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Coluna Prof Levy – PORQUE SER SUJEITO É TOTALMENTE DIFERENTE DE SER OBJETO

Professor Levy Brandão.
Professor Levy Brandão.

Dizem que, quando não sabemos aonde queremos ir, qualquer caminho serve. Na verdade, não é bem assim. No texto de hoje nós falaremos sobre a importância de sabermos o que realmente queremos da vida, porque ser sujeito é totalmente diferente de ser objeto, um pratica a ação e o outro a sofre. Sem saber o que almeja de verdade, não há como ser sujeito.

Imagine um barco à deriva. O fato dele alcançar terra firme e chegar em um porto qualquer não quer dizer que o objetivo da navegação foi cumprido. Até que a tripulação se situe, descubra em que lugar está, trace uma nova rota e volte a navegar com um norte bem definido e em vista, podemos dizer que ainda estará perdida.

Chegar em um porto que não foi escolhido conscientemente pela gente é praticamente o mesmo que sonhar um sonho que não brotou do nosso interior. Não deixamos de estar perdidos quando percorremos um caminho que nos foi estabelecido por outra pessoa. Navegar ou caminhar aleatoriamente só vai consumir as nossas energias, o nosso tempo e trazer um cansaço injustificado.

Consegue imaginar onde estará daqui a cinco anos, tendo como base o que tem feito diariamente na e com a sua vida? E imaginar-se daqui a dez, quinze, vinte ou trinta anos? Difícil, não é? Testemunhamos uma época marcada pela incapacidade programada e generalizada de se imaginar o amanhã, porque os modos de viver mais comuns entorpecem as consciências e desfavorecem qualquer processo de autocompreensão.

A alienação nunca foi o caminho, mas tem sido o tempero de muitas vidas. Infelizmente ela estraga o sabor do viver e o pior é que faz isso impossibilitando que quem se alimenta dela perceba que teve o paladar afetado. Temos posta uma sociedade de pessoas que comem muito mais o que as adoece, a o que lhes é realmente nutritivo.

Como estamos nesse contexto? Do que temos nos alimentado? Vou situar melhor a questão: Qual tem sido o tempero das nossas vidas? Como temos nutrido os nossos sonhos e o nosso próprio viver? O que temos feito com cada um dos nossos dias, em cada um deles? Trará duradoura satisfação, a certeza de que vivemos e fizemos o que de melhor havia para nós? São algumas questões que podemos e devemos fazer a nós mesmos.

Por mais estímulos que recebamos para não olharmos para o nosso interior, é justamente isso que mais precisamos fazer. O ponto de partida para qualquer lugar ao qual desejamos chegar está em nós mesmos e o “conhecimento de si” servirá sempre como mola propulsora para uma boa e significativa caminhada, porque o ponto de chegada também vai estar em nós. Somos o somatório de todos os nossos pontos de partidas, as nossas caminhadas e os pontos de chegada, assim se escreve a nossa vida e se define quem somos.

O autoconhecimento e a autocompreensão são fundamentais nesse processo para que não sejamos iludidos com sonhos que não são originalmente nossos, para que não acreditemos que conseguiremos nos alimentar de desejos que nos foram coercitivamente impostos. Nem tudo o que é útil, bom e belo de acordo com os anseios da objetividade capitalista realmente o é ou será para cada um de nós.

Ser sujeito é ter a capacidade de surfar entre as determinações da sociedade em que vivemos percebendo-as e identificando o impacto delas nas nossas próprias vidas. Sair sem nenhuma lesão é impossível, mas minimizá-las e, muitas vezes, subvertê-las é o mais necessário. Sujeito é quem promove a ação, é quem faz acontecer. E para tanto, considerando o contexto amplo no qual estamos inseridos, ser sujeito demanda autoconhecimento, autocompreensão e pensamento crítico.

O autoconhecimento permite saber aonde queremos chegar, a autocompreensão porque desejamos ir e o pensamento crítico possibilita-nos a percepção e o entendimento sobre o que a sociedade e a vida esperam de nós. Definir objetivos e metas para a vida deve ter como sustento essa tríade. Trata-se de saber como o que está dentro de nós se estabeleceu a partir da relação com o que está fora e de forma autônoma decidir sobre como e quando agir.

Não é correto afirmar que pela ausência de propósito claro qualquer situação vivida é benéfica. Ao contrário do que se diz com base no senso comum, ao objeto nada serve, porque sendo passivo e receptor, faltando-lhe consciência, compreensão e o conhecimento dos porquês acaba sendo alheio e indiferente a tudo. Que sejamos sujeitos!

 

 

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