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O dia-a-dia do farmacêutico prático na farmácia do interior – Por Thiago V. Braga

Thiago V. Braga.
Thiago V. Braga.

Bula

Foi-se o tempo, muito antes de conhecermos nomes modernos como Droga Raia, Farma Conde e afins, que o farmacêutico – aquele que se encontrava atrás do balcão – anotava em um mirrado caderno, as suas experiências no campo profissional. Via-se aí a figura do bom homem, entregue à leitura, debruçado nos afazeres diários. Passava, antes de mais nada, credibilidade naquilo que fazia, em razão da sua boa fé. Trajavam, pois, roupa comum, dispensando luxo.

Este, com pouco ou nenhum estudo, ‘se acostumou’ ao mister de receitar e vender remédios inclusive, sob encomenda do freguês fiel. A sua botica, mais parecida com uma ‘casinha de boneca’ guarnecia de drogas e preparados. Tudo organizado [com raras exceções] dentro dos padrões da época. Limpeza e asseio, por excelência, davam o cartão de visitas, tido e visto como lugar de respeito. Tinha ele, o espírito tranquilo, ‘elevado’, na bela missão de curar ou levar a cura aos padecentes. O diagnóstico saia ali, sem arrolos. Bastava uma olhadinha de leve e ZAZ TRAZ. Pouca, ou nenhuma das vezes, receitava ‘remédio do mato’, tipo ervas, plantas medicinais, especiarias, chás… Data vênia lembrarmos do Biotônico, o ‘antigo’, sendo empurrado para venda [especial crianças teimosas e sem apetite para comerem].

Em segundo plano, pomadas ante-alérgicas e o tão procurado ‘Doutorzinho’, ideal para ferimentos, machucados e arranhões. Cousa invejável! Foi, a bem da verdade, abolido pelo Ministério da Saúde (início anos 90). E o leite de magnésio? Caiu no gosto popular. Possuía efeito milagroso, qual se os próprios anjos ‘tirassem aquilo que lhe incomoda’ em menos de 24 horas. No interior, a sua atividade, um tanto opcional, detinha-se, basicamente, aos serviços comerciais e ‘consulta do médico em casa’. Na falta deste, a população ficaria a mercê da própria sorte. Noite e dia, estava apto para atender, quem quer que fosse, embora faltasse um sorriso nos lábios. Seu papel, era ‘remediar’ a situação. Todos os medicamentos (os já citados e outros), à preço módico, cobrados e pagos com solicitude. O uso do cavalo de galope, em hora de urgência, levava o aflito ao socorrista, em longas viagens. A distância, seria, apenas, um problema à parte. Em vista disso, recorremo-nos ao farmacêutico [daquele tempo] como ‘um alguém’ ativo, estudioso e operante.

Confiança, gera confiança.

Sobre autor :

Thiago Valeriano Braga É formado em Direito pela FMU; Ex-aluno do curso ‘Técnicas de Persuasão’ pela Escola Superior de Publicidade e Marketing (ESPM-Vila Mariana); Membro da Academia de Artes, Letras e Ciências da Ilha do Paquetá (Rio de Janeiro-RJ); Membro da Academia Imperatrizense de Letras (Imperatriz-Ma)

 

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