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PT Diluindo – Pela 1ª vez partido não elege prefeito nas capitais


Com as derrotas de Marília Arraes, no Recife, e João Coser, em Vitória, a legenda perdeu a influência e está fora do comando nas metrópoles

O PT diluindo a cada eleição
O PT diluindo a cada eleição

Dois anos após as eleições de 2018 terem guinado para a direita, o que vemos hoje é um PT diluindo. Pela primeira vez desde a redemocratização, a legenda não elegeu nenhum prefeito nas capitais do país.

As expectativas do PT pairavam sob os candidatos Marília Arraes, no Recife, e João Coser, em Vitória. Contudo, os dois sofreram derrotas no segundo turno das eleições municipais. Com isso, o partido perdeu a influência e está fora do comando das capitais do país.

POLÍTICA

Candidatos de outros partidos apoiados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno em 2020 também naufragaram, como Manuela D’Ávila, do PCdoB, em Porto Alegre, e Guilherme Boulos (PSol), em São Paulo.

Em 2004, quando Lula estava no primeiro mandato da Presidência, o partido conseguiu eleger seu maior número de prefeitos em capitais: nove ao todo. A partir dali, o PT foi caindo, até chegar em 2016, elegendo apenas Marcus Alexandre em Rio Branco.

PT Diluindo

Os partidos de esquerda empilharam derrotas significativas no segundo turno das eleições municipais. O PT não elegeu nenhum prefeito em capital pela primeira vez na história. O candidato do PSOL em São Paulo, Guilherme Boulos, sofreu um revés maior do que projetavam as pesquisas de intenções de votos. Somente o PDT, do presidenciável Ciro Gomes, e o PSB se saíram bem com os resultados deste domingo, 29.

O PT tinha grandes esperanças com o ex-prefeito João Coser, em Vitória, e com a deputada federal Marília Arraes, em Recife. Nenhum dos dois teve sucesso nas urnas. Coser foi derrotado pelo bolsonarista Lorenzo Pazolini (Republicanos) por 58,50% a 41,40%. Já Marília perdeu para o primo João Campos, que pertence ao PSB, outro partido identificado com a esquerda. Campos teve 56,01% dos votos, contra 43,99% da petista. O PT fez uma força-tarefa para eleger Marília, com participação direta do ex-presidente Lula na campanha, enquanto Campos obteve apoio de partidos de centro-direita no segundo turno.

O ex-líder do movimento sem-teto Guilherme Boulos, a grande surpresa desta eleição, ficou bem atrás dos resultados projetados pelas pesquisas de institutos na da véspera da eleição. Ele teve 40,55% dos votos, contra 59,45% do tucano Bruno Covas. As projeções indicavam que havia uma margem de cerca de dez pontos percentuais entre os candidatos antes do pleito.

Manuela D’Ávila (PCdoB) (candidata a vice-presidente na chapa do petista Fernando Haddad em 2018), foi derrotada em Porto Alegre por Sebastião Melo (MDB). Ele teve 54,32% dos votos, contra 45,69% da comunista. O PCdoB também sofreu uma importante derrota em São Luís, onde o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), apostava suas fichas em Duarte Júnior (Republicanos). Ele teve 44,47% dos votos, contra 55,53% de Eduardo Braide (Podemos).

No plano nacional, o PT caminha mais alinhado ao PCdoB e ao PSOL. Ironicamente, os melhores resultados para a esquerda vieram de partidos que não pretendem se aliar à sigla do ex-presidente Lula em 2022. O PDT elegeu dois prefeitos em capitais. A legenda emplacou Edvaldo com 57,86% dos votos, derrotando a Delegada Danielle (Cidadania), que teve 42,14%. Também conquistou a prefeitura de Fortaleza, reduto eleitoral de Ciro Gomes, com o deputado estadual Sarto vencendo o bolsonarista Capitão Wagner por 51,68% a 48,32%,

O PSB, que está aliado ao PDT no plano nacional, também venceu em duas capitais. Além de Campos, eleito no Recife, o partido foi vencedor em Maceió, onde superou o candidato apoiado pelo clã político do senador Renan Calheiros (MDB). O deputado federal João Henrique Caldas, o JHC, conquistou 58,40% dos votos, contra 41,60% de Alfredo Gaspar de Mendonça (MDB). 

Já o PSOL conseguiu um resultado expressivo em Belém. O partido elegeu Edmilson Rodrigues para o cargo, superando o bolsonarista Delegado Federal Eguchi por 51,76% a 48,24%.

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