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Clube do Filme entrevista Edvaldo Santos – Curador do Festival de Cinema de Caruaru.

Clube do Filme entrevista Edvaldo Santos – Curador do Festival de Cinema de Caruaru. Nessa entrevista, ele fala sobre os desafios de realizar festivais de cinema, produções cinematográficas, sua paixão pela sétima arte e, também, sua visão à respeito do cinema brasileiro.

Mary Queiroz
Mary Queiroz – Clube do Filme

Edvaldo Santos – É especialista em Cinema e Linguagem Audiovisual, Psicopedagogia, Sociologia e Tecnologias na Educação. É curador do Festival de Cinema de Caruaru. Como diretor e roteirista, tem oito curtas-metragens. Desenvolve ações educativas através de oficinas de iniciação à crítica em festivais e mostras de cinema. Tem projetos com cinema e educação nas escolas públicas do estado de Pernambuco desde 1998. Foi membro do júri oficial do Festival de Cinema de Triunfo. Foi membro do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Caruaru de 2012 a 2018. É filiado à Associação Brasileira de Documentaristas de Pernambuco / Associação Pernambucana de Cineastas (ABD/APECI).

MARY QUEIROZ – Como surgiu sua paixão pelo Cinema?

EDVALDO SANTOS – De forma gradual. Frequentava na adolescência os cinemas de rua de Caruaru e ficava atento ao canal 100, com destaque para a locução e as imagens em câmera lenta com uma cor fantástica. Gostava de ficar atento aos trailers. Como sempre tive gosto por rádio desde a infância era atento às locuções no cinema. Inferno na Torre foi um filme que me impactou. O cinema catástrofe em alta. Lembrança em destaque para Rio Babilônia como cinema nacional. Ao entrar na Faculdade me deparei com um cinema de conteúdo político e social. Foi então que filmes como Cabra Marcado para Morrer e Ilha das Flores foram sendo vistos. Até hoje este cinema me atrai bastante e diretores como Costa-Gavras, Francois Ozon e Kleber Mendonça Filho fazem parte da minha lista de grandes diretores de bons dramas.

MARY QUEIROZ – Na sua trajetória como cinéfilo e crítico, o que você pode destacar sobre o legado do Cinema Nacional em termo de Produções?

EDVALDO SANTOS
EDVALDO SANTOS

EDVALDO SANTOS – Não é fácil falar de filmes emblemáticos, entretanto gosto de citar O Baile Perfumado como obra que retomou a produção do Nordeste, e Cidade de Deus e Central do Brasil que ajudaram a aproximar o público do cinema nacional nas últimas décadas. Reconheço a importância de O Pagador de Promessas, bem como a obra de Mazzaropi e de Os Trapalhões como cinema acessível e de Glauber Rocha e seus companheiros do Cinema Novo, voltado para um público mais específico.

MARY QUEIROZ – Este legado do Cinema Nacional, te influenciou quando decidiu realizar seu primeiro curta-metragem?

EDVALDO SANTOS – Sim. Tenho apreço por sátiras. Roteirizei Terra Firme com grande inspiração na estética de Recife Frio, por exemplo.

MARY QUEIROZ – Realizar filmes é um desafio dos grandes. Fala um pouco desta experiência, nos dizendo quantos curtas-metragens você já dirigiu e quais são?

EDVALDO SANTOS – A experiência da autoria é muito fascinante. Ao mesmo tempo que ter uma ideia original é praticamente impossível. Estamos permeados por muitas referências e adaptações e devido à democratização do “fazer cinema” um grande número de obras, passam despercebidas do público. Com grande alegria consegui finalizar oito curtas. Nunca tive apoio institucional, mas uma grande parceria com muitos amigos que compartilharam do sonho de realizar. Impossível elencar todos aqui, mas serei sempre grato por todos os momentos de troca de experiências. São eles:

  • PONTO (2020)
  • SERES (2019)
  • A TEIMA (2017)
  • JESUS TAMBÉM FOI MENINO (2016)
  • IMOBILIDADE (2016)
  • LIMPO (2016)
  • TERRA FIRME (2015)
  • CINEMA, ONDE VOCÊ ESTÁ? (2014)

Confira nos links, alguns destes curtas-metragens.

  • https://youtu.be/G6s_0a4gDRs
  • https://youtu.be/85AY6px9gSI
  • https://youtu.be/6D3Ghb5JgYk
  • https://youtu.be/OjOLjuH821w

MARY QUEIROZ – Você, além de crítico e diretor, é também o idealizador do Festival de Cinema de Caruaru. Como surgiu a ideia de realizar o Festival?

EDVALDO SANTOS – Eu já tinha um trabalho dentro das escolas públicas da rede estadual de ensino, fazendo filmes e exibindo desde 1998. Junto com o amigo Edson Santos (radialista), começamos um projeto de cobertura jornalística nos festivais de cinema de Pernambuco. Este projeto não durou, mas conheci mais de perto a realidade dos festivais e o acesso aos editais de financiamento. Em 2013 apresentei o projeto da primeira edição que foi aprovado pelo Governo de Pernambuco. Estamos para realizar a oitava edição do Festival.

MARY QUEIROZ – Como foi a recepção do público?

EDVALDO SANTOS – Como Caruaru não tinha a tradição de realizar Festival de Cinema foi muito difícil no início. Tivemos um público pequeno.

MARY QUEIROZ – Fala um pouco sobre cada edição do Festival de Cinema de Caruaru. O que você, como Curador poderia destacar sobre cada uma delas?

EDVALDO SANTOS – Na primeira edição tivemos algumas dificuldades naturais, pois ainda não tínhamos uma equipe de Caruaru articulada, nem uma programação de realizadores de outros estados. Embora conseguimos divulgar a realização do evento e fizemos muitos contatos a partir de então. Na segunda edição fizemos a exibição do longa-metragem A História da Eternidade. Foi um grande impacto e nos impulsionou para um Festival mais robusto, com exibição de longa-metragem também. Durante estes anos estamos trabalhando na consolidação do evento no calendário de festivais pernambucanos. Conseguimos atrair as pessoas para a formação de uma equipe de produção de Caruaru. Conseguimos incentivar as pessoas de Caruaru a produzir na cidade e essa produção é crescente e de melhor qualidade a cada ano.

MARY QUEIROZ – Os festivais e mostras audiovisuais, de um modo são partes importantes da cadeia produtiva cinematográfica. Como foi feita a escolha dos filmes exibidos nas edições do Festival de Caruaru?

EDVALDO SANTOS – Temos um compromisso com os filmes locais, filmes do interior nordestino. Ainda o cinema é uma prática dos grandes centros urbanos. Precisamos muito dos apoios oficiais. Estes recursos ainda estão no caso de Pernambuco concentrados, com cerca de oitenta por cento na região metropolitana. Fazer cinema fora das capitais constitui um desafio. Sabemos da necessidade de contarmos as nossas próprias histórias. Isto é o que me mantém de pé nesta luta. Estou ao lado sempre de muitos que compartilham esta utopia.

MARY QUEIROZ – Com a Pandemia do Covid 19, os festivais tiveram que se adaptar a nova realidade. Você que acompanhou todo este processo de perto, pode nos falar como os principais festivais da região e do Brasil foram realizados neste período?

EDVALDO SANTOS – Alguns festivais tiveram a edição 2020 cancelada. Entretanto, a maioria está sendo feita com adiamento e de modo virtual. Outros estão se articulando para fazer presencial. Eu não vejo como possível a realização destes festivais de modo presencial sem a vacina para a população. Os festivais tem muito a característica das trocas, dos encontros. Estamos vivendo um momento que precisamos exercitar nosso afeto virtualmente, sem riscos. Durante a pandemia os festivais estão mais restritos às exibições e para população em geral foi um ganho, pois tivemos em nossas casas a possibilidade de ver a programação de grandes festivais nacionais e internacionais. O Festival de Gramado foi um exemplo importante de parcial manutenção das atividades. Tomara que tenhamos filmes suficientes para mantermos por muitos meses a programação viva, com lançamento de filmes.

MARY QUEIROZ – Como já falamos antes, você iniciou sua carreira fazendo curtas-metragens. Como diretor, qual a importância dos festivais de cinema antes da Pandemia do Covid 19 e pós Pandemia para uma produção cinematográfica?

EDVALDO SANTOS – Todo festival é um espaço para acolher filmes, para suplantar a ausência de espaço nos grandes circuitos comerciais. Toda grande indústria cinematográfica se consolida a partir do apoio às produções independentes. Isto acontece no mundo inteiro. Desde a experiência dos Estados Unidos na década de 1970 até as iniciativas brasileiras de criação de polos audiovisuais como na cidade de Paulínia (SP), no estado de Pernambuco como exemplo nordestino.

MARY QUEIROZ – Para finalizar, gostaria de agradecer sua contribuição ao Clube do Filme e deixar o espaço para suas considerações finais.

EDVALDO SANTOS – Eu sou muito grato aos amigos que conheci com o cinema. Sinto em grande parte realizado por contribuir com o desenvolvimento do audiovisual local. Grato a você, Mary pela atenção e amizade. Grato à minha esposa Jucineide Santos por estar produzindo estes trabalhos ao meu lado. O cinema é uma arte muito coletiva. E a humanidade ainda está com grandes dificuldades para alcançar essa base de relações com plenitude. Mas seguimos nesta estrada, abertos a novos saberes e com muita vontade de conhecer mais pessoas e realizar muito mais.

REDES SOCIAS DO FESTIVAL DE CINEMA DE CARUARU

  • Instagram (@festcinecru)
  • SITE: https://emcasa.festivaldecaruaru.com.br/
  • FACEBOOK: https://www.facebook.com/festivaldecinemadecaruaru

PROGRAMA CLUBE DO FILME

No programa Clube do Filme deste sábado, às 13h pela Rádio Cultura do Nordeste 96,5 FM/1130 AM, apresentado por Edson Santos e Mary Queiroz, continuará o debate sobre a série “O MANDALORIANO: A SEGUNDA TEMPORADA – ANÁLISE – PARTE I”. Nos estúdios da Rádio, com a participação de Luiz Antônio e Alysson Rodrigo.

AS ESTREIAS DA SEMANA

INVASÃO ZUMBI 2 – PENÍSULA

Conhecido no Brasil como Invasão Zumbi 2: Península, é um filme de ação e de zumbi sul-coreano de 2020, sequência de Train to Busan de 2016, dirigido por Yeon Sang-ho. Sua apresentação foi originalmente agendada para o Festival de Cannes, mas foi cancelada devido à pandemia do COVID-19. Ele estreou na Coréia do Sul em 15 de julho, enquanto para o resto do mundo foi adiado indefinidamente.

Faz quatro anos desde que o surto de zumbis foi desencadeado no trem para Busan e se espalhou por toda a Coréia. Jung Seok (Kang Dong-won), um ex-marinheiro que conseguiu escapar naquela ocasião com o remorso de ter perdido seus entes queridos, é recrutado junto com seu cunhado Chul-min em Hong Kong para recuperar um saque oculto de um milhão de dólares na península coreana infectada . No entanto, sua caminhada é atormentada por perigos cheios de ação, onde eles não apenas enfrentarão hordas de renascimentos, mas sobreviventes selvagens que não os deixarão escapar tão facilmente.

TROLLS 2

Filme de animação de comédia musical estadunidense, produzida por DreamWorks, em 2020, dirigida por David P. Smith e Walt Dohrn.

Devido à pandemia do vírus COVID-19, o filme foi lançado nos Estados Unidos, Rússia, Singapura e Malásia em 10 de abril de 2020 apenas para as plataformas digitais dos países citados. Em Trolls 2, a rainha Poppy e Branch fazem uma descoberta surpreendente. Há outros mundos Troll além do seu, e suas diferenças criam grandes confrontos entre essas diversas tribos. Quando uma ameaça misteriosa coloca todos os Trolls do país em perigo, Poppy, Branch e seu grupo de amigos devem embarcar em uma jornada épica para criar harmonia entre os Trolls rivais e uni-los contra um mal maior.

PROGRAMAÇÃO DO CENTERPLEX CINEMAS CARUARU

SALA 01

– ENQUANTO ESTIVERMOS JUNTOS DUB (PARIS FILMES)

  • DRAMA – Dublado – 10 Anos – Duração: 118min.
  • Qui., Sex., Seg., Ter., Qua.: 19h00
  • Sáb., Dom., Feriado: 19h00

– TROLLS 2 DUB (UNIVERSAL) =ESTREIA=

  • ANIMAÇÃO – Dublado – Livre – Duração: 100min.
  • Qui., Sex., Seg., Ter., Qua.: 16h30
  • Sáb., Dom., Feriado: 16h30

SALA 02

– DESTRUIÇÃO FINAL: O ÚLTIMO REFÚGIO DUB (DIAMOND FILMS)

  • SUSPENSE – Dublado – 14 Anos – Duração: 120min.
  • Sáb., Dom., Feriado: 17h30 – 20h10
  • Qui., Sex., Seg., Ter., Qua.: 17h30 – 20h10

– CONVENÇÃO DAS BRUXAS DUB (WARNER BROS)

  • AVENTURA – Dublado – 10 Anos – Duração: 106min.
  • Sáb., Dom., Feriado: 15h00

SALA 03

– INVASÃO ZUMBI 2: PENÍNSULA DUB (PARIS FILMES) =ESTREIA=

  • TERROR – Dublado – 14 Anos – Duração: 116min.
  • Qui., Sex., Seg., Ter., Qua.: 17h00 – 19h45
  • Sáb., Dom., Feriado: 17h00 – 19h45

– CONVENÇÃO DAS BRUXAS DUB (WARNER BROS)

  • AVENTURA – Dublado – 10 Anos – Duração: 106min.
  • Qui., Sex., Seg., Ter., Qua.: 17h00
  • Sáb., Dom., Feriado: 17h00

– SCOOBY O FILME DUB (WARNER BROS)

  • ANIMAÇÃO – Dublado – Livre – Duração: 95min.
  • Sáb., Dom., Feriado: 15h00

SALA 04

– TROLLS 2 DUB (UNIVERSAL) =ESTREIA=

  • ANIMAÇÃO – Dublado – Livre – Duração: 100min.
  • Qui., Sex., Seg., Ter., Qua.: 18h00 – 20h30
  • Sáb., Dom., Feriado: 15h30 – 18h00 – 20h30

 

Sobre o autor

Mary Queiroz é radialista e cinéfila, apresenta o Programa Clube do Filme, todos os sábados a partir das 13h, junto com o radialista Edson Santos pela Rádio Cultura do Nordeste 96,5 FM. Sugestões: [email protected]

 

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