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Coluna de Tecnologia da Informação: Conceitos de sistemas – Por João Luis Gregório e Silva

João Luis Gregório e Silva
João Luis Gregório e Silva

Essa coluna visa esclarecer a história, a evolução e os recursos atuais da área das tecnologias da informação. Diariamente somos cercados pelos “sistemas”. Do latim systema, um sistema é um conjunto ordenado de elementos que se encontram interligados e que interagem entre si. O conceito é utilizado tanto para definir um conjunto de conceitos como objetos reais dotados de organização. Um sistema está dotado de metas para conseguir um objetivo.

Além da interação dos elementos devem ter um objetivo, sendo compartilhado ou não. Os sistemas também estão dotados de entradas e de saídas. Os sistemas tomam entradas, as processam e assim geram uma ou mais saídas. Isto forma um conjunto de partes ou elementos organizados e relacionados entre si. Eles recebem entrada de dados, de energia ou material do ambiente e provém a saída, que é a informação, a energia ou matéria.

Classificamos como físico (uma televisão, um computado, um ser humano) ou também pode ser abstrato como, por exemplo, um programa de computador. Ele tem limites que o diferencia do ambiente, sendo que esse pode ser físico (um gabinete de um computador) ou pode ser apenas conceitual. Se existe algum intercâmbio entre o sistema e o ambiente através deste limite, então, é considerado como “aberto” e, se ocorre justamente o contrário, será considerado como “fechado”.

Assim, o “ambiente” é o meio externo que envolve o mesmo de forma física ou conceitual. Todos eles devem ter uma interação total com o ambiente, do qual recebe os dados/entradas e ao qual devolve um resultado/saída. Muito importante saber que um grupo de elementos não pode constituir um sistema se não existe algum tipo de interação entre eles. Existe atualmente a noção de sistema de informática. Este tipo diz respeito ao conjunto de hardware, software e suporte humano que pertencem a uma empresa ou para o uso doméstico.

No âmbito empresarial temos o sistema integrado, qual faz a integração dos departamentos de uma organização, bem como de seus processos (internos e externos). Desse modo, é possível alinhar esses setores a fim de que um ou mais objetivos sejam alcançados, tais como o aumento da produtividade, por exemplo.

É impossível ignorarmos a “A Teoria Geral de Sistemas”. Que por sua vez, é o estudo interdisciplinar que procura as propriedades comuns a estas entidades. O seu desenvolvimento começou em meados do século XX, com os estudos de Karl Ludwig von Bertalanffy. É considerada como uma metateoria que parte do conceito abstrato para encontrar as regras de valor geral.

Apesar de o “Pai da Ciência da Computação” ser considerado o britânico Alan Mathison Turing, ainda assim, não podemos ignorar a enorme contribuição do biólogo Karl Ludwig von Bertalanffy. Suas teorias são fundamentais, seja nas tecnologias da informação, seja em quaisquer outras das ciências modernas. Assim, não haveriam os sistemas de informática sem os conceitos herdados de Bertalanffy. Mas, finalmente o que ele fez de tão importante? Vamos detalhar um pouco de sua vida e suas respectivas teorias…

Karl Ludwig von Bertalanffy
Karl Ludwig von Bertalanffy

Karl Ludwig von Bertalanffy foi um biólogo austríaco, nascido em 1901, desenvolveu os seus estudos em Biologia, interessando-se pelo desenvolvimento dos organismos. Ele sempre foi contrário às teorias mecanicistas mundiais e das ciências vigentes na época. Na década de 1930 desenvolve o fundamental da sua teoria: o ser humano e os animais funcionam como um todo, como um sistema. Em 1950 publica uma série de artigos onde desenvolve a noção de sistema aberto que constituirá a base da “Teoria Geral dos Sistemas”. Em 1954 fundou com um grupo de amigos, a Society for General Systems Research com o objetivo de aprofundar seus estudos. Em 1968 publica a sua obra fundamental – “General System Theory” – onde perspetiva a aplicação da sua teoria à Matemática, às Ciências da Natureza, às Ciências Sociais, etc. Manteve uma intensa atividade na defesa das suas concepções até a data da sua morte, em 1972.

Segundo Bertalanffy: “Estamos presenciando um movimento sui generis no desenvolvimento científico. Parece que, repentinamente, todos os ramos do conhecimento, tornados estranhos uns aos outros pela especialização extremada, começaram a ressentir-se do isolamento em que se encontravam, passando a buscar mais e mais suas bases comuns. Todavia, pela necessidade crescente de estudos interdisciplinares, capazes de analisar a realidade de ângulos diversos e complementares, talvez pela comunicação muito mais rápida e fácil entre especialistas em campos diferentes, começou-se a tomar consciência de que uma série de princípios desenvolvidos nos diversos ramos do conhecimento científico não passavam de mera duplicação de esforços, pois outras ciências já os haviam desenvolvido.”

O que se foi percebendo é que muitos desses princípios e conclusões valiam para várias ciências, na medida em que todas tratavam como objetos que podiam ser entendidos como sistemas, fossem eles físicos, químicos, psíquicos etc.

Em seu famoso livro com o título de “Teoria geral dos sistemas”, esse autor apresenta a teoria e as considerações de suas potencialidades na física, na biologia e nas ciências sociais. No mesmo livro, Bertalanffy lança os pressupostos e orientações básicas, como segue: a) Há uma tendência para a integração nas várias ciências naturais e sociais; b) Tal integração parece orientar-se para uma teoria dos sistemas; c) Essa teoria pode ser um meio importante de objetivar os campos não-físicos do conhecimento científico, especialmente nas ciências sociais; d) Desenvolvendo princípios unificadores que atravessam verticalmente os universos particulares das diversas ciências, essa teoria aproxima-nos do objetivo da unidade da ciência; e) Isso pode levar a uma integração muito necessária na educação científica.

Muitos são os estudiosos que têm procurado aplicar a teoria geral dos sistemas a seus diversos campos. Partindo dessa estrutura histórica, chegamos ao usual termo de “sistematização”.

A sistematização é o estabelecimento de uma ordem que tem como objetivo ter os melhores resultados possíveis de acordo com o fim pretendido. A sistematização pode ser aplicada nas áreas científicas e acadêmicas, mas também há muitas situações da vida cotidiana que envolve certa sistematização para conquistar um objetivo específico.

Assim, não é mais do que a formação de uma organização específica de certos elementos ou partes de algo. Realizar um processo de sistematização significa justamente estabelecer uma ordem ou classificação. A ideia de sistematização se relaciona claramente com os espaços científicos ou acadêmicos de investigação. Sendo menos usado no modelo comercial e mais no modelo de pesquisa. Isto ocorre por causa do modelo científico (uso de metodologia rígida). A sistematização do processo de investigação envolve a facilitação de futuros resultados esperados (cenários tecnológicos), pois assim o investigador (agente de pesquisa) atuante saberá como agir em cada situação. Quando várias pessoas trabalhem na mesma pesquisa, a sistematização pode se fazer presente na organização das tarefas e das responsabilidades de cada um. Isto pode acontecer no ambiente de trabalho, escolar e inclusive nos ambientes informais.

Por enquanto, usamos nosso espaço para definirmos os alicerces dos tais “sistemas”, sejam usados nas ramificações em T.I., ou em qualquer outra área. Nas próximas publicações, detalharemos sobre “Os componentes genéricos de sistemas e a modelagem de sistemas”.

Sobre o autor

JOÃO LUIS GREGORIO E SILVA É funcionário da Secretaria de Administração de Pernambuco, cedido ao Detran/Riomar Shopping no setor de atendimento ao cidadão; Consultor nas áreas de negócios e implantação de T.I.Possui especialização em Engenharia de Software – MBA, Faculdade Metropolitana do Estado de São Paulo (FAMEESP) Contato: [email protected]

 

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