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Clube do Filme: Halloween Kills: O Terror Continua – Por Mary Queiroz

O assassino Michael Myers retorna ás telonas bem mais violento

Em 1978 John Carpenter nos presenteia com um novo tipo de filme de terror, batizado de `slasher´, onde temos assassinos psicopatas que matam aleatoriamente. Normalmente são feitos com baixo orçamento e que seguem 3 regras básicas neste gênero: 1- ele nunca corre atrás das vítimas, normalmente persegue elas caminhando (ele tem certeza que vai alcança-las em algum momento); 2- estão sempre munidos de uma arma: faca, bastão, luvas com garras, ou apenas utilizam suas mãos, pois são providos de uma força sobre-humana; 3- sempre esses assassinos nunca morrem, independente do que se faça: são metralhados, decapitados, esquartejados, queimados, mas sempre voltam á vida em um outro filme para alegria dos fãs.

No primeiro filme Halloween de 1978, o sucesso foi estrondoso. Teve um orçamento de apenas US$ 325,000 e obteve um faturamento monstruoso de US$ 70 milhões. Estava dada inicio a uma das franquias mais populares e rentáveis do cinema. Foram feitos mais 10 filmes, num total de 11, incluindo 2 remakes que recontavam a história do assassino psicopata Michael Myers. Mas afinal, quem é esse personagem? Michael Myers é um psicopata que vive em uma instituição há anos, desde quando matou sua própria irmã, na noite de Halloween em 1963 na pequena cidade de Haddonfield, Illinois. Porém, ele consegue fugir de seu cativeiro e retorna à sua cidade natal para continuar seus crimes na localidade que, aterrorizada, ainda se lembra dele. Ele comete 3 assassinatos e ao tentar matar a quarta vítima, a babá Laurie Strude (Jamie Lee Curtis) esta consegue se salvar e Michael é alvejado por tiros disparados pelo Dr. Sam Loomis (Donald Pleasence) derrubando ele do primeiro andar de uma casa. Porém, o corpo de Michael desaparece.

Em 2018, passados 40 anos do primeiro filme, tivemos uma continuação direta dele com o filme Halloween, antigos personagens retornaram a trama macabra e cheia de suspense. Mais assustador e sanguinário, Halloween elevou a franquia em qualidade quando exibiu na trama uma equipe de documentários britânica que viaja aos Estados Unidos para visitar Michael Myers (James Jude Courtney/Nick Castle) na prisão, para uma retrospectiva sobre a noite de terror, mas seu projeto entra em caos e se torna mais interessante quando Michael escapa da custódia, recupera sua antiga máscara e busca vingança contra Laurie Strode (Jamie Lee Curtis), naturalmente fazendo outras vítimas em seu caminho. Nas décadas seguintes da trágica noite de Halloween que mudaram para sempre a vida da ex-babá, Laurie se armou e preparou para o inevitável retorno de Michael, para o detrimento de sua família, incluindo sua filha Karen (Judy Greer) e a neta Allyson (Andi Matichak). Nesta sequência direta dos personagens, vale salientar que foram respeitados as histórias dos 2 primeiros filmes, onde no segundo de 1981 nós ficamos sabendo que Michael é irmão de Laurie e que ele está preso no sanatório. Destacamos esta questão em respeito aos fatos traçados nesta nova produção, a qual acompanhou a evolução destes personagens ao longo destes últimos 40 anos. E manter uma narrativa coerente num vácuo de tanto tempo, não é tão fácil como se parece. A direção ficou a cargo de David Gordon Green, que não traz em seu currículo grandes filmes em destaque. Ele também assina o roteiro ao lado de Jeff Fradley e Danny McBride, já John Carpenter ficou encarregado da trilha sonora, produtor executivo e consultor criativo para o filme. Com esse conjunto de feras, somos brindados com uma das sequências mais bem produzidas do cinema. Apesar de tanto tempo ter passado da história atual para sua continuação neste filme, mesmo quem não acompanhou as produções anteriores não ficará perdido diante da narrativa, pois o roteiro foi aos poucos preenchendo as lacunas aparentemente deixadas intencionalmente abertas.

Um elogio à parte para as interpretações de Jamie Lee Curtis e Judy Greer, Jamie Lee Curtis como Laurie Struder, mãe de Karen Struder, vivida pela Judy Greer. A química entre as duas estava perfeita. Os conflitos que separavam mãe e filha, os traumas de uma, influenciando a outra, num misto de loucura e obsessão por parte de Laurie, reclusa numa fortaleza em que transformou a sua casa, na ânsia de esperar o retorno de Michael para o ajuste de contas final. Toda a fragilidade da personagem mostrada no filme de 1978, foi substituída por uma mulher madura, forte, bem preparada para enfrentar o retorno do psicopata. Ao longo da história e de maneira sem muito alerde, somos apresentados ao relacionamento destas duas personagens, cada uma com suas camadas sendo expostas na medida certa. Parabéns para as duas atrizes pelo trabalho fantástico apresentado. Surpreendente a produção arrecadou mais de US$ 253 milhões com um orçamento de US$ 10 milhões, garantindo a continuação Halloween Kills: O Terror Continua , que chegou aos cinemas agora em outubro após ser adiado devido a pandemia da Covid 19 e mais uma vez Jamie Lee Curtis e Judy Greer dão show de interpretação.

Halloween Kills: O Terror Continua, tem mais uma vez Gordon Green dirigindo e roteirizando ao lado de McBride, John Carpenter na trilha sonora e produtor executivo entregando uma trama que consegue ligar eventos e personagens do filme de 1978, a noite de Halloween de 2018 onde Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) acredita que enfim venceu a luta contra Michael Myers, mas ele retorna mais forte e mais sedento por sangue para aterrorizar Haddonfield . Determinada a pôr um ponto final em seus ataques, ela e outros sobreviventes decidem enfrentá-lo e acabar com o ciclo de uma vez por todas.

A fotografia do filme, foi um trabalho perfeito, pois mesmo nas cenas mais escuras, era possível sentir a presença do perigo e ver todo o terror de seu ataque. Falando em ataque, neste filme, sem sombra de dúvida, o Michael Myers aproveita cada esquina, cada casa, para cometer suas atrocidades, numa sede insana de matar. O sangue jorra literalmente na tela. Porém ressalto não ser uma exposição gratuita, afinal, estamos falando de uma mente doentia e perversa, satisfazendo-se naquilo que sabe fazer de melhor que é matar e aqui ele mata com bem mais vontade e mais motivação.

Halloween Kills: O Terror Continua apesar de não ser tão bom quanto Halloween de 2018, serve para percebemos o quanto a franquia ainda tem muito a contar. Só nos resta aguardar a continuidade em um novo filme e que ele nos transporte mais uma vez, a um embate das vítimas com Michael Myers de proporções psicóticas e assustadoras.

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