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CLUBE DO FILME: Um Lugar Silencioso – Parte II – Por Mary Queiroz

Uma trajetória perfeita por um caminho onde o silêncio é o principal aliado na luta por sobrevivência.

Mary Queiroz
Mary Queiroz

Em 2018 tivemos uma grata surpresa e por sorte estávamos enganados, afinal quem poderia imaginar que o silêncio como atrativo para assustar não fosse cansativo e chato? Um Lugar Silencioso, nos trouxe a ideia que barulho significava perigo e foi isso que entendemos logo de início e com muito brilhantismo, o filme nos levou a ficar no total silêncio para acompanhar toda a narrativa e captar todos os efeitos sonoros sutilmente colocados ao longo da trama. O mesmo acontece agora com Um Lugar Silencioso – Parte II, que chegou aos cinemas. Antes sua estreia foi prevista para março de 2020, e desde então adiada diversas vezes devido o fechamento dos cinemas por conta da pandemia de COVID-19.

Assim como em Um Lugar Silencioso, sentimos mais uma vez que a jornada dos personagens precisa ser bastante calculada e extremamente cuidadosa para não fazer nenhum tipo de barulho. Se proteger de monstros alienígenas e assustadores desprovidos da visão e do olfato, mas com audição totalmente aguçada e com capacidade de se locomover velozmente, requer novas habilidades e adaptação naquele local isolado e supostamente sem saída. Agora a família Abbott precisa enfrentar os terrores do mundo exterior enquanto luta pela sobrevivência. Forçados a se aventurar no desconhecido, eles percebem que as criaturas que caçam pelo som não são as únicas ameaças no caminho. Esta ideia de criar uma trama cheia de perigos e que se permite poucos sons e um grito, continua magnifica porque transporta o espectador para aquele universo único e desafiador para sentir também toda a angústia, dor e terror que os personagens estão vivendo, mesmo sabendo que agora eles sabe como matar as criaturas.

Roteiro eficaz ao optar não aplicar sustos fáceis para causar pânico e apreensão, passa a torturar o espectador com poucos diálogos verbais. A história continua bem amarrada e controlada com sabedoria para encaixar cada detalhe do cenário com as circunstâncias em que os personagens são apresentados, principalmente na cena inicial construída com um flashback, antes do surgimento da ameaça alienígena desconhecida, que transformaria a vida cotidiana de todos em uma luta diária pela sobrevivência. Neste quesito podemos percebemos toda a perspicácia da direção onde inteligentemente exalta os elementos expostos, fazendo-os saltar aos nossos olhos.

Acredito que realizar este filme, foi para o diretor John Krasinski mais um feito surpreendente e que exigiu muita paciência, competência e criatividade, coisa que quando assistimos sua obra temos a certeza que ele empregou estes ingredientes em cada cena para que tudo se encaixasse em perfeita harmonia com o desfecho. Ele retorna com seu personagem na cena do flashback junto com Emily Blunt (sua esposa na vida real) e que faz a personagem de sua mulher, da mãe e protetora da família. Vemos nela toda força e determinação para proteger seus filhos daquela ameaça presente e real. Durante toda a trama ela enfrenta os perigos com garra e com muito silêncio até nos momentos que necessitava gritar. Perfeição em um papel que não fala nada, mas diz tudo com suas expressões de dor, medo e coragem diante daquele ambiente assustador. Os outros personagens também possuem características dignas de serem exaltadas, a Millicent Simmonds (surda na vida real) interpreta a filha do casal. Aqui percebemos sua evolução como atriz, ela deixa de ser a adolescente um tanto rebelde e que precisava se conter para não explodir do primeiro filme, superando a revolta e culpa por um acontecimento que passou, e passa a ter uma aproximação com o pai, apesar dele estar morto. Envolvida pela coragem de buscar uma saída, abandona a angústia transmitida no primeiro filme e assume o protagonismo. É sem dúvida a personagem que mais transmite uma carga dramática capaz de ser convincente até quando está dormindo. Temos também a presença de Noah Jupe, que interpreta o filho do casal e também o personagem mais medroso da trama anterior, mas nas mãos do excelente diretor, podemos ver o crescimento deste personagem em situações de muita tensão e momentos desesperados, ele também evolui e passa a ser mais forte e corajoso. Este conjunto de atuações, ficarão gravadas nas nossas mentes devido a quantidade de sentimentos que transmitiram e arrancaram de cada espectador especialmente quando evidencia valores e lições em meio a tanto horror. E para completar também temos a participação de Emmet, o personagem de Cillian Murphy, que não se destaca muito, apesar de carregar traumas e perdas interessantes que não foram exploradas ao longo do filme, apenas citadas.

Um Lugar Silencioso – Parte II apenas funciona como complemento para seu antecessor que continua sendo tão maravilhoso que necessitaria de um texto muito mais longo para fazer jus a sua grandiosidade. No mais exibe bons momentos de suspense e segura bem a proposta que nos foi apresentada em 2018, além de mostrar que mundo criado para seus personagens ainda tem muito a ser explorado. Visto como suspense, a obra de John Krasinski continua perfeita. O mesmo acontece se a virmos sob o ponto de vista do terror, que novamente, a conclusão é idêntica, sem necessariamente classificar a origem dos alienígenas como isso ou aquilo. Seu desfecho serve para manter a sensação de pânico acesa, até que seus personagens possa contar com qualquer tipo de ajuda para se livrar do horror e daquele mundo onde a principal regra para a sobrevivência é viver em silêncio.

PROGRAMA O MELHOR DA NOITE

De terça a sexta-feira, das 20h às 22h, a Rádio Alternativa FM de Agrestina, apresenta o programa O MELHOR DA NOITE, sob o comando do Radialista Edson Santos.

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Mary Queiroz é radialista e cinéfila, apresenta o Programa Clube do Filme, todos os sábados a partir das 13h, junto com o radialista Edson Santos pela Rádio Cultura do Nordeste 96,5 FM. Sugestões: [email protected] [/su_box]

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