Notícias de Caruaru e Região

Bolsonaro diz que Brasil ‘tem que deixar de ser um país de maricas’

presidente Jair Bolsonaro
presidente Jair Bolsonaro no Twitter (Valter Campanato/Agência Brasil)

Por Marcelo de Moraes

Em mais um discurso negacionista sobre o coronavírus, presidente ainda fez bravata militar contra Joe Biden.

Sem freio. Jair Bolsonaro voltou a demonstrar publicamente seu negacionismo em relação ao impacto da pandemia do coronavírus, que já matou mais de 162 mil pessoas no Brasil. Num discurso sem filtros, o presidente reclamou da importância que se continua dando à doença. Mas, até para seus padrões, Bolsonaro cruzou os limites da balbúrdia, afirmando que o Brasil “tem que deixar de ser um país de maricas”. “Tudo agora é pandemia. Tem que acabar com esse negócio. Lamento os mortos, lamento. Todos nós vamos morrer um dia. Aqui, todo mundo vai morrer. Não adianta fugir disso, fugir da realidade. Tem que deixar de ser um país de maricas”, afirmou, durante solenidade destinada, em tese, para falar sobre uma suposta retomada da atividade do turismo no Brasil.

Urubuzada. Bolsonaro percebeu na hora o impacto negativo da sua declaração. Tanto que em vez de tentar consertar, preferiu atacar a imprensa, a quem chamou de “urubuzada”. “Olha que prato cheio para a imprensa. Prato cheio para a urubuzada que está ali atrás”. Como sempre, as redes bolsonaristas se movimentaram para elogiar a fala absurda do presidente.

Bravata. Bolsonaro também decidiu fazer bravatas contra Joe Biden, que derrotou Donald Trump nas eleições norte-americanas. Sem citar o nome do democrata, o presidente falou em “usar pólvora” como resposta a possíveis sanções comerciais contra o Brasil prometidas por Biden caso a política ambiental não mude. “Assistimos há pouco um grande candidato a chefia de Estado dizer que, se eu não apagar o fogo da Amazônia, ele levanta barreiras comerciais contra o Brasil. E como é que podemos fazer frente a tudo isso? Apenas na diplomacia não dá. Não é Ernesto?”, afirmou, se dirigindo ao ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo. E mandou sua ameaça: “Quando acaba a saliva, tem que ter pólvora. Se não, não funciona. Não precisa nem usar pólvora, mas tem que saber que tem. Esse é o mundo. Ninguém tem o que nós temos”, disse, voltando a alimentar a eterna teoria da conspiração sobre o interesse internacional na Amazônia.

Sem paz e sem pastel. A fala no mais clássico estilo “balbúrdia”, uma marca do governo, teve momentos de desabafo. O presidente chegou a dizer que sua vida era “uma desgraça”. “A minha vida aqui é uma desgraça. É problema o tempo todo. Não tenho paz para absolutamente nada. Não posso mais tomar um caldo de cana na rua, comer um pastel”, reclamou. E, mais uma vez, criticou a imprensa. “Assim que eu saio vem essa imprensa perturbar. Pegar uma piada que eu faço com o guaraná Jesus para tentar me esculhambar”.

Guerra da vacina. Na verdade, Bolsonaro já terminara a segunda-feira com o início de mais uma batalha da guerra da vacina envolvendo Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria. De noite, a Anvisa decidira suspender os testes da vacina Coronavac, depois de um “evento adverso grave” envolvendo um voluntário. A medida pegou de surpresa o Instituto Butantã, que coordena a testagem da vacina no Brasil e irritou o governo de São Paulo, que comanda a iniciativa. Para piorar, na manhã desta terça, Bolsonaro usou suas redes sociais para celebrar que tinha “ganho” mais essa. Em poucas horas, foi revelado que o “evento adverso grave” era a morte por suicídio de um dos voluntários que participavam dos testes. Ou seja, a morte não tinha qualquer relação com a vacina. Foi o suficiente para começarem as acusações de uso político da Anvisa, que é comandada pelo Almirante Antônio Barra Torres. O militar é um aliado muito próximo do presidente. E insistiu que a decisão de suspender os testes “foi técnica”.

Repúdio. Os atos e falas de Bolsonaro provocaram fortes reclamações no Congresso e a já quase tradicional nota de repúdio do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. “Entre pólvora, maricas e o risco à hiperinflação, temos mais de 160 mil mortos no país, uma economia frágil e um estado às escuras. Em nome da Câmara dos Deputados, reafirmo o nosso compromisso com a vacina, a independência dos órgãos reguladores e com a responsabilidade fiscal”, disse Maia. Adversário derrotado por Bolsonaro no segundo turno da eleição de 2018, o petista Fernando Haddad também criticou a verborragia do presidente. “Num único dia, Bolsonaro celebra morte de voluntário, chama brasileiros de maricas e provoca poder bélico dos EUA. Todos os gêneros dramáticos: tragédia, farsa e comédia. Sobre o que realmente importa nenhuma palavra”, protestou.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.