Notícias de Caruaru e Região

‘Assuntos femininos muitas vezes são relegados ao privado’, diz Marília Arraes

Marília Arraes - foto de de Ricardo Labastier.
Marília Arraes – foto de de Ricardo Labastier.

 

A Deputada Federal, Marília Arraes, foi entrevistada pela Rádio CBN Caruaru nesta terça-feira (19) para falar sobre a distribuição gratuita de absorvente pelo governo. O atual projeto passa por turbulências após o Presidente, Jair Bolsonaro, vetar a disponibilização de absorventes na rede pública de saúde.

 

Marília Arraes comentou sobre a luta que está sendo para derrubar o veto e trazer o projeto à tona, mas ela tem esperanças que isso aconteça em breve. “Houve a aprovação por unanimidade na Câmara e no Senado, foi um projeto consenso entre deputados e senadores, incluindo negociações com a própria base do governo. Aí de repente o presidente resolveu vetar. Agora vamos conversar com o presidente Rodrigo Pacheco, para ver quando o projeto vai à pauta, para que a gente possa derrubar o veto. Acredito que vai ser algo que vai acontecer, até porque a Câmara e o Senado estavam bem convencidos do projeto, que passou três anos negociando. A justificativa de Bolsonaro não tem nenhuma razão, é mais uma fake news quando ele diz que a gente não destinou de onde viriam os recursos e foi dito sim, foi acordado, inclusive com a própria liderança de governo de onde viriam os recursos, que seria o SUS, o impacto orçamentário financeiro foi todo calculado em conjunto com a assessoria de técnica da Câmara, com representantes do governo. Mas acredito que o Congresso vai derrubar o veto para a gente conseguir ter esse programa de espaço de uma política de dignidade menstrual. É importante dizer que é o primeiro passo, o que a gente quer é que logo, absorventes sejam distribuídos nos postos de saúde, assim como fazem com os preservativos”, comenta a deputada.

 

Sobre o atraso da sociedade em entender que a menstruação não é um tabu, Marília acredita que a conscientização é o caminho para acabar com isso. “Há um atraso, porque assuntos femininos dessa maneira muitas vezes são relegados ao privado e demora para haver um entendimento da própria sociedade que se deve haver políticas públicas para resolver determinados problemas, justamente por isso. Aconteceu com a violência contra a mulher, por exemplo, quantos anos demorou para existir uma lei específica sobre violência doméstica como é Maria da Penha e sempre existiu, mas se dizia que era um assunto que era de marido e mulher, que ninguém devia meter a colher. Da mesma forma é sobre a menstruação, que fala muito sobre questões da mulher relativo à reprodução, há muitas outras coisas que por muito tempo as mulheres ficaram constrangidas de buscar o serviço público para auxiliá-las, mas sobre a menstruação que é algo que acontece todos os meses com todas as mulheres normalmente havia um certo tipo de constrangimento e não se falava sobre o assunto. Quando a gente foi debater o projeto, tinham deputados que quando iam para a tribuna e falavam a palavra menstruação ficavam constrangidos, então não é um assunto fácil, é um tabu que a agora a gente está querendo promover uma mudança cultural na sociedade para mostrar que existem mulheres e meninas que passam por esse problema, que se constrangem com isso, que ficam em uma situação de desvantagem, muito desigual porque não têm condições de comprar absorvente para estar passando por esse período que é normal, que é da nossa natureza, e que a gente precisa que o poder pública intervenha rápido em relação a isso”, afirma Marília Arraes.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.