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O Livro-Filme – Por Antonio Sampaio Dória

Professor Antônio Sampaio Dória
Professor Antônio Sampaio Dória

É inegável que vivemos, hoje, em uma cultura majoritariamente audiovisual. Filmes, Imagens, Propaganda, até nossos sonhos à noite são reféns dessa cultura. E os filmes de super-heróis ocupam um lugar de destaque, tanto que alcançam muitas vezes bilheterias de mais de um bilhão de dólares.

A Liga dos Heróis Inúteis, de Alexandre de Castro Gomes e Luiz Antonio Aguiar, editora FTD, se vale dessa cultura. Quem viu os filmes da série X-Men vai entender bem a proposta — aliás, essa série começou nos quadrinhos. Nesse livro, os heróis são adolescentes com estranhos poderes, aparentemente inúteis… E esse é um bom gancho, pois os adolescentes de fato se sentem “inúteis”, já que seus talentos ainda não podem ser totalmente aproveitados, já que não trabalham e não são independentes. Mas os talentos estão ali, em potência.

A Liga dos Heróis Inúteis, de Alexandre de Castro Gomes e Luiz Antonio Aguiar, Editora FTD. Ilustrações: Sapo Lendário.
A Liga dos Heróis Inúteis, de Alexandre de Castro Gomes e Luiz Antonio Aguiar, Editora FTD. Ilustrações: Sapo Lendário.

Cinco adolescentes descobrem nos momentos mais tensos suas características únicas: Pyps quando fica nervosa começa a pipocar espinhas na pele. Mas isso é literal: as espinhas se transformam em pipocas que se assemelham a balas de revólver. Catarina, a Camaleoa, descobre que muda de cor – se torna vinho – quando está beijando o namorado. Flô, ou Francisco, ao apanhar dos bullies da escola, descobre que cria plantas no corpo dos inimigos. E os gêmeos Breno e Brena se comunicam telepaticamente, sendo que ele consegue entrar na mente de outros.

Mas eles são localizados por Tocaia, mais velho, outro herói com estranhos poderes, que quer formar um esquadrão para enfrentar um grupo que quer aprisionar os heróis e roubar seu DNA. Para isso, eles precisam treinar e aperfeiçoar seus poderes.

Como se vê, é uma narrativa cinematográfica. E desenhos coloridos acompanham o texto. O que pode ser encarado, talvez, como estratégia: já que a cultura em que vivemos é essa, nada mais natural do que se valer dela para criar novas narrativas, e dessa forma atrair os jovens para os livros. Os fãs de X-Men, certamente, podem ser os primeiros a ter a atenção despertada para essa jornada.

A ideia de que devemos aperfeiçoar nossas características únicas, e transformá-las em um poder pessoal, é correta. Por mais esquisito que seja um gosto, um traço, um pendor pessoal, não podemos renegá-lo. E como tudo isso é sintomático, a Propaganda também está aderindo a essa diversidade, e a todas as novas opções – comportamentais, culturais, sexuais — quem vêm surgindo. Acabou-se a era de poucas televisões e poucos veículos de imprensa! A multiplicidade de fontes, opiniões, plataformas chegou para ficar. Alguém duvida?

Por tudo isso, os leitores adolescentes podem de fato gostar muito de A Liga dos Heróis Inúteis. A ideia-base do adolescente como um ser incompreendido, ainda à procura de uma identidade e de aceitação dos outros está no cerne do livro. E com essa leitura eles podem ficar aliviados: um dia serão úteis, muito úteis, para os outros e para si mesmos.

 

 

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