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Clube do Filme entrevista o Crítico, cinéfilo e colecionador de cinema Lúcio Luiz Cordeiro

Mary Queiroz convidou Lúcio para um passeio pelos gêneros dos filmes

Mary Queiroz
Mary Queiroz

Nesta entrevista, Lúcio Luiz Cordeiro fala os detalhes de sua participação e colaboração ao programa Clube do Filme, seu apreço pelo Cinema e pelos gêneros dos filmes.

Lúcio Luiz Cordeiro – Crítico, cinéfilo e colecionador de cinema. Apresentou o Programa Clube do Filme junto com Edson Santos e Filipe Camêlo durante anos. Os três foram pioneiros ao falar e divulgar informações de cinema através das ondas do rádio em Caruaru, com isso criaram uma nova forma de levar entretenimento para a população caruaruense além das telonas.

Lucio Luiz Cordeiro
Lúcio Luiz Cordeiro

MARY QUEIROZ – Nos conte sobre você.

LÚCIO LUIZ CORDEIRO – Nasci em Recife, mas fui adotado por Caruaru. Sou cinéfilo, apaixonado pela Sétima Arte, além de colecionador de filmes. Apresentei o Cine Club, na Caruaru FM e posteriormente o Clube do Filme, na Rádio Cultura, juntamente com Edson e Filipe, parceria que durou 7 anos. Fui também editor, roteirista e diagramador do Jornal e blog Clube do Filme, além de Co-apresentador do Cine Club TV em suas primeiras edições.

MARY QUEIROZ – Você apesar de jovem, têm muitos casos e causos no que se refere a cinema, pois também apresentou o Programa Clube do Filme junto com o radialista Edson Santos e o crítico Filipe Camêlo. Conte para nós como surgiu esta parceira e quais fatos ficaram marcados entre filmes, programas, cabine de imprensa e realização de eventos.

LÚCIO LUIZ CORDEIRO – Bom, era final de 2009 e eu estava fazendo um curso de web designer com Gledson, um amigo nosso em comum e que na época participava do programa juntamente com Edson, Amanda e Alysson. Sabendo disso eu prontamente virei ouvinte assíduo do programa que passava todos os domingos, bem no horário do almoço, meio dia, pela Caruaru FM e ainda se chamava Cine Club. Curiosamente eu conheci primeiro o Filipe, numa viagem até o Recife para assistir Avatar, e posteriormente, já em fevereiro de 2010, Edson me convidou para participar de um programa e acabei ficando por mais 7 anos. Sem dúvidas tivemos muito momentos marcantes juntos, posso pontuar alguns aqui: a idealização do nosso Jornal, blog, o Cine Club TV, a Cinema Aí Vou Eu… Meu Deus, que desafio foi essa promoção pra nós. No começo fomos “esnobados”. Rádios como Liberdade, Globo FM, pareciam ter mais prestígio, mas quando foi a nossa vez e fizemos a primeira edição, lembro-me como se fosse hoje, eu estava na entrada do cinema, recebendo os ouvintes sorteados, quando resolvi olhar como estava a sala, e ela estava ficando lotada, cara, ali eu já sabia o passo gigantesco que estávamos dando. Estivemos também no Cine PE, quando tivemos a oportunidade de estar lá e conhecer vários artistas a nível nacional. Mas sem dúvidas o maior momento (chego a me emocionar) foi ter conhecido Rubens Ewald Filho. Ficamos ali conversando por muitos minutos e isso foi inacreditável. Eu ouvia aquela voz todo ano no Oscar e esse momento será inesquecível pra mim. Outro momento, que acho que pra nós foi inesquecível, foi quando tivemos exclusivas com o pessoal do filme Gonzaga: De Pai pra Filho, parecíamos grandes amigos conversando à beira da piscina e esse também foi um momento surreal, porque as grandes emissoras de TV não estavam tendo o mesmo tratamento que nós, isso foi inacreditável.

“O maior momento (chego a me emocionar) foi ter conhecido Rubens Ewald Filho.”

A minha primeira cabine de imprensa também foi um momento marcante (Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1), saí tão emocionado da cabine que escrevi a crítica ali mesmo, na praça de alimentação, durante nossa conversa.

Já o programa mais marcante foi o meu último. Eu estava enfrentando um quadro de depressão, apesar de ainda não ter ciência disso, não estava mais conseguindo controlar algumas emoções e resolvi que precisava me afastar. Fiz o anúncio ao final do programa, sem que ninguém esperasse por isso. Pra mim foi muito doloroso, mas necessário naquele momento. Eu só vim entender o que eu tinha passado anos depois, quando descobri a depressão. Esse foi realmente um momento bem triste. Mas com certeza, embora esse fato triste, vivemos grandes momentos juntos e somos grandes amigos até hoje.

MARY QUEIROZ – A que você atribui sua paixão pelo cinema?

LÚCIO LUIZ CORDEIRO – Minha paixão pelo cinema vem desde criança. Nós tínhamos o costume de nos reunir na sala e maratonar vários filmes. Rambo, Rocky Balboa, Superman, Caçadores de Emoção, Tomates Verdes Fritos, Uma Linda Mulher, Os Goonies, esses filmes fizeram parte da minha infância. Claro que não posso me esquecer de Dirty Dancing, Ghost, Mudança de Hábito, Caça Fantasmas e A Noviça Rebelde, que são filmes recordistas nas nossas sessões. Hoje, se eu amo cinema, devo certamente a esses filmes que cresci assistindo.

MARY QUEIROZ – Seu despertar como cinéfilo e crítico surgiu naturalmente ou você teve influência de alguém?

LÚCIO LUIZ CORDEIRO – Quando eu estava na faculdade de jornalismo, já tinha a ideia que seria ou da área de esportes ou cinema. Mas eu era paraquedista e conheci Fernando Rocha, na época jornalista esportivo da Globo, que por pouco, quase me convenceu a ir para a área de esportes radicais. Por sorte, anos depois, Edson me convidou ao programa e a paixão pelo cinema falou mais alto.

Acervo de Lúcio Luiz Cordeiro

MARY QUEIROZ – Qual seu género de filme preferido?

LÚCIO LUIZ CORDEIRO – Eu não tenho um gênero preferido. Gosto de filme bom, filme que me deixe uma mensagem, que me faça pensar, e dependendo da vibe, qualquer filme vai. Existem sim gêneros que eu não sou muito fã, mas principalmente os de terror com muita violência explícita. Esses eu viro a cara.

MARY QUEIROZ – Como crítico, explica para a gente a importância dos gêneros cinematográficos e seu impacto na compreensão do espectador.

LÚCIO LUIZ CORDEIRO – Essa é uma pergunta boa, pois muita gente é influenciada pelo gênero do filme sem se quer se dar conta do significado disso.
Os gêneros são o que diferenciam um filme do outro e são, pra mim, boa parte da magia do cinema ou pelo menos, parte da criação dela. Quando o cineasta define a que gênero o seu filme pertence, isso já cria no público expectativas sobre o tipo de filme que ele vai assistir, pois ainda que alguns aspectos variem, eles são padrões usados, ou melhor, são as convenções de gênero, que dão a identidade aquele determinado tipo de filme. Com isso em mãos, a sua compreensão do filme já é influenciada mesmo antes de você assisti-lo, pois, sabendo do gênero, você pode escolher assisti-lo ou não, baseado no seu gosto pessoal.

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MARY QUEIROZ – Você já passou pela experiência de assistir um ou mais filmes e não compreender a proposta devido ao seu gênero? Quais?

LÚCIO LUIZ CORDEIRO – Já, várias vezes! Quem nunca né? (Risos). O que eu amo no cinema, além da sala escura e da imersão que ela nos causa, são as possibilidades que cada experiência lá dentro te traz. Eu posso sair de lá alegre, esperançoso, com novos questionamentos morais e éticos, em êxtase ou posso sair cheio de perguntas, confuso (no bom sentido), tentando entender o que acabei de ver. E nesse sentido eu tenho vários filmes que precisei rever até mais de uma vez pra compreender. Matrix é um exemplo clássico de filme pra ser ver mais de uma vez. Clube da Luta, apesar de não ser assim “complicado”, é um filme que deixa muitas pistas, mensagens subliminares, que eu só vim entender depois que comecei a estudar mais a fundo as camadas do cinema, isso me fez revê-lo várias vezes depois. Mas acho que o filme que me fez bugar mesmo foi Donnie Darko. Talvez até hoje eu não o tenha entendido por completo, apenas me conformei em mentir pra mim mesmo que entendi e tá tudo certo. Vida que segue.

MARY QUEIROZ – Cada gênero cinematográfico moldou ao longo da história do cinema as expectativas do público, deixando-o capaz em imaginar o final de um filme. Levando em consideração o poder de criação artística, quais roteiristas se destacaram por entregar roteiros que trouxeram desfechos surpreendentes?

LÚCIO LUIZ CORDEIRO – Pra mim, nada melhor do que passar um filme inteiro teorizando sobre algo e ser surpreendido ao final, seja por um Plot Twist, um final em aberto ou qualquer outra faceta. Eu tenho dois diretores que se destacam por roteirizar bons filmes e com finais surpreendentes. São eles o Jordan Peele, que fez “Corra” e recentemente “Nós” e o já consagrado Christopher Nolan. Os filmes deles sempre trazem finais que te deixa fazendo perguntas.

MARY QUEIROZ – Quais diretores são excelentes em dirigir qualquer filme, independente de gêneros?

LÚCIO LUIZ CORDEIRO – Quando o assunto é transitar por gêneros o nome que me vem a cabeça e o de Steven Spielberg. Muitos o conhecem por filmes de ficção científica, mas ele assina obras de vários gêneros e que são excelentes filmes. Tubarão (terror, de 1975), Indiana Jones e Os Caçadores da Arca Perdida (aventura, de 1981), E.T. – O Extraterrestre (ficção científica, de 1982), A Lista de Schindler (drama, de 1993). Merecidamente ele é uma lenda na indústria cinematográfica e seus filmes já arrecadaram bilhões em bilheteria.

MARY QUEIROZ – Qual gênero de filme é mais consagrado com o Oscar?

LÚCIO LUIZ CORDEIRO – Se você cair de paraquedas na transmissão de uma cerimônia do Oscar, provavelmente vai ficar perdido se precisar apostar em um filme pra vencer na categoria principal da noite. Mas se você já é um veterano do Oscar, vai perceber que alguns gêneros costumam agradar mais a academia. Nesse quesito os dramas saem disparados na frente. São filmes mais densos, na maioria das vezes retratam o cotidiano de pessoas comuns como a gente, filmes que geralmente são mais realistas. Obras que com certeza você tem algumas que te marcaram.

MARY QUEIROZ – Quais seus diretores favoritos?

LÚCIO LUIZ CORDEIRO – Sem adentrar muito no mérito de cada um, vou listar aqui alguns mesmo sabendo que vou deixar grandes nomes de fora. São eles: Quentin Tarantino, por seu estilo sádico e violento; David Fincher, acho que nunca fez um filme ruim; Christopher Nolan, que sou fã desde a trilogia Batman e a Origem, mas que vem se destacando com seu selo de qualidade onde dificilmente ele erra; Tim Burton, sou fã do seu estilo gótico e sombrio, sempre com aquele ar fantasioso. Além de não poder deixar de citar Francis Ford Coppola, Martin Scorsese, Steven Spielberg e tantos outros que tem obras primas no currículo.

MARY QUEIROZ – Falando em atores, quais se destacam, quando o assunto é dar vida a personagens em filmes diversos?

LÚCIO LUIZ CORDEIRO – O cinema é cheio de grandes atores e pra mim são eles um dos maiores motivos pra querer ver um determinado filme, antes mesmo do gênero e juntamente com diretor. Você pode não gostar de um determinado gênero, mas a presença do seu ator favorito nele já é um convite certo pra você querer assistir. Nesse aspecto, apesar de ter uma lista bastante extensa, tem 4 nomes que me chamam bastante atenção: Tom Hanks e Meryl Streep, Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrence, com certeza são garantia de grandes atuações. Não é à toa, que são presenças constantes em grandes premiações ano após ano.

MARY QUEIROZ – Quais atores são bons em atuar somente em um tipo de gênero?

LÚCIO LUIZ CORDEIRO – Alguns atores parecem ter descoberto a fórmula para fazerem sempre o mesmo papel, independente do filme ou atuar sempre em um mesmo gênero e mesmo assim terem carisma com o público, e mesmo que arrisquem noutros papéis, na maioria dos casos acabam voltando pra sua, digamos, “zona de conforto”. Temos muitos exemplos desses atores: Dwayne Johnson, Vin Diesel, Bruce Willis, Jason Statham que sempre fazem o cara durão e cheio de carisma nos filmes de ação. Já para personagens mais infantilizados e animados, Adam Sandler e Jim Carrey nos filmes de comédia. Ou até mesmo os personagens mais fantasiosos, sempre cobertos por muita maquiagem, vividos por Johnny Deep. Nessa leva eu destacaria Tom Cruise, um ator já veterano que encontrou nos filmes de ação aquilo que ele gosta e sabe fazer de melhor: se entregar. Se ele está em um filme, pode ter certeza que teremos cenas de tirar o fôlego.

MARY QUEIROZ – É possível deixar uma lista com indicações de um filme para cada gênero ou diretor que você considera necessário qualquer cinéfilo assistir?

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LÚCIO LUIZ CORDEIRO – Vou listar aqui 5 filmes em gêneros que gosto e depois mais 2 de diretores que eu indico. O primeiro é O Resgate do Soldado Ryan que é o meu filme de guerra favorito, imersivo, realista e chocante, além de ter Tom Hanks no elenco e Steven Spielberg na direção. Pulp Fiction, um dos top filmes de Quentin Tarantino e que sempre figura em lista de melhores filmes e se encaixa na categoria de drama. O Show de Truman, se encaixa no gênero de ficção, é um filme bem feito, que te conduz através da história do protagonista, te fazendo torcer por ele. Simplesmente perfeito. O Rei Leão. Eu gosto muito de animações e tenho muitas que me marcaram e “Viva – A Vida é Uma Festa” foi uma delas, pois estava passando por um momento delicado da vida, mas não podemos negar que O Rei Leão marcou toda uma geração. E a A Noviça Rebelde. Eu sei que é um filme simples onde o foco está nas músicas e em contar como uma noviça entrou na vida de uma família e mudou completamente a história deles, Mas é um filme baseado em uma história real, é tocante e é o meu musical favorito. As minhas indicações por diretor são: a trilogia O Senhor dos Anéis, de Peter Jackson. Simplesmente a melhor trilogia de todas, na minha humilde opinião e Clube da Luta, de David Fincher. É um filme que merece ser visto por quem ainda não viu e revisto por quem já viu.

MARY QUEIROZ – Para encerrar, gostaria de agradecer seu carinho e atenção com o Clube do Filme e Jornal de Caruaru, deixando o espaço para suas considerações finais.

LÚCIO LUIZ CORDEIRO – Agradeço a você, Mary, pelo convite para falar um pouco dessa minha trajetória. É sempre um prazer falar sobre cinema, uma paixão que temos em comum. Quero também aproveitar para agradecer ao Edson e ao Filipe, parceiros que dividiram comigo tantos momentos e tantos sonhos, e que hoje viraram amigos pra vida, verdadeiros irmãos. Sou muito grato por cada momento. Não posso deixar de agradecer também aos amigos que fizemos nessa trajetória, ouvintes e parceiros que eram nosso combustível diário, sempre nos apoiando em cada nova empreitada. Minha eterna gratidão a todos vocês.

PROGRAMA CLUBE DO FILME

O programa Clube do Filme deste sábado, 03 de março 2021, às 13h pela Rádio Cultura do Nordeste 96,5 FM/1130 AM, apresentado por Edson Santos e Mary Queiroz, dará início às comemorações do MÊS DA MULHER, com o tema: “O MACHISMO NO CINEMA”, abordando o assunto com o filme “ELA É DEMAIS”. Nos estúdios da Rádio, participação de Karinny Oliveira (Advogada) e Joana Figueiredo (Pedagoga).

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Assista ao VT do CINE CLUB TV 02 – RUBENS EWALD FILHO ( de 3 de ago. de 2013) Com participação de Lúcio Luiz Cordeiro:

 

 

Sobre o autor

Mary Queiroz é radialista e cinéfila, apresenta o Programa Clube do Filme, todos os sábados a partir das 13h, junto com o radialista Edson Santos pela Rádio Cultura do Nordeste 96,5 FM. Sugestões: [email protected]

 

1 comentário
  1. Betto Moura Diz

    Fantástico conhecer um pouco mais desse rapaz. E Mary como sempre dando sua opinião com detalhes de informação e muito criteriosa.

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