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Clube do Filme entrevista Túlio Beat


O representante do audiovisual eleito!

Mary Queiroz
Mary Queiroz

Nesta entrevista, Túlio Beat conta um pouco sobre sua trajetória e inserção no mercado audiovisual em Pernambuco, sobre a importância do audiovisual no Conselho de Cultura em Caruaru para a visibilidade e incentivo a novas produções cinematográficas.

Túlio Beat é produtor cultural, realizador audiovisual, roteirista, ator, diretor (Cinema e Teatro), agente de projetos sociais, oficineiro e diretor artístico da Cia Bacurau Cultural. Integra a RIPA – Rede Interiorana de Produtores, Técnicos e Artistas de Pernambuco, é associado a ABD/APECI – Associação Brasileira de Documentaristas de Pernambuco/Associação Pernambucana de Cineastas, associado a ASFOC – Associação dos Forrozeiros e Trios Pés de Serra de Caruaru e integra o Coletive – União de Profissionais LBGTQUIA+ do Audiovisual. Em dezembro de 2020, foram eleitos os novos membros do Conselho Municipal de Política Cultural de Caruaru (CPMC). Representando o Audiovisual, agora temos, o produtor Túlio Beat e como suplente o diretor Paulo Conceição, eleitos por unanimidade. Paulo Conceição é premiado realizador audiovisual, ator, maquiador, criador do FestCine Itaúna e foi recentemente homenageado com Voto de Aplauso pela ALEPE – Assembleia Legislativa de Pernambuco por sua atuação na produção audiovisual em Caruaru-PE, principalmente com estudantes da zona rural.

Tulio Beat
Tulio Beat

MARY QUEIROZ – Vamos começar com uma pergunta bem básica. Quem é Túlio Beat?

TÚLIO BEAT – Sou de Recife, filho de empregada doméstica e pai falecido, tive uma infância bastante humilde na Favela Buraco Fundo (literalmente). Pobre não tem a liberdade de optar por carreira artística, a realidade não deixa, o pão na mesa vem primeiro. Trabalhei desde muito cedo e só na adolescência pude me dar o direito de me expressar artisticamente. Mas isso sempre foi um anseio.

MARY QUEIROZ – Quando criança, alguém te incentivou a ver filmes e peças teatrais?

TÚLIO BEAT – Sempre gostei de ler e amava acompanhar as críticas dos filmes nos jornais, filmes que só veria anos depois na TV. Tinha pasta com recortes e comprava revistas em sebos. Eram tesouros. Fazer cinema era algo impensável, sonho muito distante. Acho que a genética tem culpa também, meu pai, escrevia poesias e deixou um livro manuscrito para cada filho.

MARY QUEIROZ – Como foi seu despertar para atuar como produtor no teatro e no cinema?

TÚLIO BEAT – Em 1999, iniciei Artes Cênicas na Escola de Artes João Pernambuco (Recife – PE), sob a direção de Fred Nascimento (Grupo Totem), Patrícia Barreto e Tatiana Pedrosa Leal. Minha primeira peça foi “Quando Despertarmos de Entre os Mortos” (Henrik Ibsen). Foi uma experiência muito louca com o ator e poeta Miro Ribeiro (Grupo de Teatro Longânime). O texto era complexo pra iniciante, tinha muito simbolismo. Foi uma tragédia, péssima atuação (rs), mas evoluímos muito. Fiz ainda “Os Fuzis da Senhora Carrar” (Bertold Brecht), o experimento performático “Tupy or not Tupy” (Oswald de Andrade) e realizei duas exposições fotográficas autorais “Fragmentos” (com a Aurora Filmes) e “Flores de Um Longo Inverno” em 2014. Considero esse experimento, o “Tupy or not Tupy” meu despertar como artista profissional, pois, pela autonomia dos diretores, tive total liberdade para estudar, explorar e construir algo com muita verdade. Foi insano! Em 2014, após concluir Comunicação Social, venho passar uma semana em Caruaru que dura até hoje. A convite do meu primo, o jornalista e ator Herton Sanchez, conheci o TEA-Teatro Experimental de Arte e produzi muita coisa. O TEA é um laboratório e foi onde pude explorar o autoral sem medo. Fiz curadoria do CineClube TEA (com Zanna Oliveira Galo e Luis Simão) sob produção de Arary Marrocos; apresentei a performance “Vagabunda Letrada” (sobre Florbela Espanca) e integrei o espetáculo “O Auto da Compadecida” de Ariano Suassuna. Me aperfeiçoei como ator.

MARY QUEIROZ – Fazendo um passeio pela sua contribuição para o teatro e cinema aqui em Caruaru e região, quais produções você destacaria e em quais você foi o produtor e diretor?

TÚLIO BEAT – Em 2015, tive minha primeira experiência com direção e produção no espetáculo “Show de Horrores da Baby Jane” (baseado no texto de Henry Farrell que originou o filme “O Que Terá Acontecido com Baby Jane?”). Um elenco enorme, muito texto, figurino e maquiagem de época, muita trilha, luz complexa…já tava me preparando pro cinema. Foi um sucesso! Aprendi muito. Principalmente que ator é bicho complicado e que produtor não dorme. Motivado por essa produção, crio minha própria companhia: a Cia Bacurau Cultural – um grupo misto de artistas que produz cinema, teatro, cursos, oficinas e performances no agreste pernambucano.

No ano seguinte, me sinto seguro pra explorar minha real paixão – o cinema. Roteirizo e dirijo “Madalena” – conta a história de um homem que fica arrebatado por uma prostituta, uma atração além do carnal. No elenco principal, Herton Sanchez e Luciana Baptysta. Foi uma loucura. Tínhamos só R$ 200,00, zero noção de técnica, som, todo mundo no mesmo barco em descobrir e explorar junto. Gosto muito desse meu curta. Logo após, dirijo o terror psicológico “Dia de Caçador” onde o ator Edson Barros e a atriz Bruna Santos dão um show. Fiz esse filme pra um concurso de vídeos. Deu muito certo. Estreou no Festival de Cinema de Caruaru e mais outros dois de Pernambuco. Fizemos sem produtora, novamente sem técnica e tivermos muito problema de som. Mas foi uma experiência única, divertidíssima. Aprendi demais, principalmente a editar melhor. Fiz muito curso, participei de muita produção de publicidade e curtas de amigos em Caruaru. Sempre estou produzindo alguma coisa. Aí fui convidado a participar da equipe de produção do longa-metragem “Carro Rei” de Renata Pinheiro. Aceitei na hora e larguei até o emprego. Foi muito enriquecedor, porque pude participar do processo inteiro, da pré até a desprodução: auxiliei na produção de locação, produção de elenco, produção de set, figuração, produção geral, etc. Foram 03 meses intensos, rotina puxada e aprendi demais. Logo após, produzi com o diretor Paulo Conceição o I FestCine Itaúna na zona rural de Caruaru; venci o 1º CineMão Caruaru com o filme “Paixão”, produzi o curta de comédia “Câmera de Vigilância”, participo da produção do Festival de Cinema de Caruaru, faço a direção de arte e produção do curta “A Escolha” de Petryk Lucas, produção e direção de arte do curta-metragem “Ponto” de Edvaldo Santos e Luciano Torres e na produção executiva do documentário “Açude Nº 50” de Paulo Conceição.

Acesse os links e confira: Madalena (2016), Dia de Caçador (2017) e Câmera de Vigilância (2019).

  • https://youtu.be/JjDjuk3_Kvc
  • https://youtu.be/2F0H-0Hu61c
  • https://youtu.be/g9zUSrF7omo

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MARY QUEIROZ – Agora no final de dezembro de 2020, você foi eleito como o novo Representante do Audiovisual no Conselho de Cultura de Caruaru/Pe. Fale sobre esta conquista e responsabilidade, destacando a importância do audiovisual ser bem representado no Conselho de Cultura.

TÚLIO BEAT – Foi muito simbólico conquistar essa representatividade. Algo muito além do que imaginei, mas compreendo como um grande desafio. Participo de diversas organizações da classe e acompanho as discursões: Coletive – União de Profissionais LBGTQUIA+ do Audiovisual, ABD/APECI – Associação Brasileira de Documentaristas de Pernambuco/Associação Pernambucana de Cineastas e RIPA – Rede Interiorana de Produtores, Técnicos e Artistas de Pernambuco. Nunca o setor audiovisual esteve tão fragilizado. Uma representação forte, atuante e acessível faz-se necessário.

MARY QUEIROZ – O audiovisual é um setor específico da Cultura que mais está sofrendo com a pandemia da Covid 19. Como o Conselho de Cultura pode auxiliar os produtores na realização de seus filmes?

TÚLIO BEAT – Nunca precisamos tanto do tão sonhado Fundo Municipal de Cultura, editais ao modelo do Funcultura e fomento as produções locais. Tem muita gente começando e apoio é fundamental. Esse modelo simplificado de inscrição e análise utilizado pelo Estado para o Aldir Blanc pode servir de parâmetro. Contamos com o diálogo com a Fundação de Cultura nesse biênio e ações concretas.

MARY QUEIROZ – Como você analisa o momento vivido pelo audiovisual brasileiro, levando em consideração crise política, econômica e período pandêmico?

TÚLIO BEAT – Percebe-se um desmonte do audiovisual, algo institucionalizado pelo Governo Federal. Tivemos diversas provas disso: sucateamento e uso político da Ancine, atraso e cancelamento de editais, destruição da Cinemateca Brasileira, propostas de censura prévia… A pandemia só veio potencializar esses problemas. O governo do Estado também fez pouco, não houve nenhum edital específico para o setor, apenas a execução da Aldir Blanc. O acesso a esse recurso ainda esbarrou em muita burocracia, nenhuma celeridade e falta de estratégia. Muitas produções foram paralisadas; rolou “vaquinha” online pra socorrer profissionais em PE; muita gente adoecida sem direitos, já quase ninguém é registrado (há grande fragilidade nos vínculos trabalhistas); cineclubes e festivais tiveram que se readaptar em edições virtuais.

MARY QUEIROZ – Faz pouco mais de 8 anos, que venho tendo a oportunidade de acompanhar e consumir filmes feitos aqui em Caruaru. Também percebo que houve um crescimento nas produções caruaruense. O que está faltando para Caruaru se tornar um polo de produção cinematográfica no Nordeste?

TÚLIO BEAT – Fazer cinema é caro, exige investimento, conhecimento e estratégia. Temos ótimos diretores, atores, locações, produtoras, mas para se tornar um polo de produção cinematográfica, falta estrutura e investimento para que isso aconteça. É possível. Cinema gera renda, movimenta a economia e gera empregos. Tem que ser enxergado como investimento estratégico.

MARY QUEIROZ – Que conselho daria a quem quer seguir carreira no cinema ou no audiovisual?

TÚLIO BEAT – Estude, faça cursos e explore. É bem mais fácil fazer cinema hoje que a 10 anos atrás: muito curso gratuito, tecnologias acessíveis, plataformas de distribuição gratuita, muitos cineclubes e festivais. Comece consumindo cinema, alimentando essa paixão, leia sobre cinema e se junta com quem tá produzindo na sua cidade. É um bom começo.

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MARY QUEIROZ – Que rumos o cinema seguirá daqui para a frente, na sua visão?

TÚLIO BEAT – Estou gostando de ver o alcance que produções “pequenas” e de baixo orçamento tem conseguido no mainstream. Creio que o OSCAR começou a abraçar o cinema independente e premiá-lo. “Juno” e “Little Miss Sunshine” são exemplos disso. Também no aumento de visibilidade das diretoras que sempre foram esquecidas pelo machismo da indústria. Mais mulheres na direção faz o cinema mais plural, mais forte, com mais verdade. Temos que lutar pra diminuir, até anular, essa desigualdade de gênero no acesso aos recursos pra produção audiovisual. Como exemplos a nível Hollywood temos “First Cow” e “Nomadland” que representam bem isso – filmes dirigidos por mulheres e de baixo orçamento que ganharam a maioria das premiações no mundo. A urgente reparação histórica aos negros é outro ponto fundamental para um cinema do futuro, tanto nas representações, premiações, acesso igualitário aos recursos, entre outros.

MARY QUEIROZ – Quero agradecer sua total atenção e gentileza com o Clube do Filme e o Jornal de Caruaru, lhe desejando sucesso com o trabalho a ser realizando no Conselho de Cultura, também deixando o espaço para suas considerações finais.

TÚLIO BEAT – Agradeço enormemente a atenção e o carinho do Clube do Filme e do Jornal de Caruaru. Vocês desempenham um papel importante de comunicar, divertir e compartilhar essa paixão pelo Cinema.

Para mais informações, acesse https://bacurau.wordpress.com/category/cinema/

PROGRAMA CLUBE DO FILME

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No programa Clube do Filme deste sábado, 16 de janeiro de 2021, terceiro programa do ano, às 13h pela Rádio Cultura do Nordeste 96,5 FM/1130 AM, apresentado por Edson Santos e Mary Queiroz, tem como tema “CARRO REI: PERNAMBUCO NO FESTIVAL DE ROTERDÔ. Nos estúdios da Rádio, participação do Ator Caruaruense Adélio Lima e Renata Pinheiro (Diretora do longa).

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PROGRAMAÇÃO DO PLANET CINEMAS (Shopping Difusora)

As salas de exibição continuam sem funcionar em face das medidas restritivas da Pandemia do Covid-19

PROGRAMAÇÃO DO CENTERPLEX CINEMAS CARUARU

PROGRAMAÇÃO SEM NOVIDADES ESTA SEMANA!

CARUARU 01

– UM TIO QUASE PERFEITO 2 NAC (H2O)

  • COMÉDIA – Nacional – Livre – Duração: 102min.
  • Qui., Sex., Seg., Ter., Qua.: 15h30
  • Sáb., Dom., Feriado: 15h30

– LEGADO EXPLOSIVO DUB (WMIX)

  • AÇÃO – Dublado – 14 Anos – Duração: 100min.
  • Qui., Sex., Seg., Ter., Qua.: 18h00 – 20h30
  • Sáb., Dom., Feriado: 18h00 – 20h30

SALA 02

– MULHER MARAVILHA 1984 DUB (WARNER BROS)

  • AÇÃO – Dublado – 12 Anos – Duração: 151min.
  • Qui., Sex., Seg., Ter., Qua.: 16h00 – 19h30
  • Sáb., Dom.: 16h00 – 19h30

SALA 03

– TROLLS 2 DUB (UNIVERSAL)

  • ANIMAÇÃO – Dublado – Livre – Duração: 100min.
  • Qui., Sex., Seg., Ter., Qua.: 16h30
  • Sáb., Dom.: 16h30

– MULHER MARAVILHA 1984 DUB (WARNER BROS)

  • AÇÃO – Dublado – 12 Anos – Duração: 151min.
  • Qui., Sex., Seg., Ter., Qua.: 19h00
  • Sáb., Dom.: 19h00

SALA 04 (ATMOS)

– MULHER MARAVILHA 1984 2D DUB ATMOS (WARNER BROS)

  • AÇÃO – Dublado – 12 Anos – Duração: 151min.
  • Qui., Sex., Seg., Ter., Qua.: 15h00 – 18h30
  • Sáb., Dom.: 15h00 – 18h30
Sobre o autor

Mary Queiroz é radialista e cinéfila, apresenta o Programa Clube do Filme, todos os sábados a partir das 13h, junto com o radialista Edson Santos pela Rádio Cultura do Nordeste 96,5 FM. Sugestões: [email protected]

1 comentário
  1. Edson Santos Diz

    Excelente entrevista. Túlio é daquelas pessoas que emana carisma por onde passa. SUCESSO SEMPRE para vc, amigo!

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