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O CAVALEIRO DAS TREVAS – Por Professor Carlos Silva

 

Nota do JC: O CAVALEIRO DAS TREVAS marca o retorno do professor Carlos Silva à sua coluna semanal no Jornal de Caruaru após o fatídico dia em que precisou ser internado, às pressas, para uma intervenção médica de emergência. Bom retorno Professor! VIDA LONGA!

 

Professor Carlos Silva
Professor Carlos Silva

PREGANDO O TERROR

Ao assistir as declarações do Presidente Jair Bolsonaro de que estamos importando o racismo de fora, e do seu Vice-Presidente o General Mourão, dizendo que no Brasil não existe racismo e de que o embraquecimento da raça é um privilégio, tenho a convicção que esses senhores estão representando o que há de mais podre da humanidade, além de demostrar sinal de um alto índice de analfabetismo social, que foge qualquer princípio lógico e científico da forma como foi construído o tecido social do nosso país. O caso do negro João Alberto, assassinado dentro do supermercado Carrefour, mais uma vez, nos traz a tona um trágico sinal de que a barbárie e o negacionismo permeia uma parcela da nossa sociedade e tem como seu interlocutor principal o lucifer da democracia brasileira, o excelentíssimo Senhor Jair Bolsonaro.

Ora! de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os negros representam 75,2% do grupo formado pelos 10% mais pobres. Estes dados refletem que de caráter estrutural e sistêmico, a desigualdade entre brancos e negros na sociedade brasileira é inquestionável e persiste com a fragilidade de políticas públicas para o seu enfrentamento. Como o presidente da República e sua manada, segue usando a viseira da barbárie, não enxerga que a ciência social demostra que no Brasil, de acordo com o IBGE, os negros representam 75,2% do grupo formado pelos 10% mais pobres. A diferença também é observada em outros indicadores sociais, que demonstram menor acesso e garantia de direitos, como educação, saúde, moradia, segurança etc.

SERIAL “KILLER”

Ora! Mais um crime de prevaricação foi cometido pelo Presidente Jair Bolsonaro, ao negar a existência de um racismo observado nos dados acima, e que mais uma vez contrariando a Lei 10639/2003, que foi construída a partir de inúmeras manifestações dos movimentos negros e estabeleceu a obrigatoriedade de conteúdos sobre a história e cultura africana e afrobrasileira nos currículos da educação básica, ao declarar seu negacionismo sobre a questão racial no Brasil. Mais uma vez ele contribui para demonstrar, situações de vulnerabilidade social e não garantia de direitos mais comuns para a população negra, mesmo sabendo que a prática de racismo ainda é uma realidade na sociedade brasileira. Por conta disso, ao formular a Constituição Cidadã de 1988, os constituintes se preocuparam não somente em garantir direitos e liberdades individuais, mas também em assegurar que isso fosse concretizado por meio da punição a comportamentos que violem tais direitos.

A maneira como o João Alberto foi atacado demonstra que os seguranças estavam seguindo a risca o que lhes foi comandado, ou seja, infringiu regras funcionais dentro da loja, o “elemento” ou o alvo deve ser aniquilado, morto, sem nenhum respeito ao estado de direito, quando na verdade deveriam ter usado os princípios da detenção ou da imobilização, podendo usar armas não letais como uma pistola Taser, que parece com um bastão de choque que pode ser usado a longa distancia e imobiliza o infrator. Todavia, seguindo a linha do genocídio federal, o sistema de segurança da loja e nem tão pouco o governo federal, estão preocupados com o que diz o Inciso XLII do Artigo 5º da Constituição Federal, criado para evitar o crime de racismo, como uma das formas em evitar a violação dos direitos e liberdades individuais, e segue como um cachorro louco e mais uma vez envergonhando o mundo, com seu ideologismo desvairado.

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Referências:

https://observatoriodeeducacao.institutounibanco.org.br/

Inciso XLII – Criminalização do racismo

 

Sobre o autor:

Carlos Silva é Professor, Palestrante, cientista social, com graduação em Sociologia-UFPE, com especialização em Matriz agroecológica e Biossegurança, casado, residente em Caruaru-PE, autor de o livro O Despertar de Pangeia e comentarista social, como colaborador da Rádio Cultura do Nordeste no Programa Cultura Informa.

 

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