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MARADONA, POLÍTICA E FUTEBOL – Por Prof. Rivio Xavier Jr.

Na foto - O Professor Rivio Xavier Jr.
Professor Rivio Xavier Jr.

Um Herói, gênio, político, celebridade pop, jogador de futebol, assim era Diego Armando Maradona não precisou morrer para virar um mito. O adeus do argentino, que por algumas vezes driblou a morte, aconteceu nesta quarta-feira.

Diego Armando Maradona tinha na perna esquerda uma tatuagem do ditador Fidel Castro. No braço direito, o rosto de Che Guevara, que ao lado de Fidel liderou a Revolução Cubana em 1959.

Mais do que marcas na pele, eram símbolos dos ideais que o ídolo argentino carregou até morrer, aos 60 anos de idade. Ele teve uma parada cardiorrespiratória enquanto se recuperava de cirurgia para tirar um hematoma da cabeça.

“Sou completamente esquerdista: de pé, de fé e de cérebro”, disse Maradona na década de 1990, depois de ter curiosamente apoiado a candidatura de Carlos Menem, um político populista e neoliberal, à presidência do país. Apesar de apoiar o candidato, Maradona pontuou: “Sou peronista, não menemista”.

A controvérsia entre sua crença, forjada principalmente pela origem popular no bairro de Villa Fiorito, e o empréstimo de sua imagem a diferentes figuras políticas da Argentina, foi um traço da montanha-russa que marcou a carreira de Diego Maradona como jogador de futebol.

Um aspecto de sua personalidade que se dissipou com a aposentadoria dos gramados, quando passou a adotar posições mais contundentes de apoio a políticos de esquerda.

Após o título mundial, Diego passou a se mostrar mais à vontade na expressão de suas ideias, como mostra o livro “Diego Dijo” (Diego disse, em espanhol), de Andrés Burgo e Marcelo Gantman, com as “melhores 1.000 frases do camisa 10 em toda a sua carreira” –a grande maioria delas, pós-Mundial do México.

Aposentado, Diego Maradona se entregou aos líderes de esquerda e à volta do peronismo ao poder na Argentina.

No início dos anos 2000, o argentino foi a Cuba seguidas vezes para tratamentos de desintoxicação. Na ilha, estreitou sua relação com Fidel Castro. O presidente cubano foi um dos convidados de Maradona quando este, visivelmente mais magro após um período de recuperação, apresentava o programa “La Noche del Diez”.

Além de Fidel e da admiração por Che Guevara, Maradona construiu uma rede de relações com importantes figuras políticas da América do Sul. Defendeu, por exemplo, o venezuelano Hugo Chávez, que o levou à Venezuela para participar da abertura da Copa América de 2007, disputada no país. Também apoiou Nicolás Maduro como sucessor do chavismo.

Anti-imperialista e crítico dos Estados Unidos, acenou positivamente ao governo de Barack Obama. Por George W. Bush, porém, não nutria nenhuma simpatia. “Bush é um assassino. Prefiro ser amigo de Fidel Castro”, disse em 2003.

No Brasil, sentia carinho e respeito pelo ex-presidente Lula, e comemorou a soltura do petista da prisão em 2019.

Peronista, foi defensor dos governos de Nestor e Cristina Kirchner, que governaram o país de 2003 a 2015 e devolveram o peronismo ao poder. Depois, fez oposição a Mauricio Macri, seu desafeto dos tempos em que o político era presidente do Boca Juniors (ARG).

Diego Armando morreu, Maradona viverá para sempre!

Sobre o autor :
Rivio Xavier Jr. – É professor historiador, analista de política internacional, colunista da rádio liberdade e do jornal de Caruaru, podcaster e assessor parlamentar.

 

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