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Mais de 200 salas de Cinema podem fechar até o fim de 2021

Cinema vazio.
A cinéfila Débora Wustner acompanha, sozinha, uma sessão no Estação Net Rio, em Botafogo: “O máximo de gente que vi em outras salas desde que começou a pandemia foram seis pessoas” Foto: Leo Martins / Agência O Globo

A cena é desoladora. “É como se olhássemos sempre para o nada”, conta uma funcionária do Estação Net Rio, cinema em Botafogo, na Zona Sul carioca. No penúltimo fim de semana, se a bombonière serviu cinco pessoas, foi muito, lamenta outro atendente. Em São Paulo, a realidade não é diferente, e sessões em salas normalmente concorridas, como as do Reserva Cultural da Avenida Paulista, agora acontecem para dois ou três gatos pingados.

Entre idas e vindas, seguindo as diferentes fases de flexibilização em cada estado, hoje cerca de 50% dos pouco mais de 800 cinemas do país estão abertos e funcionando com capacidade máxima de 50%, de acordo com o portal Filme B, que acompanha o setor. E o público que frequentou as salas em maio, por exemplo, não chega a 10% do mesmo mês em 2019, pré-pandemia.

É difícil elaborar previsões num cenário tão instável. Pesquisas do mercado alertam, no entanto, que 200 salas podem fechar até o fim de 2021, caso a crise persista. Isso explica, aliás, o motivo de só metade dos cinemas brasileiros terem retomado as projeções. Muitas vezes é mais fácil — ou menos complicado — manter as portas arriadas. É o caso do Petra Belas Artes, tradicional cinemas de rua da capital paulista, no bairro da Consolação, que reabriu assim que a prefeitura permitiu e fechou quando as possibilidades de financiamento se esgotaram — em fevereiro, os donos demitiram cerca de 35 funcionários enquanto ainda tinham dinheiro para isso. Agora, 25 pessoas estão sendo recontratadas para uma nova reabertura, em 24 de junho.

— Não valeria a pena ficar no abre e fecha. O público acaba não vindo. — explica André Sturm, dono do Belas Artes. — A gente pensou em só reabrir quando as pessoas de 60 anos já tivessem tomado a segunda dose da vacina. Isso gera um círculo virtuoso: as pessoas vacinadas ficam mais à vontade, e as não vacinadas ficam menos temerosas.

Enquanto bares e restaurantes voltaram a atrair sua clientela, o público de cinema ainda está receoso de ir às salas, vistas como propícias à transmissão de Covid-19, apesar de os protocolos garantirem segurança. Jean Thomas Bernardini, dono do Reserva Cultural, enxerga essa contradição na prática. O número de frequentadores de suas salas na capital paulista e em Niterói representa 6% do patamar anterior à pandemia, um “desastre”, como ele define. Mas o restaurante que mantém junto ao cinema da cidade fluminense está em situação melhor, com 20% dos clientes.

— Pode ser até mais barato fechar o cinema do que ficar aberto. Mas a gente se recusa. Seria uma indelicadeza com o público cinéfilo — justifica ele, que diz estar “pagando para trabalhar”.

Há consenso entre os exibidores: enquanto não houver uma vacinação em massa, eles não sairão do vermelho. Embora a injeção demore, há certo clima de esperança no ar. Nesta semana, a imagem de filas em cinemas americanos inundou os grupos de WhatsApp de profissionais da área.

Em Caruaru – PE, o Planet Cinemas, do Shopping Difusora, está a mais de um ano fechado. Já o Centerplex, no Caruaru Shopping, vem realizando campanhas para pagar seus funcionários e não fechar de vez.

 

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