Notícias de Caruaru e Região

Os escravos inventaram a feijoada – Por Thiago V. Braga

Thiago V. Braga
Thiago V. Braga

 

Colônia baineira

Antes da famosa Lei Áurea assinada pela princesa regente Isabel, os negros cativos faziam parte do movimento Pró Açúcar: trabalho açucareiro (com mais precisão) além da colheita do café em grãos e outros serviços. A mão de obra escrava no Brasil perdurou por longos anos. Tornou-se, hábito-cultura na maioria das fazendas com larga produção agrícola e criação de animais. O regime de subordinação entre estes, dava aos proprietários de terra, um poder imerecido, vazado na influência até ali conquistada.

O alimento oferecido pelo seu senhor, nem sempre supria a necessidade de algo forte para comer, tipo frutas, verduras, legumes, pescados.. Estes se alimentam das sobras vindas da casa grande. Aquela sobra de ‘raspar o prato’ e ‘lamber os beiços’. Ossos de galinha ruídos, pão com bolor, imaginem! A fome, mui das vezes, imperava na senzala feia, suja, insalubre, fria e tosca. Daí buscavam misturar um restinho daqui, restinho acolá, no prato grosso de barro. Tudo isso levado ao fogo aceso (trempe) para cozinhar. O cheiro, por demais apetitoso, demostrava sabor agradável. Ideia estupenda! Regalo para quem pouco tinha, diante de uma realidade cruel. Viviam debaixo do açoite e do olhar severo dos feitores. Comiam, aliás, o que aparecia.

O feijão preto, ora caldeado, depois de ganhar alguns pedaços de carne de porco e folhas verdes seria, dentre outras, uma refeição de encher os olhos. Foi, aos poucos, sendo disseminada entre os demais grupos. A boa aceitação da ‘nova comida’ rendeu alegria, pula-pula, cantigas e prosa à luz do luar. Nasce, pois, a  feijoada, piamente incorpada na mesa do brasileiro. Um prato típico do nosso país qualificando a culinária nacional. Devemos aos negros ancila criatividade no preparo da feijoadinha que reina como um prato indispensável para o trabalhador. Mãe África soube educar os seus filhos, esparzindo-lhes flores na testa.

 

 

1 comentário
  1. Maria de Lourdes Diz

    Essa da feijoada é fabulosa.
    Foi bom atinar pra realidade dia nossos ancestrais no sentido de que faziam de um limão 🍋 uma limonada. Muito interessante
    Dizem que todo brasileiro tem um pé na senzala, ou seja, não existe raça pura no Brasil. Concordo plenamente e acho maravilhoso buscamos as provas de inteligência dos negros escravizados.
    Parabéns Thiago. Gostei!
    Malude Maciel

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.