Notícias de Caruaru e Região

‘Livro-bomba’ de Eduardo Cunha está pronto e fará revelações sobre o impeachment de Dilma

Ex-deputado Eduardo Cunha, preso em Curitiba na Lava Jato (Adrino Machado/Reuters)
Ex-deputado Eduardo Cunha, (Adrino Machado/Reuters)

O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha prepara o lançamento do seu livro ‘Livro-bomba’ chamado “Tchau Querida, O Diário do Impeachment” sobre a história “não contada” da queda de Dilma.

Além de narrar o avanço do impeachment de Dilma com reconstituição das articulações dia a dia, Cunha vai revelar detalhes aterradores, segundo a revista Veja, dos conchavos que marcaram a queda da petista.

No livro, Cunha fala da atuação dos petistas no período, do ex-juiz Sergio Moro e do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, mas dois personagens são especialmente “dissecados”. O primeiro é ex-presidente Michel Temer e o segundo é o atual presidente da Câmara Rodrigo Maia.

Cunha conta em detalhes como Temer atuou ativamente para tomar o lugar da petista. Segundo a revista, ele ainda é pintado por Cunha como o “grande conspirador” do impeachment.

Já sobre Maia, Cunha descreve ele, que hoje aliado do PT contra o presidente Jair Bolsonaro, como um “personagem desesperado pelos holofotes” do impeachment de Dilma. Alguém que “queria todas as posições para ele”.

De acordo com Cunha, Maia lutou tanto para cassar Dilma que quase chegou a atrapalhar o plano em curso ao disputar com Jovair Arantes o posto de relator da Comissão Especial do Impeachment.

Cunha vetou Maia por achar que ele não tinha força para o posto de relator da Comissão Especial do Impeachment de Dilma.

‘Livro-bomba’

“Tchau Querida, O Diário do Impeachment” terá 740 páginas que prometem reabrir muitas feridas de 2016. A obra está em fase de revisão textual enquanto Cunha decide qual editora publicará.

Três disputam a obra. O ex-presidente da Câmara deve fechar com a Matrix Editora.

Impeachment de Dilma Rousseff

Dilma Rousseff
Ex- presidente Dilma Rousseff

O impeachment de Dilma Rousseff consistiu em uma questão processual aberta com vistas ao impedimento da continuidade do mandato de Dilma Rousseff como presidente da República Federativa do Brasil. O processo iniciou-se com a aceitação, em 2 de dezembro de 2015, pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, de uma denúncia por crime de responsabilidade oferecida em 15 de outubro de 2015 pelo procurador de justiça aposentado Hélio Bicudo e pelos advogados Miguel Reale Júnior e Janaina Paschoal, e se encerrou no dia 31 de agosto de 2016, resultando na cassação do mandato de Dilma. Assim, Dilma Rousseff tornou-se a segunda pessoa a exercer o cargo de Presidente da República a sofrer impeachment no Brasil, sendo Fernando Collor o primeiro em 1992.

As acusações versaram sobre desrespeito à lei orçamentária e à lei de improbidade administrativa por parte da presidente, além de lançarem suspeitas de envolvimento da mesma em atos de corrupção na Petrobras, que eram objeto de investigação pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Lava Jato. Havia, no entanto, juristas que contestavam a denúncia dos três advogados, afirmando que as chamadas “pedaladas fiscais” não caracterizaram improbidade administrativa e que não existia qualquer prova de envolvimento da presidente em crime doloso que pudesse justificar o impeachment.

A partir da aceitação do pedido, formou-se uma comissão especial na Câmara dos Deputados, a fim de decidir sobre a sua admissibilidade. O roteiro começou com os depoimentos dos autores do pedido e teve seguimento com a apresentação da defesa de Dilma. Enquanto isso, manifestações de rua a favor e contra o impedimento ocorriam periodicamente em todo o país.

O relatório da comissão foi favorável ao impedimento da presidente Dilma: 38 deputados aprovaram o relatório e 27 se manifestaram contrários. Em 17 de abril, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou o relatório com 367 votos favoráveis e 137 contrários. O parecer da Câmara foi imediatamente enviado ao Senado, que também formou a sua comissão especial de admissibilidade, cujo relatório foi aprovado por 15 votos favoráveis e 5 contrários. Em 12 de maio o Senado aprovou por 55 votos a 22 a abertura do processo, afastando Dilma da presidência até que o processo fosse concluído. Neste momento, o vice-presidente Michel Temer assumiu interinamente o cargo de presidente. Em 31 de agosto de 2016, Dilma Rousseff perdeu o cargo de Presidente da República após três meses de tramitação do processo iniciado no Senado, que culminou com uma votação em plenário resultando em 61 votos a favor e 20 contra o impedimento. Porém, em seguida, o Senado rejeitou, por 42 votos a 36, a inabilitação de Dilma para exercer cargos públicos por oito anos, conforme previa a constituição. No entanto, tempos depois, um ministro do STF admitiu que o impeachment de Dilma foi um tropeço da democracia.

Teve senador que depois fez declaração pública pedindo desculpas a Dilma por ter votado favorável ao impeachment: “Foi o maior erro da minha vida”

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.