Notícias de Caruaru e Região

Clube do Filme – Janela Indiscreta – Por Mary Queiroz

janela Indiscreta
janela Indiscreta

Quando falamos em filmes de suspense, um nome imediatamente nos vem a mente é Alfred Hitchcock. Considerado uma unanimidade no meio cinematográfico neste gênero, Hitchcock literalmente revolucionou a fórmula de fazer filmes de terror/suspense. Seus mais diversos e diferenciados enquadramentos, a sensação de saber o que vai acontecer numa cena preparada para assustar o protagonista que inocentemente se vê diante de um perigo eminente e nem se dá conta do que o espera.

Mary Queiroz
Mary Queiroz

Uma de suas principais características é exatamente posicionar o espectador juntamente com seus personagens numa posição de observador do mundo ao seu redor, nos dando uma noção das possibilidades das situações possíveis de acontecerem. E muitas vezes, aquilo onde supostamente esperaríamos uma surpresa, não acontece e ele magistralmente modifica o ponto de vista, nos deixando inda mais perplexos com a trama bem amarrada.

Com sua mania de grandeza e perfeccionista ao extremo, Hitchcock era “odiado” pelos atores e atrizes, os quais reclamavam de sua austeridade em dirigir. Hitchcock sempre dizia que o mais importante numa cena, era o cenário compondo a linguagem da narrativa, onde os atores eram apenas meros coadjuvantes. Mas apesar de todos reclamarem do seu jeito de ser na direção, todos sonhavam um dia, participar de uma de suas produções, afinal, filmes dele, era sinônimo de sucesso garantido, e ao ser questionado qual a receita para se fazer um bom filme, a resposta dele era simplesmente: “ Roteiro, roteiro e roteiro”. Nos permitindo certa dose de indiscrição, vamos conferir se a receita dada por este revolucionário e visionário funciona em Janela Indiscreta, nos rendendo ao prazer de observar tudo sem cometer o terrível crime de deixar que nada neste filme passe despercebido.

Janela Indiscreta de 1954, nos proporciona aquela experiência única, ao nos permitir adentrar de forma indiscreta no cotidiano de seus personagens. Indicado ao Oscar de 1955, nas Categorias de Melhor Roteiro Adaptado, Direção e Fotografia, não ganhou nenhuma estatueta, mas se consagrou por ter nos contado uma dos melhores suspenses assistidos até agora. Roteiro de John Michael Hayes, baseado no conto It Had To Be Murder de Cornell Woolrich, escrito em 1942, narra que em Greenwich Village, Nova York, Jeff (James Stewart) um fotógrafo profissional, está confinado em seu apartamento por ter quebrado a perna enquanto trabalhava. Como não tem muitas opções de lazer, vasculha a vida dos seus vizinhos com um binóculo, quando vê alguns acontecimentos que o fazem suspeitar que um assassinato foi cometido em um dos apartamentos.

Clube do Filme - Janela Indiscreta - Por Mary Queiroz
.

Algo que conquista de primeiro, é o passeio que a câmera faz para mostrar detalhadamente onde toda a história se passaria, ou seja, em um único cenário, onde a vizinhança têm hábitos caseiros comuns, cujo todos eles combinam com a simplicidade de seus apartamentos. O tom rústico é muito bem utilizado, justamente por ser um rústico personalizado, que não passa a ideia de sujeira ou sofisticação, mas de aconchego e simplicidade. Algo certamente pensando para deixar o espectador com mais vontade de olhar a vida alheia também.

Ao nos apresentar o protagonista, sem utilizar qualquer palavra, já sabemos como é sua personalidade e sua profissão. Isso porque o trabalho de câmera é tão fantástico que em um único passeio pelo ambiente onde Jeff se encontra imobilizado e cheio de tédio, fala mais que mil palavras. É assim que somos levados a olhar a vida dos outros personagens, com mesmo interesse demonstrado por Jeff. A câmera fluente é que dar vida a todas as coisas e movimentos que os olhos de Jeff ver. De imediato sentimos que o tédio sentido por ele vai passando na medida em que ele fica cada vez mais interessado no que os outros estão fazendo em suas casas. Por este conjunto de ações, conhecemos a rotina da bailarina, a do casal que dorme na varanda por causa do calor, a do músico que tem bloqueios pra compor suas canções, a da solteirona que tanto sonha em compartilhar sua vida com outra pessoa e também a vida do casal que se mantém distante um do outro, demonstrando que a relação está desgastada e chegando ao fim.

Alfred Hitchcock aproveita o casal com problemas conjugais para criar toda a situação do suspense. O marido de uma hora para outra começa a ter atitudes diferentes das observada por Jeff e para completar este quadro, de repente sua esposa desaparece do apartamento.

Clube do Filme - Janela Indiscreta - Por Mary Queiroz

Jeff com os sentidos aguçados, usa também a lógica da sua profissão e começa a imaginar que ali aconteceu um assassinato. Vale lembrar que a maneira com que o suspense foi construído aqui, é totalmente espetacular, já que aparentemente não tem mortes ou sinal de sangue. Dando mais trabalho ainda pra quem está olhando passe a buscar maneiras de olhar mais profundamente os detalhes ocultos, fazendo Jeff agora recorrer ao seu material de trabalho, um binóculo e uma câmera. Cada vez mais convicto do assassinato, ele defende a ideia que olhar a vida alheia é algo normal diante daquelas circunstâncias. Ao revelar suas suspeitas para sua enfermeira Stella (Thelma Ritter), a mesma o conduz a refletir até que ponto, olhar a vida alheia é correto, mas ela passa a acreditar nos fatos narrados por Jeff, deixando seu desinteresse pela vida alheia sumir, para espiar também, agora com um interesse gigantesco. Lisa (Grace Kelly), namorada de Jeff também se envolve na busca pela certeza do assassinato, algo muito bem trabalhado aqui, já que a personagem foi criada para fazer parte de algo maior e não só para servir de par romântico pra Jeff.

Clube do Filme - Janela Indiscreta - Por Mary Queiroz
.

Neste filme Alfred Hitchcock consegue unir situações que se parecem com o momento que o protagonista está vivendo, como por exemplo uma cena onde a solteirona prepara todo ambiente para tomar um vinho, imaginando como o tomaria se estivesse acompanhada, ao levantar a taça para brindar, é o Jeff que mesmo distante levanta sua taça e faz o brinde acontecer. Isso mostra claramente que o protagonista, não é insensível e compreende o que ela poderia estar sentindo. Assim como faz ao apreciar a linda música tocada pelo pianista, detalhando os problemas enfrentados pelo músico para compor com sua própria relação com Lisa, uma personagem muito bem aproveitada na trama. Apresentada de início como fútil, mas com outras camadas que a cada momento eram mostradas nas cenas onde aparecia. Gentil, linda, inteligente e determinada nos cativa por ser uma mulher que sabe muito bem o que quer e onde quer chegar. Sem dúvida, uma das melhores performances de Grace Kelly.

Janela Indiscreta é um filme que a gente não cansa de assistir, isso porque nele não há diálogos desnecessários, personagens chatos e resolução do suposto assassinato de forma clara. Nem tão pouco nos preenche com a certeza que observar a vida alheia é algo que não traz consequências.

PROGRAMA CLUBE DO FILME

Clube do Filme - Janela Indiscreta - Por Mary Queiroz

Agora o Clube do Filme pela Rádio Cultura do Nordeste 96,5 FM/1130 AM, apresentado por Edson Santos e Mary Queiroz, está com uma nova proposta, tocando “SUA TRILHA PREFERIDA”! Com o intuito de levar mais música e mais interatividade dos ouvintes e internautas, o programa oferece espaço para atender seu pedido musical do seu filme favorito. Para isto, basta ligar pelos números: (81) 3722-1130/3723-1130, ou pelo Whatsapp da emissora; (81) 9.8109-1130. Acompanhe pelo SITE: www.radioculturadonordeste.com.br

PROMOÇÃO CINEMA VISA EVITAR FECHAMENTO

Clube do Filme - Janela Indiscreta - Por Mary Queiroz
.

Com a Pandemia chegando ao seu segundo ano no mundo todo, a situação da indústria do entretenimento é a que mais sofre nesse período, sem nenhuma perspectiva de solução e melhoria a curto prazo. Ainda mais com a politização em nosso país desta situação, onde ações ineficazes literalmente não chegam a lugar nenhum, muitos empresários tendem à fechar seus negócios, amargando falência de suas empresas.

A Rede Centerplex Cinemas vem passando por essa fase extremamente delicada, e o seu CEO Márcio Eli, está fazendo de tudo para que algumas de suas filiais, especificamente ás localizadas em cidades do interior do Brasil, não fechem suas portas, garantindo assim o emprego de seus funcionários, lançou a campanha: JUNTOS PELO CENTERPLEX.

A CAMPANHA visa incentivar a compra de ingressos agora, e com a validade estendida até 31 de dezembro de 2021, ou seja, você compra agora, e assiste quando quiser. São pacotes com os seguintes valores:

– 10 INGRESSOS = R$ 100,00

– 25 INGRESSOS = R$ 200,00

– 40 INGRESSOS = R$ 300,00

Por isso, quem tiver interesse em COLABORAR, nem que seja na divulgação da CAMPANHA, basta acessar as Redes Sociais do Centerplex Cinemas de sua cidade, e se informar. Vamos juntos evitar que mais uma vez, Caruaru fique sem cinemas.

Sobre o autor

Mary Queiroz é radialista e cinéfila, apresenta o Programa Clube do Filme, todos os sábados a partir das 13h, junto com o radialista Edson Santos pela Rádio Cultura do Nordeste 96,5 FM. Sugestões: [email protected]

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.