem pelo número de dias úteis. Depois descontam desse valor o faturamento-dia correspondente a cada feriado prolongado, como se as perdas com as vendas não efetuadas nunca mais fossem recuperadas. Isso é festival de ignorância cuja intenção é enganar o trabalhador, ora! Simplesmente porque se a loja estiver fechada no feriado, grande parte dos consumidores vai comprar antes ou depois do feriado. É óbvio. Preciso de uma geladeira nova, mas como a loja estava fechada no dia em que resolvi comprar, nunca mais vou comprar uma geladeira nova, esse desejo e necessidade não evapora com os feriados.

PARAR É PRECISO…

Os feriados não afetam os gastos recorrentes, mas estimulam um gasto extraordinário em toda uma cadeia produtiva que gira em torno dos feriados: viagens, hotéis, restaurantes, compras de brindes, cinemas, eventos, shows, etc. Em dezembro de 2019, o Ministério do Turismo – fez um estudo que demonstram que feriados prolongados resultaram em 13,9 milhões de viagens domésticas, injeção de R$ 28,84 bilhões na economia. Claro que esses dados foram feitos antes da pandemia da Covid-19.

Os feridos servem principalmente para registrar fatos históricos de ordem cívica, religiosos ou culturais que marcaram e fizeram parte da construção da identidade social de uma nação. “No Japão, estudos comprovam que reduzindo em um dia a semana de trabalho, a produtividade aumentava pela maior disposição e menor estresse dos trabalhadores.”

Além disso, os feriados servem para estreitar os laços familiares, sociais e religiosos, etc, contribuindo assim para o processo de humanização, tão necessário diante dessa loucura capitalista onde as pessoas valem pelos seus preços e não pelos seus valores. Dessa forma é interessante desconstruir um mito um mito que há muito tempo vem iludindo e mistificando o consciente (e o inconsciente) de grande parte da população. Ou “seja, ao contrário do senso comum, feriados fazem bem a economia”.

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Referências – GGN/correiodeminas

 

Sobre o autor:

Carlos Silva é Professor, Palestrante, cientista social, com graduação em Sociologia-UFPE, com especialização em Matriz agroecológica e Biossegurança, casado, residente em Caruaru-PE, autor de o livro O Despertar de Pangeia e comentarista social, como colaborador da Rádio Cultura do Nordeste no Programa Cultura Informa.

 

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