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“Terra do Mestre Vitalino” volta a abalar nesta segunda-feira (02)

E não foi o som das zabumbas e nem o tiro do bacamarteiro

Tremor de Terra - abalo - Caruaru
São tantos os abalos que já geraram até memes nas redes sociais

A terra voltou a tremer nesta segunda-feira (02) na “Terra do Mestre Vitalino. Dois abalos sísmicos foram registrados. Um foi sentido pela população às 8h.

De acordo com o Laboratório de Sismologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o maior teve magnitude 1.8 graus na escala Richter.

Na noite de sábado (31), a terra tremeu às 22h03 e 22h04, com magnitude 2.0.

Uma sensação esquisita sob os pés, que balança os móveis, faz tremer janelas e não dura mais que alguns segundos. De julho a setembro deste ano, a população de Caruaru, a Capital do Forró, no agreste de Pernambuco, acostumou-se com esse fenômeno. Só em agosto a terra tremeu 1.218 vezes; 102 só no dia 19 de agosto. Em setembro a frequência caiu para uma média de dois abalos por dia.

Até recentemente, acreditava-se que os terremotos só poderiam ocorrer em regiões próximas das fendas da crosta terrestre. Como o Brasil fica longe dessas fendas, por essa teoria o nosso chão jamais seria afetado. Hoje se sabe que em grande parte do território brasileiro ocorrem abalos sísmicos. Claro que por aqui não deve ocorrer nada tão trágico como os terremotos que atingem o Japão e a costa oeste dos EUA, cuja intensidade é muito maior.

Segundo Joaquim Mendes, coordenador do Laboratório de Sismologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, o Nordeste é uma das regiões sujeitas a terremotos no Brasil, com magnitude média de 3,5 graus na chamada Escala Richter, que vai de 0 a 10. Os terremotos que fazem mais estragos geralmente ultrapassam 6 graus nessa escala.

Os tremores de Caruaru ocorreram porque a cidade fica localizada bem no meio de uma falha geológica, um foco vulnerável à atividade sísmica, denominado zona de cisalhamento Pernambuco-Leste. Essa falha começa no Recife e entra pelo sertão, até Arcoverde, numa extensão de 254 quilômetros. A ‘Capital do Forró’ está no meio do caminho.

A frágil crosta terrestre

Neste ano, a terra tremeu pela primeira vez em 30 de junho. O terremoto atingiu 3,5 graus na escala Richter. No dia seguinte, o abalo foi mais leve: 2,2 graus. Mas a onda continuou, fortalecendo uma teoria desenvolvida pelos geólogos de que, a cada nove anos, a região de Caruaru enfrenta uma série de tremores — o último, antes desse, foi em 1993.

Em 1905, o alemão Alfred Wegener apresentou sua Teoria da Deriva dos Continentes, na qual supunha que há 200 milhões de anos, todas as massas de terra estariam reunidas em um único supercontinente, que se quebrou formando partes menores que se afastaram. Essa hipótese se mostrou muito avançada para a época e foi retomada somente nos anos 60, com a Teoria da Tectônica das Placas.

O Brasil está situado sobre a Placa Sul-Americana. Longe da borda de uma placa, os riscos de terremotos de grandes proporções são menores, com magnitude média de 4,5 graus e a uma profundidade baixa (30 quilômetros). O Acre, no entanto, apresenta o maior nível de atividade do país em número e em intensidade dos sismos, pois está na região de abrangência dos efeitos da placa de Nazca, que, quando encontra a Placa Sul-Americana, no litoral do Peru, invade o continente.

Segundo a avaliação dos geocientistas, a recente série de abalos em Caruaru é resultado dos movimentos divergentes ocorridos no Atlântico Sul, entre a África e a América do Sul, e no oceano Pacífico. O movimento proveniente do Atlântico é provocado pelo que chamam dorsal mesoceânica, que exerce um esforço no sentido leste-oeste e afeta o continente sul-americano.

No sentido contrário está um outro esforço, proveniente da placa Nazca, que tem origem no fundo do Oceano Pacífico. A Nazca, que entra embaixo da América do Sul, é a responsável pelos tremores na Cordilheira dos Andes.

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