Notícias de Caruaru e Região

RECADOS DAS URNAS – Por Malude Maciel

Na foto: A escritora Caruaruense Malude Maciel
Malude Maciel

Basta sensibilidade e atenção políticas para compreender os recados das urnas eleitorais. Sim; os cidadãos estão fazendo o dever de casa e procurando dar seu parecer da melhor forma, quando sabem que disso depende seu futuro.

Antes, eram os votos de cabresto, em troca de dentaduras ou favores; agora está havendo uma conscientização, apesar de que ainda fica muito a desejar; porém os passos estão largos no caminho da Democracia plena.

Nessa última eleição vimos a olho nu, recado não expresso mas teclado, como manda o figurino das urnas eletrônicas, infelizmente. Ou seja, o povo mostrou escancaradamente que não aceita certos tipos de candidatos nem partidos sem qualificação. Aliás, o número de siglas no Brasil é impressionante, 77 partidos, desnecessariamente; servem mais para confundir do que esclarecer o eleitor. Talvez por interesse na verba que cada um recebe para a Campanha as filiações crescem assustadoramente. Duas vertentes é o suficiente para um pleito legítimo e consciente.

A Legislação eleitoral bem que poderia ajustar alguns pontos desatualizados e prejudiciais ao longo do tempo, porém essas providências são tão remotas que “morrem os burros e quem os tangem”. Nem por isso poderemos deixar de cobrar pelos nossos representantes na Câmara e no Senado pressões ao TSE a fazer mudanças cabíveis, como a impressão do voto para conferência.

O voto no Brasil é obrigatório por lei, mas na prática tornou-se facultativo pela facilidade de justificar a ausência do eleitor nos pontos de votação e pelo descaso que o mesmo está demonstrando ao processo seletivo. Muita gente se absteve dessa obrigação por puro inconformismo com os postulantes, as urnas eletrônicas que causam desconfiança e o sistema ultrapassado de serem os mesmos sem renovação.

Considerando a situação causada pelo Coronavírus, quando muitos não saíram de casa, houve grande registro de abstenção, mesmo omitindo atualização dos números de infectados. O sinal é claro que algo está precisando de ajuste, de diálogo, de maneira satisfatória ao eleitor. Alguém tem que ceder. O povo cansou da mesmice, das mesmas caras e mesmos discursos e promessas vãs. Se o número de votos nulos e brancos são maiores do que os válidos, há necessidade premente de nova eleição, outras chapas e Legislação vigente dando respaldo a essas possibilidades. Isso é modernismo, avanço, novidades a serem apresentadas e aprovadas. Ninguém quer mais votar no menos ruim. Se não agrada, não vota e pronto.

No Recife ocorreu um segundo turno acirrado; para não ser o PT, a maioria teve que driblar o jogo.

Outro questionamento é o fato de que não existe critério para alguém postular um cargo público, coisa que para se assumir quaisquer vagas na área privada precisa de triagem: provas de títulos, alfabetização, moral ilibada, etc. Se o candidato estiver respondendo na Justiça será logo descartado. Imagine num Executivo e Legislativo que conduzirão destinos de cidadãos por quatro anos. Mas, para que essas coisas aconteçam primeiramente haveria uma Lei especificando e fica muito difícil, porque não há interesse dos legisladores.

Também o caso de reeleição é outro ponto a discutir e tomar posições. Da maneira que está muitos se perpetuam num cargo como se fosse seu dono. Penso que nem tanto nem tão pouco, apenas uma reeleição desde Presidente da República até vereador.

É isso. Surgem opiniões e sugestões de quem se preocupa com aperfeiçoamentos nos quadros políticos, pois a Política vive intrínseca ao nosso cotidiano. Não podemos simplesmente fechar os olhos em conformação ou reclamar pois o que está bom pode ficar melhor. Cada indivíduo deve opinar, criticar e dar seu palpite para que as coisas sejam melhoradas. Isso é engajamento social. Porém, cabe às autoridades, ler e estudar as expressões dos seus subordinados a fim de realizar sua vontade como de direito.

Nessas particularidades são conhecidos os grandes estadistas ou apenas os poderosos da vez. Tudo passa.

 

Sobre a autora:

Maria de Lourdes Sousa Maciel se tornou “Malude” porque seus irmãos não sabiam dizer seu nome completo, como sua mãe insistia. Se tornou poetisa, escritora (Reminiscências de Malude em Prosa e Versos foi seu segundo livro publicado. O primeiro livro publicado intitula-se : No Meu Caminho.) é membro da Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras – ACACCIL. Ocupa a Cadeira 15, que tem como patrono a Profa. Sinhazinha.

 

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.