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EDUCAÇÃO INCLUSIVA PARA UMA SOCIEDADE IGUALITÁRIA – Por Levy Brandão

Professor Levy Brandão.
Professor Levy Brandão.

Temos tanto a aprender! Não somente os conteúdos mais tradicionais que a escola nos oferece, que já se somam podendo nos conferir uma grande bagagem, mas também necessitamos aprender sobre a convivência, a tolerância, o respeito, a diversidade, a cidadania, aprender mais para sermos ainda mais, melhores, para crescermos enquanto humanos, sabendo mais de nós mesmos, das outras pessoas e do mundo, precisamos aprender a agir, a ter uma atitude mais proativa perante as nossas vidas, a sociedade e principalmente a fazer desse mundo justo e bom para todos e todas.

A educação é mola propulsora para o desenvolvimento pessoal e coletivo. Aprender é uma das grandes características humanas e todas as pessoas podem e devem ser estimuladas a aprender. Não por acaso a educação é tida como um direito fundamental de todas as pessoas, nesse sentido é papel do Estado garanti-la, promovê-la, jamais negá-la, nunca impedir que alguém possa aprender, deve facilitar o acesso e não criar obstáculos.

O conhecimento, se não for a mais valorizada “riqueza” da atualidade, está entre aquelas que são as mais cobiçadas. E muito disso tem a ver com educação. Os saberes, os conhecimentos, o quanto uma pessoa educou-se formal e informalmente e pôde desenvolver suas inteligências, competências e habilidades, em grande medida, é o diferenciador, o divisor de águas. Em uma sociedade de mercado como a nossa, ter acesso à educação de qualidade é sinônimo de poder estar no jogo, de poder competir, de fazer parte. A oportunidade de ter educação só gera mais oportunidades.

“A Universidade não é para todos”, ou “o que nós queremos? Nós não queremos o inclusivismo. Criticam essa minha terminologia, mas é essa mesmo que eu continuo a usar. É claro que existe uma deficiência como a Síndrome de Down, que existem alguns graus, que a criança colocada ali no meio, socializa. Mas 12% não têm condições de conviver ali”, são falas daquele que atualmente ocupa o cargo de Ministro da Educação no Brasil.

Se por um lado esse tipo de fala surge como cortina de fumaça a ser lançada por sobre outros acontecimentos que se desenrolam no atual “governo brasileiro”, desviando a atenção de temáticas também polêmicas e prejudiciais para a nação, por outro, ela expressa francamente a percepção de mundo e os ideais nefastos daqueles que têm ocupado o poder, claramente fazendo valer um projeto de sociedade ainda mais desigual e excludente, contradizendo totalmente o que está posto nos documentos legais que devem reger a educação nacional.

Quem não detém um pouco mais de leitura sobre a problemática da educação, ou temas que são acessórios para uma melhor compreensão do que tem sido dito pelo tal “governante”, pode se deixar levar por esse discurso, até pelo fato dele ser realizado por uma pessoa de quem se espera “autoridade” no assunto. Tenham certeza que é um comportamento programático, sabendo que detêm poder simbólico pelo lugar de fala que ocupam, agem com o intuito de estimular uma compreensão errada da sociedade, ou seja, ao invés de promover a educação, querem mesmo “deseducar” e ainda mais, alienar o povo.

Da mesma forma que hoje já se sabe que, no geral, todas as pessoas aprendem, também se tem conhecimento sobre o fato de variarem os ritmos de aprendizagem e as maneiras através das quais mais aprendem, até porque, apesar de sermos todos e todas seres humanos, constitutivamente possuímos muitas diferenças subjetivas, físicas, intelectuais, cognitivas, culturais, diferenças essas que permitem uma diversidade de formas de ser humano tão grande.

Outro fator determinante é o ambiente sociocultural, que pode frear ou estimular o desenvolvimento de alguém. Hoje não se deve esperar que a escola eduque as pessoas para que pensem da mesma maneira, ajam umas tais quais as outras, “sejam as mesmas, pelo contrário, o que deve se valorizar é a diversidade e assim é papel da escola impulsionar que cada pessoa que passa por ela aprenda da melhor maneira que possa aprender e se desenvolva da melhor maneira que possa se desenvolver tal qual as suas particularidades permitirem. Como não se tem um medidor preciso e certeiro dos limites até onde uma pessoa pode chegar em relação ao seu desenvolvimento, precisamos de uma escola que a estimule, incentive-a, desafie-a, apoie-a ao máximo, para que cresça e seja simplesmente “ela mesma”.

Não se trata de “inclusivismo”, na verdade o objetivo é a INCLUSÃO, é reconhecer como humano, como pessoa toda e qualquer pessoa, porque se um Estado não corrobora para que haja justeza ele se distancia da sua razão maior de ser: a igualdade. As pessoas são naturalmente diferentes, mas se viverão ou não em um contexto de igualdade depende de fatores socialmente produzidos. Sem igualdade, não há liberdade, logo não poderemos viver bem com as nossas diferenças. É a própria sociedade que transforma as diferenças é exclusão e desigualdade, para impedir e reverter esse processo é que existe o Estado, ou seja, para garantir que todo mundo possua direitos, além de deveres. Ter uma educação inclusiva é fundamental para que tenhamos e sejamos em uma sociedade verdadeiramente igualitária.

 

 

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