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Coluna de T.I – Starlink de Elon Musk – Por João Luís

O assunto mais quente em tecnologia da informação nesse ano é a Starlink. Mas qual a razão para toda a euforia?

João Luis Gregório e Silva
João Luis Gregório e Silva

Primeiro, vale uma explicação sobre o empresário Elon Musk. Ele é considerado como o capitalista mais rico do mundo desde 2020. Suas empresas atuam em vários segmentos. Porém, dois segmentos são o pote de oito de Musk: Engenharia Aeroespacial e Internet via satélite. Esses são representados pela empresa SpaceX e o projeto Starlink, respectivamente. A SpaceX fabrica foguetes e tem alguns parceiros, os quais, coordenam a operação de lançamento, incluindo a própria NASA.

No dia 23 de maio de 2019 a, SpaceX lançou 60 satélites Starlink na Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, na Flórida. Cerca de uma hora e dois minutos após o lançamento, os satélites Starlink começam a ser utilizados a uma altitude de 440 km acima da Terra.

Elon Musk está construindo uma teia de satélites que deve circular o planeta nos próximos 5 anos. Sua intenção é formar uma estrutura para fornecer links de performance intermediária para “todas as regiões” da Terra. Assim, você poderá acessar a internet desde uma residência em Caruaru até numa prova de rally no Deserto de Kalahari. Quando a estrutura estiver complete, teremos 17000 satélites em uso. Por enquanto são apenas 1600 em órbita. Cada satélite Starlink pesa aproximadamente 260 kg e possui um design de painel plano que possui múltiplas antenas de alto rendimento e um único painel solar.

O acesso usará uma simples antena parabólica, um motor direcional para ajustar a recepção e um decodificador de frequências de ondas eletromagnéticas em sinais digitais. Na verdade, esse método de link por satélite já existe há décadas. O eixo de inovação na tecnologia da Starlink está demonstrado em dois pontos.

O primeiro e mais importante é a baixa latência na conexão. Isso é possível graças ao novo modelo de satélites da Starlink. Esse modelo fica em uma orbital em torno de 450km de altitude. Essa distância na verdade é considerada como muito baixa para a maioria dos satélites atuais. A NASA define essa altitude pela sigla LEO ((Low Earth Orbit).

A maior concorrente da empresa de Musk é a Hughes. A Hughes tem um modelo de satélite mais antigo. A concorrente de Musk usa satélites com órbitas elevadas, de até 5000km de altitude. Essa órbita elevada permite uma abrangência maior em razão da área de cobertura. Porém, essa mesma órbita provoca um atraso na transmissão, normalmente denominado de latência. Assim, a Hughes pode atender um número maior de clientes com casa satélite em órbita, porém, a performance que se atinge ainda é péssima.

Foto de Elon Musk, CEO da SpaceX.
Foto de Elon Musk, CEO da SpaceX.

Enquanto a Hughes normalmente fornecer links com uma performance de 15Mbps, a Starlink promete de 150 até 1000Mbps a depender da localidade. Em janeiro de 2021, a performance real estava em 50Mbps. Na prática, a solução da Starlink fornecer um número menor de clientes por satélite, mas com uma qualidade de transmissão muito superior.

O segundo ponto de destaque está na facilidade de instalação. Isso porque o equipamento é muitíssimo fácil de instalado, o que permite que o usuário faça ele mesmo o serviço, sem contratar um técnico ou empresa.

A Starlink está em operação real em poucos lugares, sendo a maioria no Reino Unido. Estimasse que haja 15000 clientes usando o link de Musk desde janeiro último. Entretanto, o projeto prevê uns 5 milhões de clientes conectados em 2026. Já existem 700 mil pessoas na fila de espera só nos EUA. Por esse motivo, a FCC (Comissão Federal de Comunicações dos EUA) liberou 1 milhão de links para a fase comercial inicial. Lembrando que ainda estamos na fase beta de testes.

Vamos trazer essa tecnologia para o Brasil? Essa pergunta está enlouquecendo os engenheiros na Anatel. Como tudo que tem com um perfil de lançamento, o link da Starlink esbarra em dois obstáculos. O primeiro é o alto custo do kit (antena, motor e decodificador) que está em acima de R$ 2500. O outro obstáculo é a mensalidade do serviço, a qual, custa R$ 500 ao mês. Assim, em 24 meses, no mínimo custaria uns 5000 reais! Muito caro para a maioria! E esses valores são apenas uma conversão direta dos valores em dólares divulgados nos EUA. Pode ser que com a nossa estrutura fiscal, esse valor total seja ainda maior!

Como todas as inovações, sempre ocorre muito agito nos meios de comunicações de massa, entretanto, devemos perceber que essa solução da Starlink só haverá de aquisição se o cliente residir num local com péssimos serviços de conexões, o que é mais provável em áreas rurais ou longe das cidades grandes. Uma chuva de críticas ruins está surgindo sobre o fato de a atmosfera se tornar um “lixo sideral” com uma enorme quantidade de equipamentos em órbita, além, claro do risco de futuras quedas desses equipamentos em áreas habitadas. Só por uma curiosidade de mercado, a SpaceX vale hoje US$ 50 bilhões, ou 260 bilhões de reais. Outra área de atuação de Musk é a automotiva, porém, esse tema está por enquanto, fora do contexto dessa coluna.

Sobre o autor

JOÃO LUIS GREGORIO E SILVA Nascido em Recife. Especialista em Planejamento e Gestão Organizacional (UPE), Graduado em Gestão de Negócios (UniFBV), Especializando em Engenharia de Software (FAMEESP), Técnico em Informática (Unibratec). Funcionário da Secretária de Administração de Pernambuco e Consultor nas áreas de negócios e implantação de T.I. Autor de alguns livros, entre eles: Arquitetura em nuvem (Ed. Amazon DKP/EUA/ISBN 979-8639064012); Matemática Financeira Fundamental (Ed. Amazon DKP/EUA/ISBN 979-8639411632); Contabilidade e gestão para executivos (Ed. Clube de Autores/Brasil); Economia fundamental (Ed. Clube de Autores/Brasil).Contato: [email protected]

 

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