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Resenha do livro Antropoceno: Notas Sobre a Vida na Terra, de John Green. – Por Antonio Sampaio Dória

Não-Ficção com gosto de Ficção

Professor Antônio Sampaio Dória
Professor Antônio Sampaio Dória

O famoso John Green, autor de livros juvenis que estouraram e se tornaram filmes (A Culpa é das Estrelas, por exemplo), resolveu lançar um Podcast também de sucesso, e o Podcast se transformou nesse livro, Antropoceno: Notas Sobre a Vida na Terra.

O que é o Antropoceno? Segundo o autor e outros estudiosos, o período em que estamos vivendo, quando o ser humano moldou a própria vida a seu redor: agricultura, pecuária, a maior parte da Terra e tudo o que está sobre ela, pois quase tudo foi transformado pelas mãos e mentes humanas!

Sendo assim, ele se põe a analisar fatos, produtos, fenômenos que por sua vez moldam a nossa vida na Terra. Tudo pode entrar nessa conta. Ele nos conta dos Velociraptores, aqueles dinossauros que aparecem no filme Jurassic Park. Mas, ao contrário do filme, ele nos conta a verdade: eram aves não muito perigosas, pouco maiores que um peru. O nome, aliás, não é o mais correto, mas foi escolhido por seu apelo dramático.

A própria Terra, claro, tem uma história. Já passou por várias fases, incluindo a de 66 milhões de anos atrás, quando um cometa se chocou com o planeta, levantou uma nuvem de poeira e extinguiu 75% dos animais terrestres. Em uma analogia, se a existência da Terra tivesse durado 1 ano exatamente até agora, os dinossauros teriam surgido no dia 13 de dezembro. Sua extinção teria ocorrido no dia 26 de dezembro, e o Homo Sapiens só entra nessa história às 23h48 de 31 de dezembro! Como somos insignificantes, não? Existimos há 12 minutos!

O cometa Halley também entra na história dos fatos que fascinam a humanidade. Em 1986, no entanto, ele passou bem longe daqui. Mas, em compensação, em 2061, ele vai estar cinco vezes mais perto! Podem ir arrumando as cadeiras e os binóculos!

O sucesso e o prazer desses ensaios se devem ao fato de que John Green sempre conta uma história — exatamente como na ficção. Por isso, o elemento humano está sempre presente. Ele expõe a si mesmo, fala do que sente em relação aos fatos, assim como fala de seu casamento, seus filhos e suas doenças, incluindo uma difícil depressão. E adota a classificação universal da Internet, a de dar até 5 estrelas a tudo. Sendo assim, o cometa Halley merece 4,5 estrelas!

De onde surgiu o ursinho de pelúcia? Foi de um fato relacionado ao presidente Teddy Roosevelt (cuidado, não o Franklin Roosevelt!), em 1902, que se negou a atirar num urso que estava amarrado. A notícia ganhou uma charge nos jornais, e dessa ideia — a de um urso indefeso, com aspecto infantil e olhos grandes — foi o criado o ursinho de pelúcia — Teddy Bear — que fez um grande sucesso! Observe aí o nome Teddy, que era o apelido do presidente. O ursinho de pelúcia ganha 2,5 estrelas.

Ao contar como um grupo de 4 adolescentes descobriu a Caverna de Lascaux, e não só descobriu, mas tomou conta da caverna — o maior tesouro artístico da pré-história, com milhares de desenhos — durante a Segunda Guerra Mundial, ficamos emocionados, e percebemos que John Green tem o dom de provocar emoções —admiração, surpresa, revolta, pois mostra que todos esses fatos fazem parte da aventura humana — generosa, grandiosa, transcendente. O saldo final é um voto de confiança no espírito humano, mesmo que a espécie humana esteja destinada a acabar, quando o Sol aumentar de tamanho e engolir os planetas à sua volta. A Caverna de Lascaux ganha 4,5 estrelas.

Mas ele também sabe ser crítico. Entre suas críticas ácidas, está o relato sobre a CNN, pela falta de contextualização das notícias, que (pelo menos nos EUA) faz as pessoas terem uma noção distorcida dos fatos ao redor do mundo. A CNN ganha 2 estrelas. Ele também é crítico em relação ao capitalismo americano, e quanto à Internet…,  bem ele admite que trouxe coisas boas e más.

Outra qualidade desse livro é a revelação das fontes: ele mostra de onde tirou toda a informação, em livros, biografias, artigos, ou seja, é como se John Green dissesse: as histórias já existem, basta saber contá-las. Mas contá-las como ele conta, aí já não é tão simples…

Antropoceno capa
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Antropoceno: Notas Sobre a Vida na Terra, de John Green. Tradução de Alexandre Raposo e Ulisses Teixeira. Editora Intrínseca.

 

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