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Clube do Filme: AMIZADE MALDITA – Por Mary Queiroz


Produção canadense exibe terror esquecível.

Mary Queiroz
Mary Queiroz

A chance de um título que sugere maldade, perder a essência é sempre grande, e Amizade Maldita reproduz isso. Sem apresentar as melhores pretensões do diretor Brandon Christensen, que também escreve o roteiro com Colin Minihan, o filme se torna chato e cansativo. Acontece que isso, no final das contas, importa muito, pois com aprovação de 95% no Rotten Tomatoes, a crítica define Amizade Maldita como “uma entrada fascinante no mundo dos amigos imaginários do mal”. Porém ao assistir, percebemos que nele, não existe nada que entregue uma amizade maldita o suficiente para prender a atenção do espectador.

No filme, temos Kevin (Sean Rogerson) e Beth (Keegan Connor Tracy) notando que seu filho de oito anos, Josh (Jett Klyne) tem passado bastante tempo brincando com um novo amigo imaginário, chamado Z. O que a princípio parece uma relação inofensiva, rapidamente se transforma em algo destrutivo e perigoso. É quando Beth começa a desvendar o seu próprio passado, ela descobre que Z pode não estar apenas na imaginação do filho.

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O filme já recebeu 9 prêmios em festivais internacionais, incluindo o de Filme Mais Assustador no Popcorn Frights 2019 e o de Melhor Filme no Sin City Horror Fest, premiação especializada em filmes de terror. Em entrevista, o diretor afirma que sofria de ansiedade quando criança. “Eu tinha medo de ficar sozinho, medo de ir para a escola, eu tinha medo de fazer qualquer coisa. […] Essa experiência me ajudou a trazer um pouco de mim para Amizade Maldita, com pais incapazes de saber lidar com algo assim. Quando não é algo que você consegue explicar ou ensinar, e você se sente excluído, o que você pode fazer?” Ao que parece, ele fez este filme, onde explora alguns elementos de terror, com motivações ultrapassadas e pouco foco no ingrediente principal, o medo.

O roteiro é simples e apresenta o menino da mesma maneira que outros filmes de terror. Inicialmente é apenas mais uma criança desenvolvendo traços de sociopatia e crueldade, tendo sua personalidade doce transformada por influência de uma amizade imaginária. O principal problema do longa se encontra neste roteiro pouco inspirado aliado a uma edição que estraga diversos potenciais de tensão. Enquanto a família ainda está tentando decidir se acha a possibilidade da maldade é válida, todo o público já sabe que a suspeita é real e não acompanha o dilema dos pais. O mesmo acontece em relação a visita ao psiquiatra com o menino, a reação do Dr. Seager (Stephen McHattie) entrega todo o roteiro dos seguintes atos e, de fato, pouquíssimas são as surpresas apresentadas. Mesmo que a narrativa a ser contada não seja nem um pouco original, o material continua sendo sabotado de maneira crucial. Com uma montagem diferente, o frágil roteiro poderia ter sido apresentado de um jeito bem menos previsível e mais amedrontador.

As atuações não entrega nada de diferente e são cheias de repetições. Beth, a matriarca da família, dividida entre o amor materno incondicional e o medo perturbador de seu próprio filho, carrega boa parte do terror nas costas. Encarregada deste fardo, a interpretação dada a sua personagem é bastante limitada, principalmente quando temos uma pequena reviravolta em relação às motivações ultrapassadas da entidade Z. O mesmo acontece com Josh, onde sua postura e atitude corporal deixam a desejar, caso estivesse de fato possuído pela maldade de seu amigo Z. Apesar de algumas cenas contemplativas serem bem elaboradas, as demais, que certamente foram feitas para gerar tensão, são terríveis de se acompanhar, pois a única intenção presente é assustar o espectador com a junção de poucos efeitos visuais ruins. Tomando as devidas proporções desnecessárias, do meio para o fim, o filme passa a exibir cenas e mais cenas recheadas de clichês e expressões faciais, incapazes de assustar ou causar qualquer outro sentimento de terror.

Amizade Maldita tem os artifícios técnicos de um terror; entrega os estereótipos para os fãs mais saudosistas, mas mesmo assim, se atrapalha ao não colocar o espectador em uma imersão total por ser mal escrito e dirigido. No fim, entrega personagens pouco aprofundados, tomando as piores e mais genéricas decisões, tão previsíveis quanto entediantes de serem assistidas, tornando toda a experiência de assistir este filme de terror esquecível.

PROGRAMA CLUBE DO FILME

No programa Clube do Filme deste sábado, 19 de dezembro, às 13h pela Rádio Cultura do Nordeste 96,5 FM/1130 AM, apresentado por Edson Santos e Mary Queiroz, teremos a “RETROSPECTIVA HQs 2020 – COMO ANDOU O MERCADO DE QUADRINHOS EM TEMPOS DE PANDEMIA?”. Convidados Quannar Nilson, Francisco Moreira do Multiverso Nerd do Acre e Vanderlei Sadrack, da Editora Kimera, do Rio de Janeiro.

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PROGRAMAÇÃO DO CENTERPLEX CINEMAS CARUARU

SALA 01

– FREAKY: NO CORPO DE UM ASSASSINO DUB (UNIVERSAL)

  • COMÉDIA – Dublado – 16 Anos – Duração: 102min.
  • Qui., Sex., Seg., Ter., Qua.: 20h30
  • Sáb., Dom., Feriado: 20h30

– TROLLS 2 DUB (UNIVERSAL)

  • ANIMAÇÃO – Dublado – Livre – Duração: 100min.
  • Qui., Sex., Seg., Ter., Qua.: 15h15
  • Sáb., Dom., Feriado: 15h15

– MULHER MARAVILHA 1984 DUB (WARNER BROS)

  • AÇÃO – Dublado – 12 Anos – Duração: 151min.
  • Qui., Sex., Seg., Ter., Qua.: 17h30
  • Sáb., Dom., Feriado: 17h30

SALA 02

– MULHER MARAVILHA 1984 DUB (WARNER BROS)

  • AÇÃO – Dublado – 12 Anos – Duração: 151min.
  • Qui., Sex., Seg., Ter., Qua.: 16h30 – 20h00
  • Sáb., Dom., Feriado: 16h30 – 20h00

SALA 03

– MULHER MARAVILHA 1984 DUB (WARNER BROS)

  • AÇÃO – Dublado – 12 Anos – Duração: 151min.
  • Qui., Sex., Seg., Ter., Qua.: 15h00 – 18h30
  • Sáb., Dom., Feriado: 15h00 – 18h30

SALA 04

– MULHER MARAVILHA 1984 2D DUB ATMOS (WARNER BROS)

  • AÇÃO – Dublado – 12 Anos – Duração: 151min.
  • Qui., Sex., Seg., Ter., Qua.: 16h00 – 19h30
  • Sáb., Dom., Feriado: 16h00 – 19h30

MULHER MARAVILHA 1984

Avançando para a década de 1980, a próxima aventura da Mulher-Maravilha nos cinemas a coloca frente a dois novos inimigos: Max Lord e Mulher-Leopardo. A sequência, estreia nesta quinta (17) nos cinemas, após ser adiada várias vezes pela pandemia de covid-19.

Sobre o autor

Mary Queiroz é radialista e cinéfila, apresenta o Programa Clube do Filme, todos os sábados a partir das 13h, junto com o radialista Edson Santos pela Rádio Cultura do Nordeste 96,5 FM. Sugestões: [email protected]

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