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Crônica do Dia – Por Malude Maciel: A MORTE NÃO É INDOLOR

Malude Maciel
Malude Maciel

Sabemos o quanto dói a morte de um ente querido. Esse processo de partida é desgastante demais para nós, humanos. Desde o decorrer de uma doença em alguém que conhecemos, sofremos desesperadamente, quanto mais num parente, num amigo numa pessoa que nos é mui cara.

Apesar de termos conhecimento da etapa espiritual, há um apego carnal e imensamente natural entre indivíduos afins e o desejo é viver juntos para sempre.

Embora nem gostarmos de falar em morte, nos dias atuais a pandemia do Covid-19 vem maltratando nossos sentimentos e, o assunto em voga é sempre quem viveu e quem morreu nessa terrível situação de guerra. É um combate constante e sabemos da nossa inferioridade na batalha.

Cada dia uma estatística de mortes nos assombra. Cada instante um amigo, companheiro, parente e afins, nos deixam sem despedidas e sem velório. Uma estranheza sem tamanho!

Semana passada tivemos notícias do falecimento de um jovem, forte e alegre que não resistiu ao tratamento contra o fantasma: maldito Corona Vírus. Foi um choque, um abalo estrutural, pois era colega de nossos filhos e, por ter pouca idade, não estava na faixa de risco.

Esta semana outro amigo de infância dos meninos meus, perdeu a vida prematuramente. Não há quem aguente esse desgaste. Choramos, pedimos forças e proteção a Deus e temos fé, porém não podemos passar incólume aos acontecimentos inevitáveis. Dói e dói muito.

Agora pergunto, como mãe de jovens batalhadores pela vida: Por que não liberar as vacinas para essa faixa etária? Nessa idade eles correm mais riscos do que os velhos, pois esses já ficam em casa normalmente enquanto a juventude está na linha de frente, mascarada, cumprindo as determinações sanitárias, mas vulneráveis. Não me refiro aos desobedientes e insanos que se aglomeram em festas, bares e atividades perigosas; falo de quem sai pra ganhar seu pão, com dignidade. Quem tem que pegar transporte coletivo(coisa séria que deveria ter sido prioridade do governo) e, obrigatoriamente se expõe à luta diária contra o vírus chinês, cruel, covarde, invisível; um inimigo desconhecido e poderoso só encontrando desvantagens; se for contaminado não tem leitos nem tratamento nos hospitais devido à demanda de casos. Apesar do dinheiro enviado pelo Presidente da República a todos os Estados. A lentidão no programa de vacinação abala as estruturas emocionais e psíquicas.

A grande maioria da população brasileira não pode simplesmente “ficar em casa” como os “filhinhos de papai”, de uma minoria privilegiada; tendo que enfrentar as adversidades. Assim, é mais do que justo que os responsáveis pela SAÚDE neste país, incluam os adultos de meia idade na etapa prioritária da vacinação, porque são eles o futuro do Brasil. Os encarcerados já foram vacinados, no entanto outras classes operantes ficam para o final. Não é justo.

É fundamental o apoio dos governantes, porém falta presteza e seriedade com essa e outras causas. Aqueles (as) que têm cargos eletivos têm também responsabilidade com seus eleitores e devem procurar soluções num momento difícil de doença e não apenas buscá-los nas eleições.

Pelo amor de Deus, atinem para essa realidade: urge que os jovens sejam protegidos, vacinados. Não há outra solução no momento e é isso que deve ser feito. Vejam com bons olhos e boa vontade porque é uma necessidade preeminente e os cidadãos têm direito e merecem respeito. As famílias precisam ver seus filhos crescerem e não, enterrarem uma geração que ainda nem viveu e acabarem suas esperanças mais íntimas. Ponham o caso em si. Cuidem desse povo que depende da tomada de atitude dos administradores governamentais. Encarem o desafio com garra, firmeza e honestidade.

Façam por ele(povo) o que fariam por si mesmos. Não é favor, é obrigação.

 

Sobre a autora:

Maria de Lourdes Sousa Maciel se tornou “Malude” porque seus irmãos não sabiam dizer seu nome completo, como sua mãe insistia. Se tornou poetisa, escritora (Reminiscências de Malude em Prosa e Versos foi seu segundo livro publicado. O primeiro livro publicado intitula-se : No Meu Caminho.) é membro da Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras – ACACCIL. Ocupa a Cadeira 15, que tem como patrono a Profa. Sinhazinha.

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