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Quilombo dos Palmares hoje é reconhecido como patrimônio cultural do Mercosul

Por: Rosatrícia Moura

Professora Rosatricia Moura
Professora Rosatricia Moura

A região da Serra da Barriga, em Alagoas, acolhia o Quilombo dos Palmares, o mais conhecido da história brasileira

Em 20 de novembro é comemorado no Brasil o Dia da Consciência Negra. A data foi escolhida para lembrar a morte de Zumbi dos Palmares, uma das principais lideranças negras da história do país. O nome faz referência ao Quilombo dos Palmares, maior espaço de resistência de escravos durante mais de um século no período colonial (1597-1704).

A região que acolhia o núcleo do quilombo, Serra da Barriga, em Alagoas, ganhou reconhecimento internacional. Em 2017, foi oficializado a certificação da área como patrimônio cultural do Mercosul. O título só foi conferido até o momento a dois bens no país: a Ponte Internacional Barão de Mauá, ligação entre as cidades de Jaguarão, no Brasil, e Rio Branco, no Uruguai; e a região das Missões, que abrange cinco países (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia).

A Serra da Barriga foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1985. Em 2007, foi aberto o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, próximo à cidade de União dos Palmares, a cerca de 80 quilômetros da capital do estado, Maceió. O projeto envolveu a construção de instalações em referência a Palmares, como a casa de farinha (Onjó de farinha), casa do campo santo (Onjó Cruzambê ) e terreiro de ervas (Oxile das ervas). O espaço ainda é o único parque temático voltado à cultura negra no Brasil e recebe anualmente cerca de 8 mil visitantes.

Visibilidade

O título de patrimônio cultural do Mercosul significa um reconhecimento internacional importante e também estimulou a visibilidade da área por brasileiros que ainda a desconhecem.

“Um aspecto importante é a dinamização econômica, uma vez que o bem cultural ganhou uma visibilidade para uma projeção de caráter nacional e internacional. Isso favoreceu iniciativas que promoveram o turismo cultural.

O Quilombo dos Palmares surgiu no século 16. Residiam nele escravos fugidos das capitanias da Bahia e de Pernambuco. O local chegou a reunir até 30 mil pessoas no seu auge, no século 17, e era organizado em pequenos povoados, chamados de mocambos. Os principais eram Cerca Real do Macaco, Subupira, Zumbi e Dandara. O maior deles chegou a ter 6 mil pessoas, quase a mesma população do Rio de Janeiro à época.

Esses mocambos constituíam uma espécie de república. As decisões políticas eram tomadas pela reunião da liderança de cada um deles em conjunto com o chefe supremo. Essa posição de comando foi ocupada por Acotirene, sucedida por Ganga Zumba e, depois, por Zumbi. No tocante às relações afetivas, Palmares era uma sociedade poliândrica, em que mulheres podem ter relação com diversos homens.

“A Revolução Francesa é tida como o símbolo da liberdade, mas a luta de Zumbi aconteceu antes. Enquanto em Palmares tínhamos propriedade coletiva, produção para subsistência e para troca, na colônia tínhamos atividade agrícola para exportação e escravidão como base do trabalho. São sociedades opostas”.

Melhorias no espaço

O título de patrimônio cultural foi uma oportunidade importante de qualificar o espaço no momento em que o parque memorial completava 10 anos.

Entre as ações começou a existir  comitê gestor da Serra da Barriga, que hoje tem a organização no número  de capacidade de recebimento de pessoas, reassentou algumas famílias ainda resistentes na área, implantou unidades de conservação ambiental, elaborou um plano de conservação e criou um centro internacional de referência da cultura negra.

Hoje existe ainda patrimônios vivos, como a mãe Neide e demais em Alagoas.

Neste momento em que casos de racismo estão se acirrando, o reconhecimento deste bem cultural foi uma forma de combater a discriminação racial e valorizarmos a cultura afro-brasileira.

 

 

[su_box title=” Sobre a autora :” box_color=”#12a675″]

Professora Rosatrícia Moura é Mestre em Educação , graduada em Pedagogia e Ciências contábeis , gestora da Universidade cidade verde( UNIFCV) de Alagoas , algumas cidades de Pernambuco e pirambu-SE. CEO do Moura Educacional – empresa de educação que trabalha com: EJA, inglês , técnicos , graduação , pós ( especialização )[/su_box]

 

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